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MEDICINA - COLUNA DE GINECOLOGIA
DRA. JULIANA LIMA DE ARAUJO
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PAPILOMA VÍRUS HUMANO (HPV)

O HPV é um vírus relacionado com o câncer de colo uterino. Os primeiros registros a cerca das lesões causadas pelo HPV foram entre 460 e 377 a.C por Hipócrates, utilizando o termo "condiloma" para denominar as verrugas genitais. A primeira associação do vírus com o câncer de colo uterino ocorreu em 1842 quando Rigone-Stern descreveu a "natureza venérea" desta neoplasia; após ter observado a raridade da mesma em freiras e virgens.

A incidência do câncer de colo do útero ainda é significativa em todos os países, porém maior nos países em desenvolvimento. No mundo, estima-se que oito mulheres por hora se contaminam com o vírus; 30 milhões de novos casos/ano de condiloma acuminado ocorram e 471 mil novos casos de câncer de colo uterino/ano apareçam. No Brasil, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), cerca de 19 mil casos de câncer cervical são registrados por ano, com um risco médio estimado de 20 casos a cada 100 mil mulheres. Além de, aproximadamente, 4mil mortes/ano devido a esta patologia. No Brasil ocupa o terceiro lugar entre os cânceres femininos, perdendo somente para pele e mama. Existem mais de 200 tipos de vírus descritos; destes, cerca de 30% acometem preferencialmente a região genital, sendo os mais agressivos o 16 e o 18 (HPV de alto risco).

A transmissão ocorre pela via sexual, não sendo transmitido pelo sangue ou secreções. Sabonetes, toalhas, vaso sanitário, bancos e piscinas não são meios de contágio. É necessário o contato do vírus com a pele ou mucosa. O período de incubação do HPV varia de três semanas a oito meses, em média três meses. Porém, o tempo para o aparecimento da lesão pode ser indeterminado, uma vez que depende da imunidade do indivíduo.

Alguns estudiosos do assunto chegam a afirmar que a doença HPV é mais uma doença imunológica do que propriamente uma doença sexualmente transmissível. A infecção pelo HPV pode ser dividida em três fases:
A clínica, quando aparecem as verrugas; a sub-clínica, assintomática, detectada através do citopatológico (CP, Papanicolau ou pré-câncer), colposcopia ou da biópsia e, a fase latente, em que a pessoa é portadora do vírus, mas não apresenta lesões.

Acredita-se, que para ocorrer o câncer de colo uterino, é necessária a presença do HPV, em torno de 95 a 97% dos casos; de uma exposição ao vírus por um tempo mais prolongado, além de outros fatores associados, como o fumo, a diminuição da imunidade, dieta pobre em ácido fólico, anticoncepcional com altas doses de hormônios e a agressividade do vírus.

Nem toda lesão por HPV se torna cancerígena. Também não é possível prever em quais pacientes o vírus irá persistir, formar novas lesões ou desencadear neoplasias cervicais. Algumas mulheres podem também eliminá-lo. Mulher portadora de HPV de alto risco tem uma probabilidade 50 a 100 vezes maior de desenvolver câncer de colo do que as mulheres não infectadas. Além disso, o risco de desenvolver lesões de alto grau é cerca de 300 vezes maior. Para saber se o vírus é de alto grau existe um exame chamado captura híbrida, porém é considerado dispensável, pois o grau da lesão também nos mostra o comportamento do vírus. Caso a paciente tenha um exame de captura híbrida positivo para HPV de alto risco e não tenha lesão no CP ou colposcopia, a conduta é acompanhar com CP, periodicamente.

Portanto, o importante é realizar o CP no mínimo uma vez por ano, independente se é ou não portadora de HPV. Pois as lesões podem demorar até 3-4 anos para se transformarem em câncer. Neste tempo, tratamentos podem ser instituídos, evitando o câncer propriamente dito. Juntamente com o CP, o uso de preservativo ainda é o meio que possuímos para prevenir a contaminação pelo HPV. A camisinha não protege em 100% das vezes, principalmente nas lesões da base do pênis e na parte externa do períneo. Como a maioria das lesões ocorre, no homem na glande e, na mulher no colo uterino, ainda é considerada o meio mais seguro.
As mulheres, portadoras ou não de HPV que fizerem o CP pelo menos uma vez ao ano não terão câncer de colo uterino.

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>> Dra. Juliana Lima de Araújo ( Hotsite )
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Matéria publicada neste site: 13.05.2007


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