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Asma:

quem tem medo das bombinhas?

O tratamento das doenças respiratórias crônicas, como asma e bronquite, é feito, principalmente, com medicamentos utilizados por via inalatória. São as chamadas “bombinhas” que, apesar de sua eficácia e facilidade de utilização, continuam sendo vítimas de muita resistência e preconceito por parte de pacientes e familiares. Muitos pacientes procuram o pneumologista com o objetivo específico de encontrar algum tratamento para sua doença que não inclua o uso de “bombinhas”. Saem, muitas vezes, desapontados ao ouvirem que é esse o tipo de medicação que deve ser utilizado.

O receio maior das pessoas com relação a medicação inalada é, na realidade, uma herança cultural. Quando foram lançados os primeiros medicamentos para serem usados dessa forma, há mais ou menos cinqüenta anos atrás, as substâncias utilizadas eram muito pouco seletivas e apresentavam efeitos colaterais muito intensos, especialmente no que diz respeito a aceleração no número de batimentos do coração (taquicardia). Lançados no mercado como medicamentos para falta de ar, esses medicamentos foram utilizados como “milagrosos” por muitos pacientes asmáticos e também por pacientes que tinham falta de ar mas não eram asmáticos. Muitos desses pacientes eram, na verdade, portadores de doenças cardíacas e alguns tiveram problemas graves ao utilizar a “bombinha” porque o coração, já doente, não tinha reservas para suportar a aceleração provocada pelo remédio inalado. Surgiu dessa forma o conceito de que as “bombinhas” fazem mal para o coração.

Atualmente, graças aos estudos e pesquisas realizadas, é possível produzir medicamentos mais seletivos, com ação predominante sobre o aparelho respiratório e pouca ação sobre o coração, por exemplo. Muitos medicamentos utilizados no tratamento de manutenção da asma, mesmo sendo utilizados por via inalatória, não têm efeito algum sobre o coração, nem a curto nem a longo prazo. Os broncodilatadores usados por via inalatória têm ação mais rápida e menos efeitos colaterais do que quando usados em forma de xarope ou comprimidos, por via oral. Além disso, os broncodilatadores podem ser levados pelo paciente a qualquer lugar, agindo como uma espécie de “salva vidas” quando necessário. A possibilidade de usar um broncodilatador, quando os sintomas de uma crise de asma estão começando, pode impedir a progressão dessa crise para situações mais graves.

O importante, de qualquer maneira, é informar-se com o médico sobre essa realidade. Infelizmente, mesmo hoje em dia, alguns médicos ainda acreditam que medicação inalatória é prejudicial a saúde. O que dizer dos pacientes! Então, por isso mesmo, quanto mais informação e orientação, maior o número de pacientes que poderão espalhar o conceito correto a respeito dessa medicação.

Como todas as outras doenças crônicas, a asma é um tipo de patologia que, de tão comum, passa para as pessoas menos avisadas a idéia de que qualquer pessoa pode orientar seu tratamento. Mas não é assim ! O sucesso no tratamento da asma depende da avaliação adequada de uma série de fatores e de um tratamento organizado e bem orientado, aproveitando o máximo dos benefícios que os medicamentos podem oferecer e deixando de lado conceitos leigos e sem respaldo científico.


Dr. Marcus Vinícius Netto

Pneumologista - CREMERS 10214

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