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MEDICINA - COLUNA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
DRA. JULIANA LIMA DE ARAUJO
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ENDOMETRIOSE:
UM MAL QUE NÃO SE VÊ,
SE SENTE!




A endometriose é uma doença benigna com comportamento imprevisível que acomete mulheres em idade fértil. Descrita em 1860, até hoje continua como um enigma a ser desvendado. Com diagnóstico e tratamento incertos e prognóstico reservado, representa 10 a 20% dos casos de dor pélvica e até 50% dos casos de infertilidade. Consiste na implantação do tecido endometrial fora da cavidade uterina. Inúmeras teorias tentam explicá-la, porém nenhuma consegue elucidar claramente a sua origem, sendo a menstruação retrógrada uma das mais aceitas. Nela o fluxo menstrual, além de sair pela vagina voltaria pelas trompas, cairia na cavidade abdominal, promovendo o implante destas células. Fatores genéticos, mecânicos, endócrinos, imunológicos e alterações locais do endométrio estariam relacionados com sua gênese.

São fatores de risco o ciclo menstrual curto, fluxo abundante, sedentarismo, menarca precoce, baixa paridade, não usar anticoncepcional hormonal, entre outros. O sintoma mais comum é a dor em baixo ventre, que piora no período menstrual. Pode haver diarréia, dor no ato sexual, na micção e ao evacuar, irregularidade menstrual e sintomas que variam conforme o local onde os focos se instalam. Devido à dor crônica, cansaço, depressão, alterações do humor, ansiedade, piora da TPM, dor lombar e qualidade de vida ruim são comuns nestas mulheres. O exame físico pode ser normal nos casos mais leves e, nos mais severos, identificar nódulos e dor à mobilização do colo uterino. Presença de tumores ovarianos na ultra-sonografia transvaginal também pode levar a suspeita clínica. Dois a 22% dos casos podem ser assintomáticos.

A laparoscopia é considerada o melhor método para firmar o diagnóstico, além de servir como tratamento. Pesquisas mostram que as mulheres levam 10 anos e passam, em média, por 5 médicos até fazer o seu diagnóstico. Ressonância magnética e o CA-125 são exames auxiliares que não firmam o diagnóstico de certeza. Independente do tratamento, os objetivos principais são alívio dos sintomas, volta da fertilidade, prevenção das recorrências e da progressão da doença. O tratamento clínico nos estágios mais leves consiste na supressão da atividade ovariana com o uso de anticoncepcionais contínuos, progestogênios injetáveis e orais ou gestação, se este for o desejo da paciente. Os análogos do GnRH (Zoladex) são muito usados, porém com efeitos adversos intensos. Naquelas que não desejam gestar, o uso do Mirena tem sido indicado com bons resultados sobre a dor. Nos mais graves, recomenda-se o tratamento clínico por 4 a 6 meses e uma segunda laparoscopia. Por ser uma doença multifatorial e complexa, se faz necessário um apoio psicológico eficiente destas pacientes. Fica o alerta para as mulheres com esses sintomas que busquem ajuda, antes que a endometriose comprometa a sua saúde.


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>> Dra. Juliana Lima de Araújo ( Hotsite )
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Matéria publicada na Revista Classic Life
Edição nº 13 - NOV/DEZ/JAN - 2009


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