MEDICINA
- COLUNA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
DRA. JULIANA LIMA DE ARAUJO
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A PÍLULA ANTICONCEPCIONAL
FAZ 50 ANOS
A pílula anticoncepcional passou a ser utilizada na prática
clínica em 1960, com a comercialização do Enovid
nos Estados Unidos. A pílula evoluiu muito nesses 50 anos
e é um dos medicamentos mais estudados até hoje. Contêm
substâncias muito semelhantes àquelas produzidas pelo
ovário da mulher, conhecidas como estrogênio e progestogênio.
Considerada
vilã no passado, mostra-se cada vez mais “heroína”
no presente. Isso se deve à diminuição das
doses hormonais, que inicialmente eram 150mcg de estrogênio
e atualmente variam de 30 a 15mcg.
O
surgimento de novos progestogênios também contribuiu
muito para a redução dos efeitos colaterais, além
de oferecerem muitos benefícios adicionais. O regime de uso
também sofreu bruscas transformações. Inicialmente
eram 21 pílulas com intervalos de sete dias (21-7); atualmente
estão disponíveis 22 – 6, 24 – 4 e o regime
estendido, sem pausa entre as cartelas, o que suprime a menstruação.
Recente
publicação na Inglaterra envolvendo 46 mil mulheres
demonstrou que, as que utilizaram anticoncepcional hormonal, tiveram
menos câncer e menos morte por problemas cardiovasculares.
Os contraceptivos hormonais previnem contra câncer de endométrio
e de ovário, além de miomas uterinos, cistos de ovário
e endometriose. Certas doenças ginecológicas também
podem ser tratadas com esses medicamentos, como hemorragia uterina
disfuncional, cólica menstrual, anemia, acne, STPM, aumento
de pelos e seborreia.
Entretanto,
esses métodos não devem ser utilizados por qualquer
pessoa. Recentemente a OMS divulgou os chamados Critérios
de Elegibilidade Médica, que devem ser seguidos durante o
processo de escolha dos anticoncepcionais, considerando-se eficácia,
mecanismo de ação, efeitos colaterais, complicações
decorrentes do seu uso, modo de utilização e, sobretudo,
condições de saúde da paciente que vai utilizar
o método.
Sem
dúvida, a descoberta da pílula anticoncepcional revolucionou
o universo feminino. Pequenas pílulas contendo inúmeras
possibilidades, como controle da natalidade, evitar várias
doenças, tratar outras tantas e ser um instrumento de saúde
pública para amenizar problemas como aborto provocado, mortalidade
materna, fetal e infantil. Estima-se que no mundo ocorram 200 milhões
de mulheres grávidas. Dessas gestações, 75
milhões não foram planejadas, 50 milhões terminam
em aborto provocado e 500 mil mulheres morrem em consequência
de complicações decorrentes da gravidez, parto e puerpério.
Considerando esses números, a utilização efetiva
da pílula torna-se necessária para melhorar a qualidade
de vida da mulher, permitindo sua maior participação
social, possibilitando o exercício da sexualidade sem o risco
de engravidar e a liberdade para conquistar o que desejar.
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Dra.
Juliana Lima de Araújo ( Hotsite
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Ginecologia - Estética Genital Feminina
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Matéria
publicada na Revista Classic Life
Edição
nº 19 - INVERNO - 2010
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