MEDICINA
- COLUNA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
DRA. JULIANA LIMA DE ARAUJO
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MENSTRUAR
OU NÃO MENSTRUAR
Menstruação
corresponde a todo sangramento que ocorre em presença de
ovulação. Após a pausa da pílula chama-se
“sangramento por privação” e, pós-parto
ou cesariana, “lóquios”. Portanto, só
menstrua quem ovula. Apesar de vários trabalhos mostrarem
que a menstruação não é algo fundamental
para o bom funcionamento do organismo feminino, ainda há
muita controvérsia.
O ginecologista baiano Elsimar Coutinho foi um pioneiro neste assunto.
Autor de “Menstruação, a Sangria Inútil”,
ele relata, neste livro, a importância cultural, econômica
e até mesmo religiosa da mesma, porém não fisiológica
e não necessária para o bem-estar das mulheres.
Não há
informação sobre a vida sexual dos primeiros humanos.
Supõe-se que se reproduziam do mesmo modo que fazem hoje
os macacos. Grávidas ou amamentando, dificilmente as mulheres
menstruavam. A organização em sociedade mudou a situação
das mulheres. Devido às guerras e a mortalidade infantil,
ter filhos sucessivamente era encorajado pelos governantes. As que
não menstruavam tinham grandes chances de entrar para a prostituição,
devido à incapacidade de ter filhos e constituir família.
Os persas isolavam as mulheres no período menstrual e as
castigavam com chibatadas se ficassem assim por mais de quatro dias,
pois “estariam possuídas por um mau espírito”
e a purificação era necessária. Não
há relatos sobre menstruação nesta época,
o que reflete ou a sua raridade ou seu caráter anti-social.
As maiores superstições surgiram no Império
Romano. Plínio, em seu livro “História Natural”,
descreveu o sangue menstrual como um veneno fatal, perigoso para
quem entrasse em contato com ele, mas purificador para a mulher.
Hipócrates foi o primeiro a analisar este fenômeno,
atribuindo-lhe uma função benéfica. Baseado
nisso, indicava a sangria como remédio para outras doenças,
inclusive em homens. A sangria só deixou de ser praticada
após o advento dos antibióticos.
Ausência
espontânea de menstruação pode sinalizar um
problema e deve ser investigada. Não menstruar só
é problema quando não se usa nada para proteger o
endométrio. Algumas doenças só existem em função
da menstruação, como endometriose, dismenorréia
e tensão pré-menstrual.
Na década
de 60, os ACOs surgiram com intervalos de sete dias, para ocorrer
sangramento e assegurar a ausência de gravidez. Logo após,
o Dr. Elsimar lançou a injeção trimestral Depo-Provera,
primeira a suprimir a menstruação. Foram surgindo
outros, como o implante subdérmico, o endoceptivo Mirena
e os ACOs usados sem interrupção, além dos
procedimentos cirúrgicos como a histerectomia e ooforectomia.
A
menstruação pode ser evitada de forma natural, como
na gestação e lactação e a prática
de exercícios físicos regulares. Foi o tratamento
da endometriose que permitiu análises mais concretas sobre
os efeitos de não menstruar sobre o organismo feminino. Não
houve aumento na incidência de câncer ou trombose relacionados
ao fato de não sangrar. O uso de ACOs contínuos não
retarda a volta da fertilidade e não piora os efeitos adversos
dos mesmos, quando comparados com intervalos regulares. Dizer “não”
a menstruação, portanto, é algo possível
sem muitos conflitos.
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Dra.
Juliana Lima de Araújo ( Hotsite
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Matéria
publicada na Revista Classic Life
Edição
nº 12 - AGO/SET/OUT - 2008
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