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CHOCOLATE:
VÍCIO OU TRATAMENTO?

Conheça curiosidades e dados importantes sobre o alimento mais popular do mundo


Melhor amigo da maioria das mulheres em momentos de aflição e ansiedade, o chocolate já faz parte da história da humanidade. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Balas e Derivados (Abicab), até o final de 2008 serão produzidas no país cerca de 340 mil toneladas do doce. Para se ter uma idéia de quanto o brasileiro é adepto ao chocolate, nas suas mais variadas formas de apresentação, seu consumo médio por ano é de 2,4 kg (metade do que um americano consome!). Porém, esse número representa a média já que, em São Paulo, por exemplo, o consumo chega a 3,8 kg por ano, enquanto em alguns estados do Norte não chega a 1 kg.

Gostar de chocolate é praticamente uma unanimidade. O maior problema está em não conseguir resistir ao delicioso sabor deste alimento, tornando seu consumo uma necessidade, quase um vício, uma compulsão. Os chamados “chocólatras” consomem chocolate, desmedidamente, num curto período de tempo chegando a sentirem os sintomas de abstinência na sua ausência. O impulso é incontrolável, mais forte que o raciocínio. Por isso, a quantidade de consumo acaba sendo impressionante, principalmente em momentos de depressão ou ansiedade. Para agravar este quadro, na falta de sexo o chocolate serve para conter a libido.

Entretanto, não existe nenhuma comprovação científica de que o alimento seja capaz de provocar vício. Pesquisadores tentam descobrir o que leva à essa evolução do quadro. Não se sabe ainda se a compulsão é provocada somente pela ação dos componentes do chocolate (como triptofano, xantinas, magnésio e teobromina, que estimulam a produção de serotonina, responsável pela sensação de prazer) ou se é algum aspecto da personalidade dessas pessoas que está necessitando de um prazer que o chocolate traz. Mas sabe-se que a maioria dos chamados chocólatras compulsivos apresentam problemas de depressão. Por enquanto o desejo controlável por chocolate parece ser apenas uma resposta do corpo para a combinação perfeita de seus nutrientes e características sensoriais, como a forma, a textura, o visual, além da sensação de prazer ao sentí-lo derreter na boca.

Um pouco da história do chocolate

Quem conhece o chocolate hoje nas mais diversas formas e variações de sabores não imagina que o início de sua história não foi nada doce. Não existe registro preciso sobre a data, mas sabe-se que os responsáveis por sua descoberta foram os mexicanos. O sabor inicial do alimento derivado do cacau era amargo, bem diferente do atual. Em matéria publicada no site Cyberdiet, a nutricionista Roberta Stella explica que os astecas preparavam uma bebida com especiarias chamada xocoatl, com grãos de cacau torrados, especiarias e mel. O cacau também era servido como uma pasta engrossada com farinha de milho, possivelmente o primeiro chocolate em barra. Este povo cultuava o deus Quetzalcoatl, que personificava a sabedoria e o conhecimento e foi quem lhes deu, entre outras coisas, o chocolate. Eles acreditavam que Quetzalcoatl trouxera do céu para o povo as sementes de cacau, que também servia como moeda. Festejavam as colheitas oferecendo às vítimas de sacrifícios taças de chocolate.

Posteriormente, quando Cristóvão Colombo chegou à América provou a delícia e a levou para sua terra natal. Entretanto, apesar de saboroso, não era a bebida agradável de hoje. Era bastante amarga e apimentada. As tribos da América Central geralmente o preparavam misturando com vinho ou com um purê de milho fermentado, adicionado com especiarias, pimentão e pimenta. Naquela época, o chocolate era reservado apenas aos governantes e soldados, pois acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, ele dava força e vigor àqueles que o bebiam.

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Revista Classic Life
Reportagem por Sabrina Gisele Becker
Jornalista - Mtb 13261


* Matéria publicada na Revista Classic Life
Edição nº 12 - AGO/SET/OUT - 2008

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