Classic Life Medicina
 

  









DOENÇAS VASCULARES:
A prevenção é o melhor remédio









Boa parte das doenças vasculares não apresenta sintomas e, se não for tratada, pode ser cruel. Os aneurismas, que atingem mais de 5% da população acima dos 60 anos, podem ser definidos como uma dilatação localizada e permanente da parede arterial maior do que 50% do seu diâmetro normal. O que a maioria das pessoas não sabe é que esse problema afeta mais homens do que mulheres, numa proporção assustadora de quatro homens por uma mulher. Não se pode afirmar a causa dos aneurismas, mas um ponto comum é a degeneração das fibras da parede arterial que ocorre com a idade.

Mas o aneurisma da aorta abdominal é um tema de suma importância e exige um alerta de toda população, pois geralmente não provoca sintomas. O paciente até pode sentir uma pulsação anormal no abdômen, o que pode ser confundido com outras doenças mais amenas ou mesmo uma simples indisposição, mas na maioria dos casos não há sintoma algum.

Quando um paciente chega ao consultório sentindo dor abdominal de início agudo e de forte intensidade, é possível que o aneurisma já esteja em processo de rotura. É nesse ponto da doença que um dado assusta: a rotura do aneurisma se associa com mortalidade em cerca de 80% dos casos. Esse índice é muito alto e se dá porque a maioria dos brasileiros resiste ao procurar seu médico, fazer exames de rotina e, com isso, praticar a prevenção.

Quando o aneurisma é operado antes da ruptura, a mortalidade baixa consideravelmente ficando entre 1 e 5% dependendo, claro, das condições gerais de saúde do paciente. Quando se descobre um aneurisma, o paciente passa a fazer um acompanhamento médico e a necessidade do processo cirúrgico vai depender do tamanho da dilatação da aorta. Na cirurgia, nós colocamos uma espécie de enxerto, uma prótese de material sintético, bem aceita pelo organismo (biocompatível), substituindo a porção doente. No caso da endoprótese, na cirurgia endovascular, a colocação é feita dentro do aneurisma, excluindo-o da circulação. O paciente, depois de operado, pode levar uma vida quase normal, precisará somente manter o acompanhamento médico. Já quando o aneurisma rompe, ocorre uma hemorragia interna e o paciente precisa ser imediatamente levado ao hospital e submetido à cirurgia.

A gravidade da doença não deixa dúvidas de que o melhor remédio ainda é a prevenção. Por isso, a população precisa ter consciência de que alguns hábitos são fundamentais para uma vida saudável. Os cuidados vão desde consumir alimentos leves como frutas e verduras, evitar gorduras, comidas artificiais e alimentos a base de amido e açúcar, não fumar e praticar exercícios regularmente.

Se considerarmos todas as doenças vasculares, é importante salientar que dentre os fatores de risco mais altos está o sedentarismo. E quando eu me refiro aos exercícios, não estou falando somente de academias e corridas, uma simples caminhada no parque já traz um resultado efetivo na prevenção das doenças arteriais. As pessoas com mais idade, por exemplo, podem aderir também à hidroginástica, que tem uma movimentação interessante da circulação.

Mas o importante, em relação aos aneurismas, é sempre controlar a pressão arterial. Uma pressão arterial controlada e estável é sempre recomendável. Quando houver qualquer alteração dessa medida, é necessário procurar um médico.

Portanto, o controle da pressão, o combate ao sedentarismo e à obesidade contribui para reduzir a chance das doenças vasculares, mas ir ao médico regularmente também é de fundamental importância. As pessoas precisam perder o medo de procurar um especialista para fazer os exames que detectam essas doenças arteriais, pois quanto mais cedo elas forem descobertas, menos agressivo será o tratamento. Quem tem mais de 60 anos deve fazer os exames clínicos e ecográficos a cada ano. Para quem tem histórico familiar de AAA, as investigações devem começar a partir dos 40 anos.

Pensando nas urgências dessa e outras doenças, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular – Regional Rio Grande do Sul (SBACV-RS) lançou a campanha “Mantenha-se em Circulação”, que terá duração de um ano e irá desenvolver palestras, peças gráficas, materiais informativos, notas e outras ações para divulgar formas de prevenção de problemas graves como varizes, doença arterial periférica, trombose e o aneurisma.

A ideia é justamente conscientizar essa parcela grande da população que não faz seus exames regularmente. É sempre importante lembrar que qualquer doença quando detectada em fase inicial tem maior chance de cura. O medo de descobrir alguma dessas doenças faz com que muitas pessoas prolonguem a ida ao consultório.

Por isso nós convidamos cada um dos gaúchos a contribuir com nossa proposta, seja na divulgação com os vizinhos, familiares e amigos ou mesmo no cuidado com sua própria saúde. Essa campanha vem mostrar à população que enfrentar os medos e anseios é muito mais fácil que se deparar com alguma doença vascular.


Sintomas


Geralmente esses aneurismas são assintomáticos. Por ser uma artéria muito profunda no abdome, somente dá sintomas ou quando está muito dilatada ou quando começa apresentar complicações.

Fique atento:

- Sensação de que há um “coração na barriga” por uma pulsatilidade exagerada da aorta (por estar dilatada), é o sintoma mais frequente.

- Dor lombar por compressão do aneurisma na coluna vertebral lombar pode ser sinal de corrosão dos ossos pela dilatação da artéria.

- Sinais de isquemia (falta de circulação), com pontos arroxeados na pele, por microembolização dos dedos dos pés é outro sintoma possível.

Tratamentos


Observação e acompanhamento


Alguns aneurismas são descobertos com um diâmetro (tamanho) pequeno. Uma aorta normal tem, em média, 2 cm de diâmetro no abdome. A indicação cirúrgica é recomendada quando o aneurisma adquire aproximadamente 5 a 5,5 cm de diâmetro. Até essa medida, podemos acompanhá-lo atenciosamente com ultrassom semestral.

Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico do aneurisma aórtico abdominal existe há aproximadamente 50 anos e evoluiu muito até hoje. Trata-se da substituição do segmento aórtico dilatado por uma prótese tubular ou bifurcada. É uma cirurgia de grande porte, feita por uma incisão abdominal, necessitando de internação habitual por 5 a 7 dias em média, com pelo menos 1 dia em unidade de terapia intensiva.

Tratamento Endovascular

Essa técnica consiste no implante de uma prótese aórtica sem incisões abdominais e, dessa forma, menos invasiva. É introduzido, através de cateteres, pelas artérias femorais (na virilha) tubos por onde o sangue da aorta vai passar. O controle do implante é feito com raio X. Apesar de ser uma técnica com índices de mortalidade e complicações operatórias até 30 dias menores que a cirurgia tradicional, ainda pode ser considerada uma técnica em constante evolução e aprimoramento.




. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Dr. Adamastor Humberto Pereira
Cirurgião Vascular e Angiologista
CRM 6537

Professor Associado da UFRGS, Hospital de Clinicas de Porto Alegre;
Mestre e Doutor em Cirurgia;
Presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular Regional/RS.

Mais Informações:

Fone: (51) 3311.6624
E-mail: adahpereira@yahoo.com.br

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .


* Matéria publicada na Revista Classic Life
Edição nº 18 - OUTONO - 2010

<< Voltar

 
 

*** O conteúdo publicado neste site possui caráter meramente informativo. As informações aqui publicadas não devem ser usadas para a execução de diagnósticos, procedimentos ou tratamentos sem prévia orientação médica. Consulte sempre o seu médico.***
..
Copyright © Desde 2001 Revista Classic Life • Todos os direitos reservados www.classiclife.com.br