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HPV
Papiloma Vírus Humano


O HPV é um vírus sexualmente transmissível, reconhecido há pouco tempo como um dos mais importantes patógenos da raça humana. O desenvolvimento de tecnologia biomolecular parece demonstrar que este vírus está fortemente relacionado ao aparecimento de neoplasias anogenitais, em especial à do colo uterino.
O papiloma vírus humano pertence à família dos Papovavírus. Foram identificados, até hoje, setenta tipos de HPV, através da hibridização molecular cruzada. Parece que somente 30 tipos são capazes de infectar a genitália. Do ponto de vista das propriedades biológicas, os HPV são divididos em dois grupos: os vírus cutaneotrópicos (com afinidade pela pele) e os mucosotrópicos, que infectam as mucosas genitais, orais e respiratórias. Todavia, esta divisão não é absoluta, pois tipos mucosotrópicos podem aparecer em infecções de pele.
Os vírus cutaneotrópicos são os responsáveis pelo aparecimento de verrugas na pele, tendo baixo poder oncogênico, ou seja, risco de cancerização. Já os vírus mucosotrópicos têm de moderado a alto risco oncogênico, sendo relacionados com câncer de colo, principalmente, mas, também, de vulva, pênis e ânus.
A infecção genital pelo HPV é considerada uma doença sexualmente transmissível (DST). O vírus é inoculado na camada profunda da mucosa, graças aos microtraumatismos que ocorrem durante o ato sexual. Como todas as DST, a sua maior incidência ocorre na idade de 20 a 40 anos, como uma doença da maturidade sexual. A infecção pelo HPV, grande nas mulheres jovens sexualmente ativas, diminui com a idade. A real prevalência do vírus na população é difícil de ser avaliada, mas estima-se que uma em cada quatro mulheres possa estar contaminada pelo vírus. Os fatores de risco conhecidos para o aparecimento de lesões causadas pelo vírus são: o número de parceiros sexuais, o tabagismo, o uso de contraceptivos orais, baixo nível sócio-econômico e gravidez. Vários estudos foram realizados para verificar a transmissão do vírus para recém-nascidos, durante a gestação ou parto, mas nada foi comprovado.

Foto 1 Foto 2
Foto 3 Foto 4

Foto 1 - Colo normal no 10º dia do ciclo (x5)
Foto 2 - Condiloma do colo. Após ácido acético. As papilas tornam-se brancas e são melhor individualizadas. A maior parte dos vasos estão escondidos (10x).
Foto 3 - Teste de Schiller. A lesão é iodo-negativa (x2).
Foto 4 - Antes do ácido acético. Sobre o lábio anterior lesão congestiva e papilar sangrante ao contato do espéculo, muito suspeito de câncer (x2).

A infecção pelo HPV pode se manifestar de três formas: clínica, subclínica e latente.
A forma clínica é a menos freqüente, sendo visível a olho nu. Caracteriza-se pelo aparecimento de verrugas na genitália denominadas de condiloma acuminado (o termo deriva do grego Kondylus, excrescência carnosa, tumor, condiloma), popularmente conhecidas como “crista de galo”. As localizações mais comuns na mulher são nos lábios menores e no vestíbulo no homem, na glande, no prepúcio, no sulco balanoprepucial, e em ambos os sexos nas regiões anal e perianal. A infecção clínica é rara no colo uterino.

A forma subclínica, é bem mais freqüente que a anterior e só pode ser diagnosticada com o auxílio de exames, tais como o citopatológico (papanicolau, pré-câncer), o histológico (biópsias) e o colposcópico (visualização ampliada). A infecção subclínica é a forma mais freqüente de infecção pelo HPV no colo uterino, podendo estar associada à neoplasia intra-epitelial, de baixo ou alto grau.

A forma latente é a mais freqüente das três e caracteriza-se pela presença de DNA viral em áreas sem qualquer evidência clínica ou subclínica da infecção. Esta forma só é detectada quando se lança mão de tecnologias modernas de biologia molecular (captura híbrida) que permitem a detecção da seqüência genética do DNA dos diferentes tipos de vírus. A captura híbrida é o único exame capaz de dizer com certeza se a infecção existe ou não.
Infelizmente o HPV ainda não tem cura, mas ele pode ser tratado de várias maneiras, individualizadas conforme cada caso. As mais comuns são a aplicação de um ácido diretamente nas lesões, cauterização das lesões, cirurgia de alta freqüência (que remove a lesão), criocirurgia, conização (que remove um pedaço do colo uterino) e alguns medicamentos para melhorar a imunidade.
A melhor arma contra o HPV é a prevenção e o diagnóstico precoce. Lembre-se que a maioria das pessoas infectadas pelo HPV não desenvolve o câncer do colo uterino, mas, por estar relacionado com ele, o HPV precisa ser descoberto o quanto antes. Por isso, faça seus exames preventivos anualmente. Use preservativo em todas as relações sexuais, evite fumar, beber em excesso ou usar drogas . Fique atento a qualquer destes sintomas e sinais: verrugas, coceira, corrimento, sangramento anormal (principalmente fora da menstruação e após a relação sexual) e dor durante a relação. Se tiver algum destes sintomas procure seu ginecologista ou urologista.
Os parceiros de pessoas infectadas também devem fazer uma revisão, as mulheres com o ginecologista e os homens com o urologista.
O HPV deve ser encarado de frente, pois um acompanhamento médico adequado consegue evitar que o câncer de colo uterino se desenvolva, salvando muitas vidas.



Dra. Tatiana Planicka Tesch de Castro

Ginecologia e Obstetrícia - CREMERS 21.022
São Leopoldo/RS - Fone: (51) 3591.3666
Novo Hamburgo/RS - Fone: (51) 3583.2020


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