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ESPUMANTES:
PRAZER E CHARME EM UMA TAÇA



Herdeiro do glamouroso champagne, originário da região de mesmo nome na França, o espumante está cada vez mais presente na mesa do brasileiro. E para quem não sabe, a qualidade da produção nacional da bebida vem surpreendendo em todo o mundo. Conhecida como tradicional produtora dos chamados vinhos tranqüilos por especialistas no assunto, a região serrana do Rio Grande do Sul despontou também como propícia para o cultivo de uvas com ótima acidez, ideais para os espumantes. O Rio Grande do Sul é atualmente o principal produtor do país, sendo responsável por 90 % da produção total. Dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) apontam que o estado gaúcho comercializou no ano de 2008 (até setembro) aproximadamente 4,5 milhões de litros da bebida, num aumento de 22,07 % em relação ao mesmo período de 2007. Apesar de ser popularmente utilizado apenas em ocasiões especiais, como reveillon, formaturas e casamentos, o espumante pode ser bebido em diversos momentos. Mais ainda no verão, seu frescor, alegria e jovialidade combinam perfeitamente com os dias quentes do ano.

Produção

Assim como seus precursores, os espumantes demandam um cuidadoso e delicado processo de produção, cujo sucesso do resultado final depende da qualidade da safra da uva e das demais etapas. Na verdade o espumante nada mais é do que um vinho comum que sofreu uma segunda fermentação para a produção de gás carbônico na bebida, criando as famosas e charmosas “bolhas”. No Brasil este processo é regulamentado por lei.

Para a elaboração da bebida podem ser utilizados dois métodos. O Charmat é um procedimento de porte industrial que foi desenvolvido para simplificar a elaboração de espumantes, obtendo maiores volumes e reduzindo muito os custos de produção. Já o método Champenoise foi desenvolvido na França, na região de Champagne, que deu o nome a este vinho tão especial.

De acordo com a enóloga Franciele Carraro, do portal Via Del Vino, somente nas cidades francesas de La Marne, L’Aub, L’Aisne, Haut-Marne e Seine-Marne pode-se usar essa denominação para a bebida. “As outras regiões acabaram optando por outras nomenclaturas, apesar de utilizarem praticamente o mesmo processo. Na Espanha usa-se o nome Cava, na Itália Proseco e Asti, na Alemanha Sekt, Champañe na Argentina, Sparkling Wine nos Estados Unidos e, no Brasil, Espumante”, completa. Também existe o vinho moscato espumante ou moscatel espumante, cuja fermentação é feita em recipiente fechado (auto claves), de mosto conservado da uva moscatel. Por fim, temos o Chaussepied. “É um método pouco utilizado pela complexidade dos equipamentos a se utilizar na elaboração, e todos processos ocorrem em um grande recipiente”, detalha a enóloga.

Tipos para todos os gostos

Para a alegria de quem aprecia a boa mesa, existem infinidades de opções de espumantes, que podem variar muito em estilo, corpo, complexidade e frescor. Por isso é importante saber escolher e adequar a bebida à ocasião, gastronomia e preferência dos convidados. Os espumantes diferem-se principalmente pelo processo utilizado na elaboração, destacando-se o fato de que nos naturais o processo de fermentação para aumento do gás carbônico intensifica as sensações aromáticas, diminui o sabor doce e aumenta a sensação de amargo. Quanto à cor os espumantes podem ser tinto, rosé ou branco. Já quanto ao teor de açúcar classificam-se por Extra Brut, Brut natural, Brut, Demi-sec, Suave e Doce. A enóloga Franciele salienta que a coloração dos espumantes é de suma importância na avaliação do mesmo, juntamente com as borbulhas. “Os espumantes mais jovens, em sua maioria, tendem a ostentar cores mais claras e brilhantes, ao envelhecer passam a colorações mais escuras, o que geralmente pode indicar que já entrou em sua fase de declínio”, explica.

Harmonização gastronômica

A enóloga do Via Del Vino detalha que o espumante é uma bebida leve e elegante que pode ser servida sozinha para ser apreciada em sua totalidade. “O brut é ideal como aperitivo e acompanha bem pratos ligeiros, frios a base de peixe ou carnes brancas, um demi-sec é companheiro de sobremesas, bolos e doces”, resume.

Para a harmonização com a gastronomia, os mais indicados são os espumantes rosés, que são menos cítricos do que os brancos e que têm como importante característica sua estrutura gustativa, já que são mais complexos, têm mais corpo e um leve tanino. Sua forte vocação gastronômica deve-se a sua versatilidade, podendo ser apreciados desde recepções até o acompanhamento de pratos completos. Mais suaves, também são encontrados os espumantes roses doces, que combinam melhor com sobremesas.

Os Espumantes Brut são secos e ideais para acompanhar petiscos, pratos frios, entradas, peixes e frutos do mar. Já os espumantes de qualidade superior, em especial o champagne, são indicados para diferentes ocasiões, porém não para acompanhamento de pratos principais ou mais elaborados. Entretanto podem ser apreciados como aperitivos e acompanhando até sobremesas. Também combinam com todos os tipos de queijo.

Dicas da Enóloga

Na análise visual da espuma observa-se principalmente:

 Seu tamanho, pois quanto menor a circunferência das bolhas de gás que se desprendem, melhor.

 Sua persistência, que é o tempo no qual as borbulhas ficam desprendendo-se da taça. Quanto maior melhor, o movimento delas deve permanecer enquanto consumido, pois são elas que garantem vitalidade ao espumante.


Modo de servir

 Manter a temperatura entre 4 e 6 graus, garantida com o armazenamento durante uma tarde na geladeira. Entretanto, para manter a garrafa fresca durante o consumo basta colocar água fria num balde e algumas pedras de gelo (suficiente para que derretam lentamente).

 Ideais para servir espumantes são as tradicionais taças longas (flautas). Para servir deve-se sempre utilizar a técnica de dois estágios. Primeiro serve-se um fundo de aproximadamente 2 centímetros para resfriar a taça e em seguida completa-se com mais dois terços de bebida.

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Mais informações:
www.viadelvino.com.br
www.academiadovinho.com.br


Revista Classic Life

Reportagem por Sabrina Gisele Becker
Jornalista - Mtb 13261


* Matéria publicada na Revista Classic Life
Edição nº 13 - NOV/DEZ/JAN - 2009

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