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A ANTICONCEPÇÃO E SEU IMPACTO SOCIAL
  
Há 50 anos, dia 15 de outubro de 1951, foi sintetizada a primeira substância química usada como anticoncepcional.
Após inúmeros experimentos, seu uso foi liberado pelo FDA (Food And Drug Administration – EUA) em 1960. Poucos descobrimentos químicos tiveram impacto tão grande na sociedade. Apoiada por muitos, desaprovada por outros, a “pílula” permitiu à mulher administrar sua vida pessoal e sua carreira profissional. A reprodução passou a ser uma opção, e não uma obrigatoriedade biológica, uma vez que se apresentava um método anticoncepcional seguro e confortável.

 

A pílula, contribuindo para o planejamento familiar freia o crescimento demográfico, mas não é uma panacéia para os problemas socioeconômicos. A educação, o sanitarismo e os cuidados básicos de saúde continuam fundamentais para o bem estar da população.

 

Os anticoncepcionais hormonais, que contêm hormônios semelhantes aos sintetizados pelo nosso ovário, os estrógenos e a progesterona, funcionam basicamente bloqueando a ovulação, diminuindo o muco e afinando o endométrio.

 

Ao longo dos anos as formulações foram reduzindo a dose dos estrógenos de 150 mcg até as atuais, as micropílulas, de 20 mcg, estando por entrar no mercado as de 15 mcg.. Igualmente foram sintetizados novos progestógenos, mais potentes em menor dosagem, com menor efeito androgênico e menos efeitos colaterais.

 

Os anticoncepcionais hormonais podem ser usados via oral, intra-muscular, ou em implantes. Podem ser de formulação combinada, contendo estrógeno e progesterona, como são a maioria dos utilizados por via oral ou intra-muscular mensal.

 

Quando existe contra indicação para o uso de estrogênios, como no período de amamentação, antecedentes de doença trombo-embólica, doença hepática, podemos optar por formulações contendo apenas progestógenos. São as minipílulas, em via oral contínua ou intra-muscular, ou em implantes.

 

Os anticoncepcionais contendo apenas progesterona, principalmente as de nova geração, não possuem maiores contraindicações, embora não ofereçam um controle tão efetivo do ciclo, podem ocorrer sangramentos esporádicos ou alterações de humor.

 

Recentemente novos produtos foram colocados à nossa disposição.

 

Surgiu uma pílula combinada com 30 mcg de estradiol em embalagem de 28 comprimidos, para uso contínuo, para aquelas mulheres que não desejam menstruar. Também de uso oral contínuo, uma pílula de minidosagem de progesterona de nova geração, com possibilidade de supressão de menstruação.

 

Outra opção é a chamada endocepção, um Dispositivo Intra Uterino impregnado com progesterona, com boa efetividade anticoncepcional e redução de fluxo menstrual, com durabilidade de 5 anos. Igualmente eficazes são os implantes subdérmicos (no antebraço) de pequenos bastões de progesterona, de liberação lenta com durabilidade de 3 anos.

 

Temos hoje à nossa disposição inúmeros métodos anticoncepcionais, além dos hormonais, ainda os mecânicos e os de barreira, como o DIU ou preservativo. É necessário individualizar, respeitando condições de saúde, disciplina e desejo de cada mulher.


Dra. Nora L. Schneider

CREMERS 11.131 – Ginecologia e Obstetrícia
Novo Hamburgo/RS - Fone: (51) 3593.5641

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