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CIRURGIA DA INTIMIDADE

A cirurgia da intimidade, também chamada de cirurgia plástica do órgão genital feminino, foi desenvolvida pelo médico francês Jean Pierre Fournier e introduzida no Brasil pelo médico paulista Murilo Caldeira Ribeiro, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Na Europa esta técnica é muito difundida, sendo grande o número de mulheres que procuram especialistas para resolver problemas da intimidade. Segundo a Sociedade Americana de Cirurgia e Estética, 10 mil mulheres recorreram à cirurgia íntima nos últimos 5 anos. No Brasil começou a ganhar notoriedade há pouco tempo, após divulgação na imprensa, apesar da técnica já ser realizada há aproximadamente 7 anos.

A queixa mais comum é a hipertrofia dos pequenos lábios vaginais. Calcula-se que cerca de 1em cada 1000 mulheres tenha este problema. As causas da hipertrofia dos pequenos lábios podem ser: hereditária, congênita ou adquirida. Esta última se deve ao uso indiscriminado de anabolizantes (hormônios masculinos), o que leva a um aumento irreversível do clitóris, pequenos e grandes lábios vaginais. O desconforto é de ordem estética, funcional e emocional.
Um grande número de mulheres deixa de ter uma vida sexual ativa por complexos e vergonha da aparência do seu órgão genital.
Outras ficam impedidas de usarem calças justas, biquínis e roupas de ginástica, por constrangimento.

Durante o ato sexual os pequenos lábios volumosos dificultam a penetração e o deslizamento de pênis, uma vez que a vagina não fica lubrificada, acarretando dispareunia (dor na relação sexual).

Além dos problemas citados anteriormente, há uma maior probabilidade de contrair infecções e apresentar corrimento vaginal aumentado.

A cirurgia para a correção é chamada de labioplastia. Como qualquer outro procedimento cirúrgico, deve ser precedido de exames clínicos.

É considerada uma cirurgia de pequeno porte, realizada a nível ambulatorial (não requer internação). É feito um ressecamento dos lábios para diminui-los e o excesso de pele é retirado. A sutura é com fio absorvível e cai espontaneamente. O tempo cirúrgico é de 30 a 45 minutos. Não é necessário curativo, não deixa cicatriz aparente nem provoca perda da sensibilidade local. O retorno às atividades se dá em 2 a 3 dias. Recomenda-se abstinência sexual de 30 dias. É importante salientar que o clitóris (zona máxima de excitabilidade feminina) não é tocado.

Há outros defeitos da intimidade
feminina que podem ser corrigidos:

Alargamento vaginal: mais comum após parto normal e em pacientes idosas. Pode prejudicar a relação sexual levando a diminuição do orgasmo vaginal e a diminuição do atrito na penetração, além de ruídos durante o ato. Correção feita através da retirada da mucosa e fechamento dos músculos do períneo posterior. Abstinência sexual de 45 dias. Volta as atividades em 48 horas. Também é ambulatorial e os pontos caem sozinhos.

Correção dos grandes lábios: na hipertrofia pode ser feita redução cirúrgica do tamanho e espessura. Nos muito volumosos pode ser aplicada uma lipoaspiração. Quando estão murchos e flácidos, a correção é com preenchimento com gordura aspirada de outra área ou com substâncias sintéticas usadas na correção de marcas de expressão da face. O tempo cirúrgico é em média de 40 minutos. Abstinência sexual de 30 dias. Recuperação em uma semana.

Monte de Vênus Volumoso: o excesso de gordura localizada sobre o púbis é retirado por lipoaspiração, com anestesia local. O tempo é de 30 minutos. O pós-operatório é o mesmo da labioplastia.

Escurecimento da mucosa vaginal: Muito comum após o parto e ocorre por aumento de hormônios na gestação. A correção é feita pela retirada de uma pequena quantidade de mucosa dos lábios da região escurecida, com anestesia local. Não exige repouso e a volta as atividades normais pode ser imediata.

Perda de pêlos pubianos: mais comum em mulheres idosas ou após cesariana. É outra correção que pode ser feita com implante de cabelo da própria paciente. Não realizo esta cirurgia, mas há outros colegas que o fazem.

Reparação da deformidade nos lábios vaginais pós-partos ou por traumas: Também podem ser corrigidos com técnica semelhante a labioplastia.



Dra. Juliana Lima de Araújo -
CREMERS 21929
Ginecologia, Obstetrícia e Cirurgia da Intimidade

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