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Lombalgia: saiba como tratar

Em algum momento da vida, 80% da população mundial será afetada pela lombalgia, o tipo mais comum de dor nas costas, mesmo regredindo muitas vezes sozinha, é difícil descobrir sua causa.
No Brasil, a lombalgia é o segundo motivo que mais leva o paciente ao consultório medico, superado apenas pela dor de cabeça. Quatro em cada cinco brasileiros têm ou terão uma dor digna de atenção na coluna, e esse problema já é a principal causa de afastamento temporário do trabalho no Brasil. Setenta por cento dos especialistas pedem a realização de exames logo na primeira consulta de pacientes, apesar desta não ser a medida recomendada pela literatura especializada.
A lombalgia é uma dor na região lombar, mais precisamente entre a última costela e o início da nádega. Ela pode ser classificada em dois tipos: aguda e crônica. A lombalgia aguda, que geralmente dura menos de três meses, é uma dor de início súbito, quase sempre causada por lesões nos ligamentos ou músculos da coluna – resultado, muitas vezes, de movimentos bruscos ou quedas – ou ainda por lesões nos discos intervertebrais. Já a lombalgia crônica, que dura mais de três meses, tem períodos de melhora e piora e pode ser causada por doenças infecciosas, metabólicas, tumores, enfraquecimento da musculatura e por problemas de postura.
A boa notícia é que a lombalgia aguda tem 80% de chance de regredir espontaneamente, independente do tratamento adotado. E esse é o caso da maioria: estatísticas mostram que 70% dos pacientes se recuperam dentro de um mês. Somente 4% deles têm dores que duram mais de seis meses, mas este pequeno grupo é responsável por 85% do custo do tratamento das lombalgias.
Em alguns casos, a dor é tão freqüente que a pessoa se sente realmente doente, podendo passar por períodos de depressão. Nos dois tipos de lombalgia, ela pode ser intensa, levando ao afastamento de atividades diárias como as do trabalho. Ao sentirem dor, as pessoas tendem a tensionar os músculos da região lombar, deixando-os contraídos por muito tempo e aumentando a sensação de mal-estar.

Diagnóstico Difícil

Para descobrir as causas da lombalgia e até saber o grau da dor sentida pelo paciente, é preciso não só avaliar o histórico do doente como também verificar a postura e, caso seja necessário, pedir exames, que vão de radiografia da coluna lombar e tomografia computadorizada até ressonância magnética. “De 30% a 50% dos casos é impossível obter um diagnóstico definitivo para a lombalgia, por mais avançados que estejam os exames”.
Acredito que o método mais eficiente de avaliação é o da observação clínica. “Na maioria das vezes, os exames não são necessários. Eles são um luxo caro.” Um estudo realizado mostrou que 70% dos especialistas pedem a realização de exames logo na primeira consulta de pacientes com sintomas de lombalgia aguda simples, apesar desta não ser a medida recomendada pela literatura especializada. Segundo ela, apesar de não haver estatísticas oficiais, são gastos milhões de reais por ano no Brasil com exames desnecessários para diagnosticar lombalgias.

Opções de tratamento

Não existe uma forma única de tratamento para todos os tipos de dores na coluna. Nos casos de lombalgia aguda, na maioria das vezes recomenda-se repouso, medicação analgésica e observação. Para quem sofre de lombalgia crônica, os tratamentos são mais variados, já que as causas também podem ser diversas: há desde medicação de uso mais comum como analgésicos e antiinflamatórios, sessões de fisioterapia como RPG – reeducação da postura – injeções de corticóide, cirurgias, antidepressivos e bloqueios anestésicos para o controle da dor mais intensa. Assim como na hora do diagnóstico, o ideal mesmo é uma receita simples: aliar medicamentos à prática de atividades físicas e fisioterapia. E não parar de fazer exercícios depois que a crise de dor passar.
Uma boa alternativa é o exercício dentro da água, de baixo impacto. A eficiência do exercício na água foi comprovada em uma pesquisa realizada pela Unifesp, que comparou exercícios feitos por pacientes em duas superfícies diferentes: uma na terra, e outra na água, e observou que as pessoas que fizeram exercícios na água obtiveram resultados melhores. A água de piscinas aquecidas oferece mais vantagens e benefícios para o tratamento de pessoas que sofrem de lombalgia. No dia-a-dia, as pessoas que fizeram a hidroterapia tiveram mais facilidade para curvar o tronco, como na hora de se abaixar para apanhar objetos caídos do chão. O ambiente da água, segundo ela, é mais relaxante e exerce menor compressão sobre os músculos e as articulações, melhorando a circulação e aliviando a dor e o estresse.





Dr. Luciano Urnauer
- CRM 25064
Especialista em Ortopedia e Traumatologia
pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

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