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HEPATITE B
Conceito
É definida como inflamação do fígado causada
pela infecção com Vírus da Hepatite B (HBV),
agente infeccioso da família Hepdnaviridae, cujo material genético
é constituído por DNA. Do ponto de vista epidemiológico,
a transmissão sexual de agentes infecciosos causadores de hepatite
ocorre mais freqüentemente com os vírus das hepatites
tipos A, B, C e Delta. Os tipos B e C podem evoluir para doença
hepática crônica, e têm sido associados com carcinoma
hepatocelular primário.
Dentre os fatores que influenciam o risco de infecção
pelo HBV citamos: relações sexuais desprotegidas, tipo
de prática sexual (oro-anal, oro-genital, relacionamento sexual
passivo ou ativo), concomitância com outras DST (sífilis,
cancro mole, gonorréia, herpes genital e/ou oral, etc.) e compartilhamento
de seringas e agulhas.
Prevenção
Embora os métodos empregados para prevenção de
outras DST também sirvam para a infecção pelo
HBV, a vacinação ainda é o método mais
eficaz de prevenção desta infecção.
Quadro clínico
O período de incubação da Hepatite B aguda situa-se
entre 45 e 180 dias. A transmissão, na maioria das vezes, se
dá por exposição percutânea (intravenosa,
intramuscular, subcutânea ou intradérmica) ou por exposição
de mucosas aos fluidos corporais infectados (sangue, saliva, sêmen,
secreções vaginais). Na mulher grávida, é
importante salientar a possibilidade de ocorrer a transmissão
materno-fetal (transmissão vertical). Estima-se que até
90% das crianças contaminadas verticalmente podem tornar-se
portadoras crônicas do vírus; nestas a evolução
para cirrose e hepatoma é elevada.
Nos pacientes sintomáticos, a hepatite B, usualmente evolui
nas seguintes fases:
-fase prodrômica: sintomas inespecíficos de anorexia,
náuseas e vômitos, alterações do olfato
e paladar, cansaço, mal-estar, artralgia, mialgias, cefaléia
e febre baixa.
- fase ictérica: inicia-se após 5 a 10 dias da fase
prodrômica, caracterizando-se pela redução na
intensidade dos sintomas e a ocorrência de icterícia.
Colúria precede esta fase por 2 ou 3 dias.
- fase de convalescença: a sintomatologia desaparece gradativamente,
geralmente em 2 a 12 semanas.
Dependendo da idade em que acontece a infecção pelo
HBV, esta pode evoluir para a forma crônica, o que se demonstra
pela presença de marcadores sorológicos, testes de função
hepática alterados e biópsias de tecido hepático.
A evolução para cirrose e para carcinoma hepatocelular
primário não é rara.
Diagnóstico
- Diagnóstico
laboratorial
Realiza-se por meio dos marcadores sorológicos do vírus
da Hepatite B. Outros testes refletem a lesão hepatocelular
na hepatite viral aguda: as aminotransferases (alanina, ou ALT, e
aspartato, ou AST), previamente denominadas transaminases (respectivamente,
TGP e TGO) geralmente encontram-se acima de 500 U/L; a bilirrubina
total se eleva, podendo alcançar níveis entre 5 e 20
mg %; a fosfatase alcalina geralmente está aumentada e o leucograma
geralmente revela neutropenia com linfocitose relativa.
Na hepatite crônica, a biópsia hepática definirá
a lesão histológica e permitirá melhor avaliação
da atividade da doença.
- Diagnóstico diferencial
- Outros agentes virais (vírus tipo A, C, D, E, Epstein Barr,
Citomegalovirus);
- Toxoplasmose, leptospirose;
- Hepatite auto-imune; Hepatite por drogas (agrotóxicos, álcool);
- Colecistite ou coledocolitíase.
Tratamento
De modo genérico, o indivíduo com hepatite viral aguda,
independentemente do tipo viral que o acometeu, deve ser acompanhado
ambulatorialmente, na rede de assistência médica. Basicamente
o tratamento consiste em manter repouso domiciliar relativo, até
que a sensação de bem-estar retorne e os níveis
das aminotransferases (transaminases) voltem aos valores normais.
Em média, este período dura quatro semanas. Não
há nenhuma restrição de alimentos no período
de doença. É aconselhável abster-se da ingestão
de bebidas alcoólicas.
Os pacientes com hepatite causada pelo HBV poderão evoluir
para estado crônico e deverão ser acompanhados com pesquisa
de marcadores sorológicos (HBsAg e Anti-HBs) por um período
mínimo de 6 a 12 meses. Aqueles casos definidos como crônicos,
pela complexidade do tratamento, deverão ser encaminhados para
serviços de atendimento médico especializados.
PROFILAXIA
DA HEPATITE B
VACINA PARA HEPATITE B
Uma das principais medidas de prevenção da infecção
é a vacinação para hepatite B pré-exposição.
É uma vacina extremamente eficaz (90 à 95% de resposta
vacinal em adultos imunocompetentes) e que não apresenta toxicidade;
os efeitos colaterais são raros e usualmente pouco importantes,
entre os quais destacam-se: dor discreta no local da aplicação
(3 a 29%), febre nas primeiras 48-72 horas após a vacinação
(1 a 6%) e excepcionalmente fenômenos alérgicos relacionados
a determinados componentes da vacina. A aplicação da
vacina deverá ser realizada sempre por via intra-muscular,
em região de músculo deltóide, ou no vasto lateral
da coxa, em crianças pequenas, isto porque a aplicação
em glúteos comprovadamente tem menor eficácia (menor
frequência de detecção do anti-HBs). O intervalo
entre as doses preconizado pelo Ministério da Saúde,
independente da gravidade do acidente, deverá ser de zero,
um e seis meses.
A gravidez e a lactação não são contra-indicações
para a utilização da vacina.
A vacinação tem por objetivo eliminar a transmissão
do HBV na população em geral, no entanto, algumas populações
específicas devem ser priorizadas: profissionais da área
de saúde, pessoas portadoras ou com história de DST,
recém-nascidos, crianças e adolescentes que não
tenham sido previamente vacinados.
A duração da eficácia da vacina persiste por
longos períodos, podendo ultrapassar 10 anos. Doses de reforço
não são recomendadas a intervalos regulares, devendo
ser realizada somente em alguns casos pós-exposição
e em profissionais de saúde que fazem diálise. Neste
último caso, há indicação de repetição
anual do AntiHBs e indicação de uma dose de reforço
nos profissionais que apresentem sorologia não-reativa.
Fonte: Ministério da Saúde
www.saude.gov.br
www.aids.gov.br
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