MEDICINA
- COLUNA DE GINECOLOGIA
DRA. JULIANA LIMA DE ARAUJO
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OBESIDADE E DEPRESSÃO
Estas
duas entidades juntas são responsáveis pelo maior
número de afastamento de pessoas do trabalho. Além
disso, são responsáveis pelos maiores gastos da saúde
pública e da previdência; a depressão direta
e a obesidade, indiretamente.
Como o meu trabalho envolve o universo feminino, observo que uma
parte considerável de minhas pacientes estão insatisfeitas
com o seu peso atual, geralmente associado a algum problema emocional.
O primeiro motivo que alegam estar aumentando seu peso é
o anticoncepcional ou o hormônio da menopausa. Muitas afirmam
que não comem o suficiente para estarem aumentando de peso.
Hoje, sabemos que os anticoncepcionais com baixas doses não
são os responsáveis por este acréscimo no peso
corporal, exceto as injeções trimestrais que, por
possuírem um efeito glico-corticóide, podem reter
mais líquidos e, conseqüentemente, aumentar o peso.
Ás vezes a ansiedade é tanta, que não percebem
nem o que comem; basta começar a perguntá-las como
são suas refeições que descobriremos o real
causador deste problema.
Vivemos num mundo de causa e efeito, portanto, o peso é um
efeito causado pelo que se come. É como uma equação
matemática, se o que ingerir de alimentos for maior do que
a perda calórica, o peso vai aumentar; se diminuir a ingesta,
mas não perder calorias, apenas o peso estabilizará.
Então, para diminuir peso, é necessário diminuir
a ingesta e aumentar a perda calórica, conseguida pela atividade
física, principalmente a aeróbica. Parece bem simples,
o difícil é colocar em prática, principalmente
quando a ansiedade é que comanda a orquestra do nosso corpo.
Em uma cultura onde o "gordinho" era sinônimo de
saúde e beleza, inclusive haviam concursos que premiavam
crianças, como o "bebê Johnson", o resultado
foi uma população de obesos, que ultrapassa os limites
da tolerância. O fato mais preocupante é que, quem
nos procura para emagrecer, são aquelas que estão
com sobrepeso ou, as saudáveis com algumas gordurinhas localizadas,
que corresponde ao emagrecimento estético. As que realmente
precisariam buscar um emagrecimento saudável, que são
as obesas, já estão acostumadas com esta situação.
A obesidade é definida como o acúmulo excessivo de
gordura, de tal forma que compromete a saúde. Ela é
tão grave que, segundo a ABESO (Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade), cerca de 200 mil pessoas
morrem por ano na América Latina em decorrência de
complicações provocadas pela obesidade. Estas incluem
problemas cardio-vasculares, Diabete Melitos, hipertensão,
doenças cerebrovasculares, câncer (nas mulheres, de
mama e endométrio), depressão, entre outras co-morbidades.
A obesidade ocorre devido a vários fatores, genéticos
ou adquiridos; algumas medicações, como os corticóides,
antidepressivos tricíclicos, lítio, hormônios
como a medroxiprogesterona, entre outros menos comuns.
O método mais importante para evitar a obesidade é
não fugir da balança, o que ocorre com a maioria das
pessoas que perdem o controle do seu peso; pois é muito mais
fácil diminuir 1 ou 2 Kg do que 10 ou mais. Em conseqüência
disso, o Brasil é o campeão mundial em prescrições
de medicamentos para emagrecimento. A procura por uma fórmula
mágica, para perder 20-30Kg em poucos meses é muito
mais sedutora do que uma reeducação alimentar e atividade
física. O resultado destas medicações ao serem
suspensas, tem sido um efeito rebote, levando a um aumento no peso,
as vezes superior ao número de quilos perdidos. Nenhuma droga
é eficiente se não houver a reeducação
alimentar e a atividade física associadas.
Já existem trabalhos demonstrando que, no cérebro,
o centro da ansiedade está localizado próximo ao da
fome e, ao ser estimulado promove a produção de substâncias
ao nível do estômago, dando a sensação
de fome. Além disso, muitos alimentos, como por exemplo o
chocolate, aumentam a liberação de serotonina, um
neurotransmissor que produz uma sensação de bem estar.
Em situações de ansiedade, é mais fácil
recorrer a estes alimentos do que realizar uma atividade física,
que produz a mesma sensação. E aí vão,
a depressão e a ansiedade, de mãos dadas com a obesidade,
rumo a um caminho, muitas vezes sem volta. Para combater estas entidades
são necessários programas específicos, iniciando
na infância. Sugiro acessar o site da ABESO: www.abeso.org.br
, o qual inclui várias informações sobre obesidade,
principalmente no item "dicas". Quanto a ansiedade e a
depressão, devemos procurar viver um dia de cada vez, saindo
da roda viva que a sociedade nos coloca, num consumismo exagerado
e numa cultura de cultivar o exterior, esquecendo a nossa essência
interior, tão importante para nosso equilíbrio.
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Dra.
Juliana Lima de Araújo ( Hotsite
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Ginecologia - Estética Genital Feminina
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* Matéria
publicada neste site: 23.04.2007
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