Alzheimer
_ pg. 2
O
diagnóstico da doença de Alzheimer
Não há um teste específico que estabeleça
de modo inquestionável a presença da doença.
Em geral, a doença de Alzheimer tende a ser subdiagnosticada.
Isto se deve ao fato de que tratamentos específicos até
mesmo de eficácia moderada começaram a aparecer há
pouco tempo. Um outro fator pode ser a aceitação da
demência como conseqüência normal do envelhecimento.
Em muitos países, o diagnóstico da doença de
Alzheimer ainda carrega um estigma. Estima-se que nos EUA o número
de casos de doença de Alzheimer seja de 4 milhões, mas
somente 300 mil se consultam por ano. Na Alemanha, acredita-se que
haja 700 mil casos, dos quais somente a metade é diagnosticada.
No Reino Unido estima-se 600 mil casos, mas somente 150 mil são
diagnosticados.
No Brasil não há um dado estatístico oficial,
mas as previsões variam entre 400 mil a um milhão de
casos de doença de Alzheimer.
Espera-se que aconteça o mesmo que com outras doenças
no passado, como hipertensão, asma, hiperlipidemia, etc., onde
o aparecimento de terapias eficazes levou a uma maior preocupação
com melhores diagnósticos.
O diagnóstico certo só pode ser feito por exame do tecido
cerebral obtido por biopsia ou necropsia. Desse modo, o diagnóstico
provável é feito excluindo-se outras causas de demência
(depressão e perda de memória associada à idade),
exames de sangue (hipotireoidismo, deficiência de vitamina B),
tomografia ou ressonância (múltiplos infartos, hidrocefalia)
e outros exames.
Existem alguns indicadores, geralmente identificados a partir de exame
de sangue, como a apolipoproteina E (APOE), cujos resultados podem
mostrar chance aumentada da doença de Alzheimer, e são
úteis em pesquisa, mas não servem para diagnóstico
individual.
É claro que isso não impede que indicadores mais sensíveis
venham a surgir no futuro.
Tratamento
O tratamento da doença tem dois aspectos :
O primeiro, que trata de alterações de comportamento
como agitação e agressividade, do humor como a depressão,
que não devem ser feitos apenas com medicação,
mas também com orientação de diferentes profissionais
da saúde.
O segundo, é o tratamento específico com drogas que
podem corrigir o desequilíbrio químico no cérebro
como a Tacrina, Revastigmina, Donepezil, Metrifonato, Galantamina,
etc...
Este tratamento funciona melhor na fase inicial da doença e
o efeito é temporário, pois a doença de Alzheimer
continua progredindo paulatinamente.
O tratamento da doença de Alzheimer exige a coordenação
de vários fatores e pode envolver profissionais de várias
especialidades, bem como familiares e amigos. Os objetivos do tratamento
estão resumidos abaixo:
melhorar ou modificar o processo evolutivo da doença,
tornando o declínio cognitivo mais lento;
fazer o paciente ser capaz de lidar, o melhor possível,
com as atividades da vida diária, com o máximo de independência
possível. Otimizar a qualidade de vida do paciente e garantir
a sua segurança e a dos outros;
controlar ou melhorar os sintomas não-cognitivos associados,
como por exemplo a agitação, ansiedade, depressão
e agressividade;
manter o tratamento apropriado de doenças concomitantes.
Durante os primeiros estágios da doença de Alzheimer,
a maioria dos pacientes será cuidada em sua própria
casa. Neste estágio, o trabalho com o cuidado recai sobre a
família, normalmente a pessoa mais próxima fisicamente.
Muitos outros necessitam de especialistas, por exemplos enfermeiras
da comunidade, terapeutas ocupacionais e outros profissionais pagos,
voluntários e amigos.
A
grande arma no enfrentamento dessa doença, é a informação
associada à solidariedade.
A doença de Alzheimer afeta os familiares de modo devastador.
As dúvidas e incertezas com o futuro, a grande responsabilidade,
a inversão de papéis onde os filhos passam a se encarregar
dos cuidados de seus pais, além da enorme carga de trabalho
e sobrecarga emocional, acabam por gerar no meio familiar, intenso
conflito e angústia.
A sensação de estar só, isolado, desamparado
e a inevitável pergunta: Por que isso está acontecendo
comigo?, submete os cuidadores à enorme pressão
psicológica que vem acompanhada de depressão, estresse,
queda da resistência física, problemas de ordem conjugal,
etc.
À medida que os familiares conhecem melhor a doença
e sua provável evolução, vários recursos
e estratégias podem ser utilizadas com sucesso.
É fundamental que os familiares saibam que sempre há
algo a fazer, sempre é possível melhorar a qualidade
de vida dos pacientes e de seus familiares.
Existem doenças incuráveis, porém não
existem pacientes intratáveis.
Fonte: Associação Brasileira de Alzheimer
e Laboratório Novartis