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MEDICINA - COLUNA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
DRA. JULIANA LIMA DE ARAUJO
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GRAVIDEZ
NA ADOLESCÊNCIA






Denomina-se gravidez na adolescência aquela que ocorre em jovens de até 19 anos, considerada precoce de 11 a 15 anos e tardia acima de 16 anos. Dados do Ministério da Saúde revelam que cerca de um milhão de garotas abaixo de 20 anos ficam grávidas por ano no Brasil. Estima-se que os partos juvenis totalizem 700 mil na rede pública e cerca de 250 mil fora dela; 22% desses partos ocorrem em meninas de 10 a 14 anos. No RS, em 2007, 17,8% dos partos na rede pública foram em meninas de 10 a 19 anos. Outro fenômeno observado com frequência cada vez maior é a repetição de gestações; cerca de 2% das adolescentes de 15 a 19 anos tem pelo menos dois filhos nascidos vivos. 80% dos casos de gravidez na adolescência não são planejados. Inicialmente, isso leva a uma quebra de expectativas e planos, abrindo espaço para acusações, culpas e cobranças. A situação inevitável, porém, exige a reconstrução dos vínculos, sob a forma de orientações e apoio mais efetivos para que as meninas estabeleçam novos limites e assumam outras responsabilidades. Nos EUA, das 750 mil americanas que engravidam entre 15 e 19 anos, 57% tem o filho, 29% provocam aborto e 14% sofrem aborto espontâneo. No Brasil, os dados são inconsistentes; porém, segundo dados oficiais eles representam mais de 15% das mortes maternas de mulheres de 15 a 24 anos.

Outro dado relevante é sobre os pais adolescentes. Calcula-se que 500 mil tornem-se pais anualmente no Brasil antes dos 19 anos. Estudos mostram que os principais fatores associados são: baixa escolaridade da menina, história materna de gestação na adolescência, início prematuro das relações sexuais, ausência de consultas ginecológicas prévias, a falta de acesso aos métodos anticoncepcionais e as noções erradas sobre os mesmos. A gestação na adolescência não eleva o risco do ponto de vista biológico, embora alguns trabalhos mostrem uma maior incidência de prematuridade, hipertensão e restrição do crescimento fetal. O impacto maior ocorre do ponto de vista psicológico e socioeconômico, uma vez que interfere negativamente em suas vidas e de seus familiares. O atraso e a interrupção dos estudos são as principais consequências da gestação nesta fase. Cerca de 80% das adolescentes grávidas abandonam a escola.

Diante de tantos números assustadores, é prioritário que o tema da sexualidade e gravidez precoce seja incluído nas escolas, de forma efetiva, ampla e sem discriminação. De um lado, informar para orientar e prevenir. De outro, instituir medidas de apoio e estímulos educativos e socioculturais às gestantes e suas famílias. Ainda que determinados assuntos ligados à sexualidade, violência, moral e ética não sejam fáceis de serem abordados com os jovens, eles não devem ser tratados sob o véu de falsas proteções.



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>> Dra. Juliana Lima de Araújo ( Hotsite )
Ginecologia - Estética Genital Feminina

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* Matéria publicada na Revista Classic Life
Edição nº 17 - VERÃO - 2010


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