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DESEMBARCANDO
A TRISTEZA

O QUE ESTE LIVRO PODE FAZER POR VOCÊ?



Neste livro você encontrará o real caminho para a felicidade. Como? Através da tristeza? Sim, esta é a minha proposta. Só conhecendo muito bem o inimigo poderemos vencê-lo. Precisamos conhecer nossas próprias tristezas, descobrir como elas são geradas, como as cultivamos e fazemos crescer, podendo torná-las até uma doença. Caso você não saiba, a tristeza pura não é uma doença. O que a torna nefasta e eternamente dolorosa é a sua transformação em melancolia e depressão. Estas, sim, são doenças. Portanto, a tristeza não é, em realidade, o nosso verdadeiro inimigo. Temos de encará-la apenas como um incômodo companheiro de viagem, pois todos teremos de experimentar tristezas durante a vida, mas sempre sobreviveremos a elas. Talvez mais enriquecidos e com mais valor, pois esta é a grande qualidade da tristeza: ela nos confere um prêmio por termos aceitado a sua companhia. Após convivermos com ela, tornamo-nos inevitavelmente mais maduros e mais sérios. Quando estou triste, significa que estou me tornando sério. Já a doença depressiva é o real inimigo, que nos fragiliza e abate, podendo até mesmo nos levar à morte.

O que você pode esperar deste livro
O que posso lhe prometer é conduzi-lo pelos caminhos da tristeza, desvendando seus mistérios, seu lado poético e encantador (sim, ela tem também esse lado). Você conhecerá sua própria tristeza, como ela o assalta e como você pode transformá-la em uma amiga domada. Infelizmente, devo mostrar-lhe também os caminhos da doença, que são desvios da estrada da tristeza. Devo mostrar-lhe esses desvios para que você evite tomá-los ao longo de sua vida e conheça claramente os perigos que eles ocultam.

Assim, conhecendo suas tristezas e sabendo administrá-las, você estará muito perto do caminho da felicidade e poderá trilhá-lo com a alegria de quem reencontra um velho conhecido. Pois, sem dúvida, fomos feitos para a felicidade, dela viemos e para ela devemos voltar. Este é apenas um guia prático para se chegar lá mais rápido.

Nasci triste ou aprendi a ser triste?
Esta é uma pergunta que se impõe. Alguns de nós são mais tristes do que outros? Já nascemos tristes? A tristeza é inevitável? Podemos construir nossa felicidade em cima das tristezas que vivemos no passado?

Na infância somos todos só alegrias porque não sabemos ainda reconhecer os motivos para a tristeza. Essas fotos terríveis que circulam pelos jornais do mundo com crianças brincando no lixo são o exemplo da magia infantil que sabe criar alegrias onde elas não parecem existir.

O olhar da criança dispõe de um filtro poderoso que faz uma caixa de fósforo tornar-se um enorme caminhão e dois paus de picolé cruzados assumirem a forma de um grande avião de passageiros. O filtro da criança está em seu cérebro, todos nascemos com ele. Depois, ao longo da vida, a dura realidade vai destruindo esse filtro, como uma vidraça atingida em câmera lenta pela pedra de um estilingue. Alguns de nós nos tornamos peritos em inverter a ação desse filtro e passamos a considerar a vida uma grande tristeza.

Definitivamente, não nascemos tristes. Aprendemos ao longo da vida a cultivar a tristeza e transformá-la em uma forma de viver. Tristeza vira hábito. Freqüentemente nós, adultos, esquecemos a felicidade natural da criança primitiva e elaboramos uma armadilha para nos apropriarmos da felicidade. Temos a sensação de que, aprisionando a felicidade em nossas mãos, a teremos para todo o sempre. Engano, puro engano. A felicidade só existe se estiver livre para voar e pousar sobre o galho mais viçoso da árvore. Ela evita galhos secos. Deixa de existir na hora em que a aprisionamos.

A felicidade é um pássaro arisco sensível a pequenos movimentos. Espanta-se facilmente e voa para longe. Preparar a árvore de nossa vida para receber o pássaro felicidade em galhos viçosos e cheios de vida: essa é a árdua tarefa do dia-a-dia. Pelo resto de nossas vidas. Mas também é uma ciência a ser aprendida.

“Lembre-se: para desembarcar a tristeza, é importante domesticar o selvagem.”

O mais impressionante, no entanto, é a facilidade com que aprendemos a ser tristes e o longo caminho que a felicidade nos exige percorrer para encontrá-la.

A sabedoria está em somar nossas tristezas e transformá-las em um degrau para a nossa felicidade.

Vasculhar nossa cabeça em busca do filtro de nossa infância, buscar em cada minuto sua dose de alegria, ver positivamente o mundo e a vida ao nosso redor é a grande lição a ser aprendida todos os dias.

O selvagem que habita nossa alma
Ouvi de um bom psicanalista que cada um de nós tem seu selvagem interior. Fico imaginando um daqueles feiosos aborígines australianos que pioram ainda mais a sua triste figura cobrindo-se de galharias. Esse é o selvagem que habita nossa alma. Ele é atento, está sempre à espreita, sua jaula tem tranca por dentro, ele mesmo a comanda. Nosso selvagem está sempre à espera da oportunidade do ataque. Às vezes ataca o motorista do carro ao lado, no trânsito; outras vezes salta sobre o colega de trabalho ou, em casa, sobre a mulher ou o marido. Nosso selvagem é incansável. Não perde oportunidades. O clima de insatisfação que ele gera pode durar dias, até semanas. E inevitavelmente deixa marcas. Nosso selvagem é uma fábrica de mágoas... Ele termina por atingir-nos fisicamente, e só então sossega: quando nos vê definitivamente na horizontal, tomando a carona derradeira para a última morada.

Nosso selvagem é indestrutível, mas pode ser domesticado. Pode ser a tarefa de uma vida. Mas é a única solução: domesticar o selvagem para evitar uma trilha de mágoas e tristezas.


Livro:
Desembarcando a tristeza,
de Fernando Lucchese
184 páginas - Volume 737
da Coleção L&PM POCKET


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Dr. Fernando Antônio Lucchese
Cirurgião Cardiovascular - CRM 4855

Diretor do Hospital São Francisco de Cardiologia da Irmandade da
Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Livros publicados:
Pílulas para Viver Melhor; Pílulas para Prolongar a Juventude; Comer
Bem, Sem Culpa (com Anonymus Gourmet e Iótti); Desembarcando
o Diabetes; Viajando com Saúde; Desembarcando o Sedentarismo
(com Claudio Nogueira de Castro); Desembarcando a Hipertensão; Desembarcando o Colesterol (com a sua filha Fernanda Lucchese); Dieta
Mediterrânea (com Anonymus Gourmet); Fatos & Mitos; e, Confissões &
Conversões (25 regras para o tempo de mudar).

Mais informações:
Rua 24 de Outubro, 650 - cj. 501
Moinhos de Vento - Porto Alegre - RS - Brasil
Tel.: 51 3222-3595 | 51 3222-7116

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* Matéria publicada na Revista Classic Life
Edição nº 13 - NOV/DEZ/JAN - 2009

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