HIPERTENSÃO ARTERIAL
O diagnóstico
da hipertensão arterial é basicamente estabelecido pelo
encontro de níveis tensionais permanentemente elevados acima
dos limites de normalidade (pressão sistólica acima
de 140mmHg e diastólica acima de 90mmHg ou ambos elevados),
quando a pressão arterial é determinada por meio de
métodos e condições apropriadas.
A re-educação alimentar envolve ensinamentos que têm
como objetivo modificar o estilo de vida e, assim, diminuir a morbidade
e a mortalidade. Dentre estas modificações, as que comprovadamente
reduzem a pressão arterial são:
redução do peso corporal;
redução da ingestão de sal;
redução do consumo de bebidas alcoólicas;
aumento na prática de atividade física;
a não utilização de drogas que aumentem
a pressão arterial
(descongestionantes nasais, certos antiácidos e laxativos contendo
sódio).
Redução
do Peso Corporal:
O aumento de peso corporal tem forte correlação
com a pressão arterial. Todos os hirpertensos com excesso de
peso devem fazer uma dieta adequada e individualizada, com nutricionista,
para redução do seu peso corporal, ingerindo mais vegetais,
frutas e alimentos com baixo teor de gorduras e calorias.
Redução
na ingestão de sal:
É unânime na literatura mundial considerar
a forte correlação da ingestão excessiva de sal
e a elevação da pressão arterial. A hipertensão
arterial é observada em comunidades com ingestão superior
a 100mEq/dia, equivalente a 2400mg de sódio ou ainda a 6g de
sal (cloreto de sódio), e rara em outras com ingestão
de sal de 50mEq/dia. Outros estudos também demonstram benefícios
da restrição de sal para redução de mortalidade
por acidente vascular cerebral (AVC) e na regressão da hipertrofia
ventricular esquerda (HVE). A restrição salina pode
ainda reduzir a excreção urinária de cálcio,
contribuindo para a prevenção da osteoporose em idosos.
Portanto a restrição de sal deve ser recomendada não
apenas para hipertensos, mas para a população em geral.
Alimentos
que não devem ser consumidos:
produtos industrializados, ricos em sódio: ketchup, mostarda,
shoyu, caldos concentrados;
conservas (picles, azeitonas, aspargos, palmitos);
enlatados (extrato de tomate, milho, ervilha);
bacalhau, charque, carne seca e defumados;
aditivos utilizados em alguns condimentos e sopas de pacotes
(glutamato monossódico);
embutidos (salsicha, mortadela, lingüiça, presunto,
salame);
bolachas salgadas.
Cozinhe
todos os alimentos sem sal e adicione somente a quantidade indicada
após o prato pronto
O bom
controle da ingestão de sódio fica prejudicada quando
acrescentamos sal direto no alimento quando ele ainda está
na panela, sendo preparado. A forma mais fácil de controlar
a ingestão adequada é quando medimos a quantidade de
sal e o distribuímos nos alimentos que estão em nosso
prato.
Vimos anteriormente que a ingestão máxima de sal seria
de 6g/dia (equivalente a uma colher rasa das de chá), mas na
realidade se distribuirmos estas 6g de sal ao dia passaremos das 2400mg
de sódio máxima. Por quê? Porque os alimentos
também contêm sódio em sua composição.
Quando calculamos a dieta verificamos que o ideal para ser distribuído
seria em média, 2g de sal (equivalente a duas colheres das
de cafezinho rasas) para que no total consigamos ficar no percentual
ideal de 2400mg de sódio/dia.
Com certeza, se eliminarmos do nosso dia-a-dia os alimentos com alto
teor de sódio e seguirmos esta orientação de
colocarmos sal só após a preparação pronta
e em média 2g/dia, teremos grandes benefícios para a
redução da pressão arterial e riscos de morbidade
e mortalidade.
Aos hipertensos que preferirem retirar todo o sal de sua alimentação,
poderão fazê-lo, pois o sódio contido nos alimentos
já é o suficiente para o seu organismo.
Faça
uso de temperos naturais
Muitas
vezes achamos que a única coisa que dá sabor ao alimento
é o sal, mas isto é um pensamento errado. Temperos naturais
dão muito sabor ao alimento e ficam muito gostosos, portanto
utilize temperos naturais como: orégano, sálvia, manjerona,
manjericão, louro, alho, cebola, tempero verde, bem como limão
em substituição ao sal.
Faça
uso de alimentos ricos em potássio
Esta
indicação se justifica pela possibilidade de o potássio
exercer efeito anti-hipertensivo, ter ação protetora
contra danos cardiovasculares e servir como medida auxiliar em pacientes
submetidos a terapia com diuréticos, desde que não existam
contra-indicações (por exemplo, pacientes com insuficiência
renal). Portanto em sua dieta procure diariamente escolher alimentos
ricos em potássio como: laranja, mamão, banana, espinafre,
acelga, tomate, abobrinha, beterraba, cenoura, batata-inglesa, feijão.
Substitua
os queijos amarelos pelos queijos brancos (ricota e queijo de minas
sem sal).
Lembre
sempre que a dieta exerce um papel fundamental na prevenção
e controle de uma das patologias mais freqüentes da sociedade
contemporânea que é a hipertensão arterial sistêmica.
Dr.
Carlos Eduardo Accioly Durgante
Geriatria e Medicina Interna - CRM 15879
Fone: (51) 3330.9687
Planejando o Futuro - Dr. Carlos Eduardo Accioly Durgante
Editora Alcance - Porto Alegre - Ed. 2001 - Páginas 71 à
74
<<
Voltar
para Medicina |
<< Voltar para 6 edição