COLUNA
DE PSICOLOGIA - CLÍNICA
DRA. SIMONE ENGBRECHT
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Angústia, uma questão de tempo
Angústia,
um nó na garganta, um aperto no peito, uma sensação
de que o ar está escasso, um mal-estar generalizado... são
várias as tentativas de descrição desta sensação
em que faltam palavras. Uma sensação. Pode parecer
estranho que, no momento em que as transgressões e a violência
são banalizados pelo excesso e o amor seja transformado num
clichê, no momento em que todos parecem anestesiados pela
imagem, pareçam não sentir mais nada, por outro lado,
sintam tanto... sintam angústia.
A angústia
é uma dor da alma sentida na carne. Somos de carne e osso,
mas precisamos de alimento para nossa alma. Sentir angústia,
por um lado, é o preço de sermos humanos, diferentes
dos animais que não possuem fantasias, que não sonham.
Um joão-de-barro construirá sua morada sempre da mesma
forma. O ser humano se angustia porque sente desejo, sonha, sente
prazer. Entender que sentimos angústia porque possuímos
algo que pulsa em nós para vivermos além da sobrevivência
é fácil. Difícil é entendermos o que
torna a angústia insuportável, sem conseguir ser administrada.
Um sinal de
alarme, uma expectativa, essa é a definição
de angústia relacionada ao que conhecemos. Algumas vezes,
a angústia ocorre porque o passado dá sinais de que
está retornando. Qualquer sonho novo vai trazer lembranças
já vividas. Nosso passado nos situa em nosso presente, mas
quando ele não está suficientemente organizado em
nossa memória, ele nos angustia. Porque o passado precisa
ocupar um lugar apropriado em nossa vida. Quando isso não
acontece, ele nos impede de viver o presente. O passado fica re-sentido.
É como se um sinal de alarme, a angústia, tocasse
o tempo todo e impedisse a pessoa de escutar outros sons.
E a angústia
pode também acontecer quando o passado, a vida já
vivida, não situa o presente. É como se fosse um excesso
de presente, sem referências passadas para elaborar os acontecimentos.
Esta é a angústia traumática, também
evidente hoje pelo excesso de informações, de imagens,
de tragédias presenciadas. É como se estivéssemos
mais expostos ao cotidiano sem uma camada de proteção
suficiente. A angústia é sentida então, como
um vazio, como uma falta de sentido no que está sendo vivido.
Seja por viver
no passado ou no vazio de sua ausência, a angústia
dói. Todos querem livrar-se da dor. Porém, a pressa
em livrar-se dela pode ser prejudicial. A anestesia da droga pode
livrar alguém da dor, mas não libertar a pessoa de
uma prisão. Anestesiadas, as pessoas não sentem angústia,
mas também não sentem amor, não sentem alegria,
nem tristeza, nem mesmo um medo protetor. A vida fica banalizada.
Livrar-se da dor da angústia sem pressa é um desafio
na atualidade. Quando há pressa, o tempo parece um inimigo.
Tornar o tempo um aliado é o grande desafio.
O
sofrimento humano, há pouco mais de cem anos, encontrou uma
escuta. A escuta da Psicanálise. A Psicanálise faz
com que cada um possa se apropriar dos seus nós para desatá-los
e transformá-los em laços. Nos sentirmos vinculados
as pessoas, ao nosso trabalho, sem nos sentirmos prisioneiros é
um dos objetivos da Psicanálise. Somente quem conhece a si
mesmo pode encontrar a liberdade. A liberdade de administrar o tempo,
tornar o passado uma referência, o futuro um ideal e o presente,
verdadeiramente um 'presente'.
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Dra.
Simone Engbrecht ( Hotsite
)
Psicóloga
e Psicanalista
CRP 07/05555
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Matéria
publicada neste site: 23.10.2007
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