MEDICINA
- COLUNA DE GINECOLOGIA
DRA. JULIANA LIMA DE ARAUJO
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CLIMATÉRIO E MENOPAUSA
Climatério
(do grego; klimacton=crise) é
a fase da vida da mulher onde ocorre o "início"
do fim do período reprodutivo. Pode ser assintomático
ou acompanhado de alterações emocionais, do ciclo
menstrual, da pele e mucosas, além das ondas de calor ou
fogachos. Pode ser dividido em Pré-menopáusico, que
inicia em geral, após os 40 anos e estende-se até
um ano após a parada da menstruação e Pós-menopáusico,
que começa um ano após o último período
menstrual e estende-se pelo resto da vida; segundo a OMS (Organização
Mundial de Saúde), até os 65 anos.
Menopausa (do grego; men=mês
e pausis=cessação), instala-se
em torno dos 50 anos, podendo variar entre 35 e 59 anos. É
considerada prematura ou precoce quando ocorre antes dos 40 anos
e tardia, após os 52 a 55 anos.
O que determina a idade de incidência da menopausa ainda não
está definido. Acredita-se que o fator mais importante é
o número de folículos ovarianos. No quinto mês
de vida intra-uterino a mulher possui entre e cinco e sete milhões
de folículos, quando ocorre a multiplicação
máxima. A partir de então, há perda progressiva
dos folículos, chegando a aproximadamente um milhão
no momento do nascimento e continua diminuindo até a menopausa.
Parece ser geneticamente programada, para cada mulher a data da
menopausa natural. Alguns fatores externos podem antecipá-la
em até três anos, como o fumo, nutrição,
raça, paridade, agentes anti-neoplásicos e radioterapia.
As modificações hormonais que determinam os sintomas
característicos desta fase e traduzem a falência ovariana,
geralmente são devido à diminuição do
estrogênio e ao aumento do FSH (Hormônio Folículo
Estimulante), este produzido na hipófise e que regula os
níveis do estrogênio no ovário. Porém,
há também, diminuição dos progestágenos,
dos androgênios ovarianos, dos opióides e de alguns
neurotransmissores cerebrais. Os androgênios produzidos na
supra-renal sofrem poucas modificações na menopausa;
o que altera é a rota metabólica dos mesmos, com uma
aromatização periférica na gordura, músculo
e pele. Os opióides endógenos parecem estar envolvidos
na modulação de grande variedade de funções
psicológicas, neurológicas e comportamentais. A perda
rápida da atividade opióide hipotalâmica, que
ocorre com o déficit agudo de estrogênios, pode mediar
muitos dos sintomas psico-emocionais da mulher climatérica.
Os neurotransmissores cerebrais (noradrenalina, adrenalina e serotonina)
são produzidos pelas enzimas tirosina hidroxilase, monoaminooxidase
(MAO) e catecol-o-metiltransferase (COMT) ao nível dos neurônios.
Estas enzimas diminuem com a carência de estrogênio
no climatério, estando associadas aos efeitos do bioenvelhecimento,
depressão, insônia e alterações vasomotoras,
como os fogachos.
As alterações clínicas mais comuns são:
* Sangramento irregular devido às
flutuações hormonais; podem ocorrer sangramentos freqüentes,
fluxo aumentado e atrasos menstruais.
* Fogachos ou ondas de calor são
os sintomas mais incidentes no climatério; cerca de 60 a
65% das mulheres apresentam estas queixas, sendo que até
80% podem permanecer com elas por até um ano; pode ser diário,
com episódios que duram de segundos até dois ou 3
minutos; geralmente ocorrem do pescoço ou tronco para cima;
muitas vezes associam-se a sudorese e insônia, uma vez que
ocorrem mais no período noturno; quando muito freqüentes
e intensos, influenciam fortemente a qualidade de vida da mulher,
uma vez que estão associadas a maior tensão, ansiedade,
depressão, irritabilidade, cefaléia, dores musculares
e ósseas, indiferença sexual e sensação
de envelhecimento.
* A secura vaginal se deve a atrofia
da mucosa vulvo-vaginal, ocorre em cerca de 15% das mulheres que
ainda menstruam, aumentando para 40 a 45% nas pós-menopáusicas;
pode levar a dispareunia (dor na relação sexual) e,
conseqüentemente, a diminuição do desejo sexual.
Além do sangramento irregular, fogachos e secura vaginal,
a mulher climatérica pode apresentar: palpitações,
taquicardia, parestesias (dormência nas extremidades), dores
nas articulações e músculos, insônia,
depressão, alterações na sexualidade, como
diminuição da libido ou desejo, diminuição
da energia corporal, tontura, cefaléia, instabilidade emocional,
choro fácil, pele, unhas e cabelos secos e quebradiços,
rugas faciais, incontinência urinária, crises de cistite.
Além de todos estes sintomas, há um problema silencioso
que é a osteoporose. Esta se instala progressivamente e depende
de fatores como a história familiar, dieta pobre em cálcio,
fumo, café preto, sedentarismo, a menopausa e o uso de corticóide
cronicamente.
Para suportar todos estes sintomas a mulher tem de ser uma heroína.
Eles podem aparecer isoladamente ou concomitantes. Algumas mulheres
não apresentam nenhum sintoma, apenas cessa a menstruação.
"Felizes os que choram, pois estes serão consolados".
Se, por um lado, a mulher que nada sente, tem uma qualidade de vida
melhor, por outro, ao deixar de lado as consultas nesta fase, pode
estar correndo um risco maior de não diagnosticar patologias
que ocorrem com maior freqüência nesta fase, como câncer
de mama e dos genitais, problemas cardiovasculares, doenças
neurológicas como Alzheimer, hipertensão arterial,
diabetes, alterações no perfil lipídico, obesidade,
osteoporose e envelhecimento.
O "tratamento" ou reposição hormonal sofreu
mudanças radicais a partir de 2002, com a publicação
de um trabalho chamado WHI, nos Estados Unidos. Independente do
uso ou não de hormônios, a atividade física
e uma dieta equilibrada é fundamental nesta fase, pois os
próximos anos irão depender desta transição.
Cabe a nós, ginecologistas, intervir de forma preventiva
durante os anos da perimenopausa, a fim de prolongar ao máximo
o período de boa energia física e atividades mental
e social das mulheres; detectar precocemente as doenças mais
incidentes neste período e, suavizar ao máximo esta
transição. Fazer ou não terapia hormonal? Será
tema da próxima coluna.
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Dra.
Juliana Lima de Araújo ( Hotsite
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* Matéria
publicada neste site: 23.06.2007
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