
EMAGRECENDO
NO INVERNO
por
Dra Ana Paula Souza
As estações do ano exercem influência sobre o
nosso metabolismo e apetite. Quem já não ouviu falar
que engordamos mais no inverno e emagrecemos no verão? Na verdade
o nosso corpo é programado geneticamente para se adaptar às
variabilidades ambientais como temperatura, luz, calor, frio, atividade
física mais intensa e poder assim manter o seu equilíbrio.
Estas adaptações ocorrem através de alterações
fisiológicas e impulsos nervosos que levam informações
para o organismo, para que este possa se adaptar às diversas
situações ambientais com um único objetivo, o
de garantir a sua sobrevivência.
Estas
adaptações fisiológicas demandam um certo período
de tempo que é determinado conforme a necessidade do organismo.
Um indivíduo não treinado que inicia uma atividade física,
não tem tantas fibras musculares quanto um indivíduo
já treinado. As fibras musculares vão aumentando conforme
a necessidade. Por isso, quando paramos uma atividade física
que fazíamos regularmente, percebemos com o passar do tempo,
uma hipotrofia muscular e resistência diminuída, pois
o organismo se adapta conforme a sua necessidade. Isto acontece por
uma questão de equilíbrio, para poupar energia e para
que possamos utilizar todas as nossas capacidades sensoriais e corporais
conforme o ambiente em que estamos inseridos.
Da mesma
forma, o organismo se adapta à temperatura ambiente. No calor,
sentimos mais sede do que propriamente fome, pois quando suamos em
função das altas temperaturas ou mesmo por praticar
uma atividade física, o corpo perde líquidos e, nestes,
água e sais minerais. O sistema nervoso envia então
mensagens de sede e sentimos vontade de consumir água, sucos
e frutas. Esta prioridade orgânica, muitas vezes, sobressai
sobre a fome, já que nosso corpo é composto por cerca
de 70 a 75% de líquidos, não podendo assim, deixar de
consumir água e sais minerais diariamente para não virmos
a óbito.
Se sentirmos
menos fome e mais sede, evitamos o consumo excessivo de alimentos
e conseguimos manter o nosso peso, mas isto não significa emagrecimento.
Apenas mantemos o nosso peso atual com maior facilidade pois sentimos
menos apetite. Agora, quando falamos de emagrecimento ou redução
de peso corpóreo, podemos dizer que o inverno é mais
que um aliado. Veja porque:
Em baixas
temperaturas ocorre uma adaptação fisiológica
diferente da que ocorre no verão. Com o frio, o corpo necessita
aquecer os órgãos internos, principalmente o pulmão
e o coração. Para isto o sangue concentra-se e circula
mais rapidamente nestas regiões centrais para poder promover
este aquecimento. Tanto isto ocorre, que nossas extremidades como
mãos e pés ficam mais frios e fazemos uso de isolantes
térmicos como meias, luvas e agasalhos para evitar a perda
de calor e nos mantermos aquecidos. Entretanto, para o organismo aumentar
o calor corporal, não é tão simples como parece,
já que ele necessita despender mais energia que o habitual
para haver este aquecimento, diferente do verão e de outras
estações do ano. Este gasto energético aumentado
faz com que o organismo gaste mais calorias e proporcione perda de
peso.
Na estação
do inverno as baixas temperaturas também provocam um aumento
no metabolismo basal, levando a um maior consumo de energia corporal
que auxilia o emagrecimento.
Então
por que aumentamos o peso corporal no inverno? Como disse no início,
o único objetivo do organismo em adaptar-se é manter
a nossa sobrevivência, e não é interessante para
ele perder reservas de gordura para não por em risco a saúde.
Para repor as calorias perdidas, envia sinais ao sistema nervoso central
que nos envia mensagens de fome e consequente aumento de apetite para
compensar as perdas calóricas, aumentando a necessidade de
alimentos mais quentes e calóricos para mantermos a temperatura
corporal e compensar o trabalho do organismo em manter seu equilíbrio.
É neste momento que precisamos estar atentos e ter atitudes
que nos levam a reduzir o peso corpóreo.
Quando
o organismo envia mensagem de aumento de apetite ele não nos
diz a quantidade em calorias, apenas a mensagem de fome. Por isso
precisamos tomar cuidado para não acabar ingerindo mais calorias
do que deveríamos.
Siga algumas dicas para emagrecer
com saúde e sem sentir fome:
No inicio do inverno é que ocorre o maior aumento de apetite
e este tende a se normalizar com o tempo, mas para não engordarmos
e emagrecermos, o primeiro passo é
manter as mesmas quantidades de alimentos que ingeríamos antes
do inverno, podendo até consumir alimentos diferentes, mas
nas mesmas quantidades;
Passo
2:
Não deixe de lado as saladas cruas, consuma-as antes e, se
possível, junto com os alimentos quentes. Assim sentirá
mais saciedade e as fibras das verduras auxiliarão na retirada
das gorduras dos alimentos, eliminado-as pelas fezes;
Passo
3:
Se
estiver com muita fome inicie a refeição com uma fruta
e se a fome persistir, consuma mais uma fruta após a refeição;
Passo
4:
Quando
for consumir alimentos típicos de inverno como chocolate quente
e pão de queijo, troque-os pelo lanche da tarde. É fundamental
manter a alimentação a cada 3 horas e não antes
disso. Já na famosa feijoada, valorize os seus acompanhamentos
(saladas cruas, cebola, salsinha, pimenta, laranja e couve). Consuma-os
em grande quantidade, pois assim consumirá os outros alimentos
mais calóricos em menor quantidade;
Passo
5:
Praticar uma atividade física regular (pelo menos 3x na semana)
faz aumentar o gasto metabólico basal e auxilia na redução
do peso, do estresse, da ansiedade e ainda melhora o humor;
Passo
6:
Aproveite
o inverno para consumir alimentos quentes como sopas e leites que
aumentam a saciedade e diminuem o tempo de esvaziamento gástrico;
Passo
7:
Consuma
água gelada em vez de temperatura ambiente, pois o organismo
queima calorias para equilibrar a temperatura da água gelada
à temperatura corporal;
Passo
8:
Antes
de sair de casa, programe-se para levar alimentos e poder consumi-los
entre as refeições. Tenha sempre à mão
lanches fáceis (2 damascos ou 2 castanhas do Pará, barra
de cereal ou 1 fruta);
Passo
9:
Quando
for consumir um alimento mais calórico, por exemplo, um chocolate,
consuma-o com várias e pequenas mordidas para que consiga mastigar
por mais tempo e assim ter maior saciedade;
Passo
10:
Se
sentir muita necessidade de doces, asse banana com canela no forno
e substitua pelo doce;
Passo
11:
Se
sentir necessidade de chocolate, prefira o meio amargo que reduz a
vontade de consumir chocolate;
Passo
12:
Quando
for fazer uma refeição fora de casa procure pensar:
“o que há de mais saudável nesta mesa que eu quero
consumir”;
Passo
13:
Procure a ajuda de um profissional nutricionista para orientá-lo
e acompanhá-lo para que você tenha sucesso garantido
no alcance dos seus objetivos. •
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Dra.
Ana Paula Souza
Nutricionista - CRN 2556
Formada
pela UEM em Educação Física,
Nutrição pelo Cesumar,
Especialista em Fisiologia Humana pela UEM,
Especializando em Nutrição Funcional pela Necpar.
Atua na Clínica de Nutrição Santé,
Santa Casa Saúde,
Clínica de Oncologia e Radioterapia Sant´ana
e é consultora de colégios particulares de Maringá
- P.R.
Mais
Informações:
Clínica de Nutrição Santé
Av. Cerro Azul, 217 - Zona 02 – Maringá – PR
Fone: (44) 3031.0802
E-mail: anapaula@clinicadenutricao.com.br
www.clinicadenutricao.com.br
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Matéria
publicada na Revista Classic Life
Edição
nº 15 - INVERNO - 2009
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