
COLELITÍASE
O que significa esta prevalente doença?
A colelitíase
é conhecida popularmente pelo termo pedra na vesícula
biliar. Esta doença comum ainda causa dúvidas
sobre seu diagnóstico e tratamento.
Os cálculos biliares ocorrem em aproximadamente 10% da população
adulta, sendo formados em 85% dos casos por cálculos de colesterol.
O risco de apresentar esta patologia aumenta com a idade, mas adultos
jovens também podem manifestá-la associada com outras
doenças como a anemia hemolítica.
É mais comum em mulheres em todas as idades, sendo duas vezes
mais freqüente nestas do que em homens. Gestações
múltiplas e o uso de anticoncepcionais orais estão associados
ao aumento do risco de desenvolvimento de cálculos.
A obesidade é outro fator que afeta a prevalência desta
doença. A bile, secreção armazenada na vesícula
biliar, permanece supersaturada de colesterol, levando ao aumento
do risco de desenvolver cálculos biliares.
Os demais 15% dos cálculos são ditos pigmentares, associados
a anemia, cirrose, infecções e situações
em que o paciente permaneça ou necessite de jejum prolongado.
A grande maioria da população com diagnóstico
de colelitíase permanece assinto-mática, ou seja, não
manifesta sua doença; algumas nem mesmo terão diagnóstico.
Apenas 1 a 2% dos pacientes desenvolvem sintomas anualmente, sendo
chamada então colelitíase sintomática. Os sintomas
constituem-se de dor abdominal, principalmente à direita, conhecida
como cólica biliar, sensação de estufamento após
as refeições gordurosas, náuseas e eventualmente
vômitos. A dor tende a ser severa, ocorrendo algumas horas após
as refeições.
Destes pacientes com cólica biliar, 3 a 5% desenvolvem complicações
associadas a doença que incluem a colecistite aguda e a pancreatite,
entre outras.
O diagnóstico pode ocorrer inciden-talmente por raio-x ou ecografias
obstétricas. O melhor exame para confirmação
da suspeita diagnóstica é a ecografia abdominal, confirmando
os cálculos em 95% dos casos.
O tratamento é cirúrgico. Analgésicos aliviam
temporariamente as crises de dor. A cirurgia, neste caso, chama-se
colecistectomia (retirada da vesícula biliar formadora de cálculos),
sendo apropriada para a vasta maioria dos pacientes. Atualmente, além
da técnica convencional, há a conhecida cirurgia videolapa-roscópica,
onde o procedimento é realizado com uma pequena câmera,
que permite menores incisões e uma recuperação
precoce, necessitando um a dois dias de internação hospitalar
e retorno precoce as atividades habituais.
A procura de um bom profissional para esclarecimento de dúvidas
e decisão do melhor momento para submeter-se ao procedimento
cirúrgico é fundamental. Outras patologias que apresentam
sintomas semelhantes devem ser descartadas antes de levar o paciente
a um procedimento desnecessário.
A prevenção ocorre principalmente através de
uma alimentação saudável, evitando ingesta rica
em gorduras. Exercícios físicos colaboram de forma indireta
prevenindo a obesidade, fator de risco associado em muitos casos.
Dra Tatiana Karine Simon - CRM 25782
Clínica Geral e Residente de Cirurgia Geral
do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
<< Voltar
para Medicina |
<< Voltar para 6 edição