
ENTENDENDO O SISTEMA NERVOSO
E SUAS DOENÇAS
por
Dr. Leandro Infantini Dini
“Não
basta apenas reconhecer o problema e buscar ajuda.
Tão ou mais importante do que isso é saber que há
formas de prevenção.”
O que é a neurologia
e a neurocirurgia?
A neurologia é a área da medicina que estuda o funcionamento
e as doenças que afetam o sistema nervoso. A neurocirurgia
é a especialidade irmã da neurologia e que se utiliza,
além de medicamentos, de procedimentos cirúrgicos para
obter diagnóstico e oferecer tratamento de certas doenças
que afetam também o crânio, a coluna, o encéfalo
(“cérebro”), a medula e os nervos. As doenças
neurológicas são muito frequentes e muitas vezes trazem
alguma incapacidade (sequela) com limitações temporárias
ou permanentes. Quem já não ouviu falar de alguém
com traumatismo craniano, derrame, lesão da coluna, Doença
de Parkinson, Doença de Alzheimer e Esclerose Múltipla?
Às vezes esses nomes podem parecer estranhos ou distantes,
mas são todos referentes a doenças neurológicas
realmente comuns. Para se ter uma idéia, o “derrame”
(corretamente chamado Acidente Vascular Encefálico) é
uma das principais causas de mortalidade no Brasil e é a principal
causa de alguma incapacidade (sequela). O trauma (inclui-se o traumatismo
de crânio) é a principal causa de morte ou sequelas em
jovens. A ocorrência da Doença de Alzheimer, a causa
mais comum de demência, tende a aumentar na população
quanto maior idade as pessoas vão alcançando.
Existe uma crença de que as doenças neurológicas
são graves e em todas há poucas chances de melhora,
mas como em muitas áreas médicas, há também
casos mais ou menos graves e, em geral, com maiores chances de resolução
se reconhecidas e tratadas adequadamente.
Como as principais doenças neurológicas afetam o sistema
nervoso? Como reconhecê-las?
Assim como alguém desconfia que uma dor repentina no peito
após um esforço pode ser um problema no coração
e procura um cardiologista, os sintomas neurológicos devem
ser genericamente reconhecidos por todos para que se procure o atendimento
adequado. O sistema nervoso pode ser afetado por uma grande variedade
de doenças. Apesar de causas diferentes, a maioria das manifestações
de uma doença neurológica (sinais e sintomas) é
causada pela alteração da função normal
do sistema nervoso, que pode ser atingido pela doença em uma
parte localizada ou mesmo difusamente. Por exemplo, se a área
do cérebro responsável pelo comando do movimento do
corpo for atingida por um tumor ou hemorragia, o sinal será
semelhante: perda da força e redução do movimento
na metade contrária do corpo. Um estado de paralisia e diminuição
de sensibilidade da região da “cintura para baixo”
sugere um problema grave na medula espinhal, não importando
se a causa for um traumatismo ou um tumor. Se a pressão dentro
do crânio está aumentada e o cérebro está
sendo comprimido por um coágulo, acúmulo do líquido
produzido dentro do cérebro (hidrocefalia), inchaço
(edema) ou tumor, o doente pode igualmente apresentar dor de cabeça,
vômitos e sonolência.
Apesar da importância de as pessoas serem capazes de reconhecer
os sinais e sintomas causados por doença no sistema nervoso,
é papel do médico, especialmente do neurologista, confirmar
as suspeitas disso e avaliar o real significado e gravidade.
Sintomas que indicam um problema neurológico
• Alterações do movimento e/ou da sensibilidade
em uma parte ou na metade do corpo;
• Dor de cabeça, particularmente intensa e súbita;
• Desmaio;
• Dificuldade para falar e/ou entender;
• Alteração da visão, como visão
dupla ou dificuldade para enxergar;
• Tontura, alteração do equilíbrio;
• Confusão;
• Náusea/vômito, dificuldade para engolir;
• Perda de coordenação motora.
Melhor prevenir do que remediar
Algumas doenças neurológicas têm sido tema de
programas especiais de prevenção e reconhecimento por
parte da população. Não basta apenas reconhecer
o problema e buscar ajuda. Tão ou mais importante do que isso
é saber que há formas de prevenção. A
seguir, apresentamos alguns exemplos principais:
Acidente Vascular Encefálico (AVE)
O AVE é popularmente conhecido como “Derrame Cerebral”.
Ele ocorre quando há interrupção súbita
do suprimento de sangue com nutrientes e oxigênio para o encéfalo.
Isso causa perda súbita da função neurológica
da região acometida, podendo causar lesões temporárias
ou permanentes. Há dois tipos de AVE: o isquêmico, que
é o mais comum e é resultado
da obstrução de um vaso sanguíneo que irriga
o encéfalo (semelhante ao que ocorre no infarto do coração)
e o hemorrágico, que ocorre devido à ruptura de um vaso
sanguíneo, causando sangramento dentro ou ao redor do cérebro.
O AVE pode ocorrer a qualquer hora, subitamente; daí o nome
“acidente”. Como todo acidente, podemos tentar preveni-lo
evitando-se ou reconhecendo-se alguns dos chamados “fatores
de risco”:
1. Controlar a hipertensão arterial;
2. Parar de fumar;
3. Reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas;
4. Melhores hábitos alimentares, com controle do colesterol
e do peso;
5. Realizar atividades físicas regulares;
6. Controle do diabete.
Pacientes idosos, aqueles com AIT (Acidente Isquêmico Transitório
ou “ameaça de derrame”), com doença cardíaca
e AVE prévio devem realizar acompanhamento médico.
Trauma
O Trauma em geral deve ser entendido como um problema de saúde
pública, uma doença como qualquer outra, com seus fatores
de risco, epidemiologia (dados estatísticos), manifestações
clínicas, tratamento, prevenção etc. O Traumatismo
Cranioencefálico (impacto na cabeça) e o Traumatismo
Raquimedular (lesão na medula e na coluna) são comumente
causados por acidentes de trânsito, agressões, quedas
etc. Devem-se evitar algumas situações que aumentam
o risco desses acidentes acontecerem, como, por exemplo, mergulhar
“de ponta”, andar de moto sem capacete, andar de carro
sem cinto-de-segurança, sem apoio da cabeça e em alta
velocidade, andar em altura (telhados, construções,
etc) sem equipamentos de segurança, envolver-se em brigas.
Malformações do sistema nervoso
Os mais comuns defeitos congênitos do sistema nervoso são
devido a defeitos do fechamento do chamado tubo neural, que é
uma parte do corpo do feto em formação. Essas malformações
incluem a anencefalia (a não formação do cérebro),
a espinha bífida (malformação da coluna lombar),
as mielomeningoceles (uma protusão da medula espinhal através
da coluna e da pele) e a hidrocefalia (acúmulo excessivo de
líquido em cavidades internas do cérebro chamadas ventrículos).
Estudos científi cos realizados mostram que o consumo de Ácido
Fólico pela gestante protege de forma signifi cativa contra
as malformações do tubo neural. Todas as mulheres que
planejam engravidar ou já são gestantes devem ingerir
essa vitamina do complexo B, que normalmente é encontrada em
vegetais de folhas verdes como o espinafre e no suco de laranja. •
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Dr. Leandro Infantini Dini
Neurocirurgião – CRM 21.947
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Coluna (SBC).
Membro da Academia Brasileira de Neurocirurgia (ABNc).
Fellowship no Toronto General Hospital, University of Toronto. Toronto,
Canadá, junho de 2001;
Fellowship no Serviço de Neurocirurgia da University of Arkansas
for Medical Sciences (UAMS)
sob tutoria do Dr. Ossama Al-Mefty e Dr. M. G. Yasargil. Little Rock,
Estados Unidos, junho a agosto de 2006;
Fellowship no Serviço de Neurocicurgia da Universidade de Tubingen,
Alemanha, julho de 2009;
Mestrando em Neurociências pela Faculdade de Medicina da PUC/RS.
Mais informações:
Rua São João, 1013
Centro - São Leopoldo/RS
Fone: 51 3589.4426
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
*
Matéria
publicada na Revista Classic Life
Edição
nº 16 - PRIMAVERA - 2009
<< Voltar