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MEDICINA - COLUNA DE GINECOLOGIA
DRA. JULIANA LIMA DE ARAUJO
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VACINAS CONTRA O HPV
(Papiloma Vírus Humano)

A vacinação é um procedimento com potencial importante para reduzir morbimortalidade, controlar e erradicar doenças. As imunizações são diferentes em suas eficácias, devido às respostas do hospedeiro e as variações dos vírus e bactérias. As vacinas podem ser inativadas ou vivas atenuadas. Não há combinação das duas. Os antígenos inativados são menos incompetentes do que aqueles elaborados com os microorganismos vivos atenuados e, consequentemente, do que o agente etiológico selvagem contra o qual se busca a proteção. Assim, para melhorar a resposta imunológica das vacinas inativadas lança-se mão de alguns artifícios, como por exemplo, aplicar em mais doses, como a anti-hepatite B (três doses) e associar o alumínio como adjuvante.

Duas empresas farmacêuticas participaram desde o início dos anos 90 na realização dos estudos clínicos para a produção das vacinas contra o HPV:

1) A MERCKE SHARP & DOHME, que desenvolveu a GARDASIL (vacina quadrivalente contra os HPVs tipos 6, 11, 16 e 18), já aprovada pelo FDA e ANVISA e em fase de comercialização.

2) A GLAXO SMITH KLINE, que desenvolveu a CERVARIX (vacina bivalente contra os HPVs tipos 16 e 18), com comercialização prevista para breve.

A vacina quadrivalente é um composto que reúne em uma única vacina, partículas semelhantes aos vírus dos quatro principais subtipos de HPV causadores de verrugas genitais e câncer de colo uterino (6, 11, 16, 18). Essas partículas são semelhantes aos vírions do tipo selvagem, mas não contêm DNA viral, por isso não podem infectar as células ou se reproduzirem. A eficácia desta vacina foi avaliada em quatro estudos clínicos, em 33 países, com a participação de 20.451 mulheres, com idade entre 16 e 26 anos. No Brasil, o estudo ocorreu em 15 centros e envolveu 20 investigadores e mais de 3400 pacientes. Todas as participantes foram acompanhadas até cinco anos após o início das pesquisas. Os resultados demonstraram que a eficácia profilática foi altamente eficaz na redução da incidência de NIC*, de qualquer grau, adenocarcinoma in situ, câncer cervical não invasivo e lesões genitais externas, incluindo o condiloma acuminado (verrugas), NIV** e NIVA*** de qualquer grau, relacionados aos vírus da vacina. Foi igualmente eficaz contra a doença por HPV causada por cada um dos quatro tipos de HPV da vacina. Ela não evita a contaminação por outros tipos de vírus não contidos na vacina. Não deve ser indicada para o tratamento de verrugas genitais ativas, câncer cervical, vulvar ou vaginal, NIC, NIV ou NIVA. Não protege contra outras doenças que não sejam causadas pelo HPV. Apesar de uma categoria de risco B na gestação, não é recomendada para mulheres grávidas, pois não existem estudos sobre o seu potencial mutagênico. Durante a amamentação pode ser administrada, apesar de não se saber se os antígenos induzidos pela vacina são excretados pelo leite materno, uma vez que os efeitos adversos para a mãe e a criança lactente foram idênticos aos do placebo. A segurança e eficácia não foram avaliadas em crianças com menos de nove anos, em pessoas com mais de 26 anos e portadores de HIV. A eficácia, a imunogenicidade e o perfil de segurança da vacina não sofreram impacto com o uso concomitante de medicamentos comuns, como antibióticos, analgésicos, antiinflamatórios e contraceptivos orais.

As vacinas são profiláticas, isto é, precisam atuar em pacientes que não tiveram contato com o agente viral. São preconizadas para mulheres entre nove e 26 anos, num total de três doses: a Gardasil no esquema zero, dois e seis meses e a Cervarix zero, um e seis meses. Devem ser aplicadas intramusculares no braço ou na coxa. Os efeitos colaterais mais comuns foram: dor, inchaço, prurido e eritema no local da aplicação, além de cefaléia e febre. Porém, são bem toleradas.

Convém ressaltar que a erradicação do HPV e do câncer de colo de útero, não deve ser baseada só na vacinação, mas numa educação para o uso de preservativos e a realização do Papanicolaou. Estudos mostram que a associação da vacinação com o exame de Papanicolaou pode reduzir o câncer de colo uterino a níveis próximos de 100%. Portanto, a triagem de rotina do colo uterino deve ser incentivada, uma vez que as lesões detectadas em fases precoces podem ser tratadas, evitando a evolução para lesões mais graves e ao próprio câncer. Mesmo a paciente que recebe a vacina, deve continuar a rotina de triagem estabelecida pelo seu médico. Outra limitação importante é o custo das vacinas, entre R$ 500,00 e 600,00 cada dose; não há previsão de inclusão no sistema público, provavelmente não seja para os próximos dois ou três anos.

Como existem mais de 200 tipos de HPVs já identificados, as vacinas dão cobertura apenas aos citados anteriormente, que são os mais relacionados com as lesões malignas e pré-malignas de câncer de colo uterino. No homem, os subtipos 16 e 18 causam 70% dos casos de câncer anal e de pênis relacionados ao HPV. Já estão em andamento estudos para avaliar a eficácia das vacinas em adolescentes do sexo masculino e homens de 16 a 26 anos e, em mulheres de 27 a 45 anos.

Mais informações podem ser obtidas com seu ginecologista ou nos sites www.msdonline.com.br, www.hpvprevina.com.br, Sociedade Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior.

NIC* = Neoplasia Intra-Cervical
NIV** = Neoplasia Intra-Vulvar
NIVA*** = Neoplasia Intra-Vaginal

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>> Dra. Juliana Lima de Araújo ( Hotsite )
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Matéria publicada neste site: 29.05.2007


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