PANCREAS
O
pâncreas é uma glândula em forma de folha, com
aproximadamente 12,5 centímetros de comprimento. Ele é
circundado pela borda inferior do estômago e pela parede do
duodeno (a primeira porção do intestino delgado que
se conecta ao estômago). O pâncreas possui duas funções
principais: a secreção de um líquido que contém
enzimas digestivas para o interior do duodeno e a secreção
dos hormônios insulina e glucagon, os quais são necessários
para metabolizar o açúcar, para a corrente sangüínea.
Esse
órgão também secreta grandes quantidades de
bicarbonato de sódio para o duodeno, o qual neutraliza o
ácido proveniente do estômago. Essa secreção
de bicarbonato de sódio flui através de um ducto coletor
que avança ao longo do centro do pâncreas (ducto pancreático).
Em seguida, esse ducto unese ao ducto biliar comum (proveniente
da vesícula biliar e do fígado) para formar a ampola
de Vater, a qual desemboca no duodeno ao nível do esfíncter
de Oddi.
PANCREATITE
AGUDA
A
pancreatite aguda é uma inflamação aguda do
pâncreas que pode ser leve ou letal.
Normalmente, o pâncreas secreta suco pancreático através
do ducto pancreático ao duodeno. Esse suco contém
enzimas digestivas em uma forma inativa e um inibidor que inativa
qualquer enzima que é ativada no seu percurso até
o duodeno. A obstrução do ducto pancreático
(p.ex., por um cálculo biliar alojado no esfíncter
de Oddi) interrompe o fluxo do suco pancreático. Geralmente,
a obstrução é temporária e causa um
dano limitado, o qual é logo reparado. Entretanto, quando
a obstrução persiste, ocorre um acúmulo de
enzimas ativadas no pâncreas, as quais suplantam a capacidade
do inibidor e começam a digerir as células do pâncreas,
causando uma grave inflamação.
A lesão pancreática pode permitir que as enzimas extravasem
e penetrem na corrente sangüínea ou na cavidade abdominal,
onde elas causam irritação e inflamação
do revestimento da cavidade abdominal (peritonite) ou de outros
órgãos. A parte do pâncreas que produz hormônios,
especialmente a insulina, tende a não ser lesada ou afetada.
Os
cálculos biliares e o alcoolismo são responsáveis
por aproximadamente 80% das internações hospitalares
devido à pancreatite aguda. As mulheres apresentam pancreatite
aguda causada por cálculos biliares cerca de 1,5 vezes mais
freqüentemente que os homens, enquanto que os homens apresentam
pancreatite alcoólica seis vezes mais que as mulheres.
Os
cálculos biliares que causam a pancreatite aguda podem ficar
retidos no esfíncter de Oddi durante algum tempo, bloqueando
a abertura do ducto pancreático, mas a maioria dos cálculos
biliares passa para o trato intestinal. O consumo diário
de mais de 120 ml de álcool durante vários anos pode
provocar a obstrução dos pequenos dúctulos
pancreáticos que drenam para o ducto pancreático,
desencadeando finalmente a pancreatite aguda. Uma crise de pancreatite
pode ser desencadeada por um consumo excessivo de álcool
ou por uma refeição copiosa. Existem muitos outros
distúrbios que podem causar uma pancreatite aguda.
Sintomas
Quase
todos os indivíduos com pancreatite aguda apresentam uma
dor abdominal intensa, na zona superior do abdômen médio,
abaixo do esterno. Freqüentemente, a dor irradia para as costas.
Raramente, a dor é sentida primeiramente na região
abdominal inferior. Normalmente, a dor tem um início súbito
e atinge a intensidade máxima em minutos, é constante
e intensa, é do tipo penetrante e dura vários dias.
Comumente, mesmo doses elevadas de um narcótico injetável
não provêem alívio completo.
A
tosse, os movimentos vigorosos e a respiração profunda
pioram a dor. A posição sentada ereta e a inclinação
para frente podem prover algum alívio. A maioria dos indivíduos
sente náusea e tem que vomitar, algumas vezes chegando a
a presentar vômito seco, isto é, vômito sem eliminação
de qualquer conteúdo.
Alguns
indivíduos, sobretudo aqueles que apresentam pancreatite
alcoólica aguda, podem jamais apresentar qualquer sintoma
além de uma dor moderada. Outros sentemse muito mal. Eles
apresentam um aspecto enfermo, apresentam uma sudorese excessiva,
um aumento da freqüência de pulso (100 a 140 batimentos
por minuto) e uma respiração superficial e rápida.
A inflamação dos pulmões pode contribuir para
a respiração rápida.
Inicialmente,
a temperatura corpórea pode ser normal, mas ela aumenta em
algumas horas para 37,7° a 38,3°C. A pressão arterial
pode estar elevada ou baixa, mas ela tende a cair quando o indivíduo
fica em pé, provocando desmaio. À medida que a doença
evolui, os indivíduos tendem a perder contato com o meio
ambiente. Alguns tornamse quase inconscientes. Ocasionalmente, a
esclera (o branco dos olhos) adquire uma coloração
amarelada.
Um
em cada cinco indivíduos com pancreatite aguda apresenta
aumento de volume na região abdominal superior. Esse aumento
de volume pode ocorrer devido à interrupção
do movimento do conteúdo gástrico e intestinal (uma
condição denominada íleo paralítico)
ou porque o pâncreas inflamado aumenta de volume e empurra
o estômago para frente. Além disso, pode ocorrer acúmulo
de líquido no interior da cavidade abdominal (uma condição
denominada ascite).
Na
pancreatite aguda grave (pancreatite necrotisante), a pressão
arterial pode cair e pode levar ao choque. A pancreatite aguda grave
é potencialmente letal.
Diagnóstico
A
dor abdominal característica faz com que o médico
suspeite de pancreatite aguda, principalmente em um indivíduo
com uma colecistopatia (doença da vesícula biliar)
ou que é alcoolista. Ao exame, o médico freqüentemente
observa rigidez da musculatura abdominal. Durante a ausculta abdominal,
realizada com o auxílio de um estetoscópio, ele pode
observar uma redução dos ruídos intestinais.
Nenhum
exame de sangue isoladamente estabelece o diagnóstico de
pancreatite aguda, mas alguns exames o confirmam. Normalmente, os
níveis séricos de duas enzimas produzidas pelo pâncreas
(a amilase e a lipase) aumentam no primeiro dia da doença.
No entanto, elas retornam ao normal após três a sete
dias. Contudo, algumas vezes, os níveis dessas enzimas não
aumentam em decorrência de uma destruição extensa
do pâncreas ocorrida em episódios anteriores de pancreatite,
restando poucas células para a liberação das
enzimas. Os indivíduos com pancreatite aguda grave freqüentemente
possuem menos eritrócitos (glóbulos vermelhos) do
que o normal por causa de hemorrágias pancreáticas
ou abdominais.
As
radiografias abdominais padrões podem revelar uma dilatação
de alças intestinais ou, raramente, um ou mais cálculos
biliares. A ultrasonografia pode mostrar a presença de cálculos
biliares na vesícula biliar e, às vezes, no ducto
biliar comum. Além disso, ela pode detectar o aumento de
volume do pâncreas.
A
tomografia computadorizada (TC) é particularmente útil
na detecção de alterações do tamanho
do pâncreas e é utilizada em casos graves ou naqueles
que apresentam complicações, como, por exemplo, uma
pressão arterial extremamente baixa. Como as imagens são
muito nítidas, a tomografia computadorizada ajuda o médico
a estabelecer um diagnóstico preciso.
Na
pancreatite aguda grave, a tomografia computadorizada ajuda a determinar
o prognóstico. Quando a TC indica que o pâncreas está
apenas discretamente aumentado de volume, o prognóstico é
excelente. Por outro lado, se ela revelar grandes áreas de
destruição no pâncreas, o prognóstico
não é tão bom.
A
colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (uma
técnica radiográfica que revela a estrutura do ducto
biliar comum e do ducto pancreático) normalmente é
realizada somente quando a causa suspeita da pancreatite é
um cálculo biliar alojado no ducto biliar comum. O médico
passa um endoscópio através da boca do paciente até
o intestino delgado, onde está localizado o esfíncter
de Oddi. A seguir, ele injeta um contraste radiopaco (visível
nas radiografias) nos ductos. Se as radiografias revelarem a persença
de um cálculo biliar, o médico pode utilizar o endoscópio
para removêlo.
Tratamento
A
maioria dos indivíduos com pancreatite é hospitalizada.
Um indivíduo com uma pancreatite aguda leve deve evitar a
ingestão de alimentos e de água, pois isto estimula
o pâncreas a produzir mais enzimas. Os líquidos e os
nutrientes são administrados através da via intravenosa.
Uma sonda é passada através do nariz até o
estômago para remover o líquido e o ar, sobretudo quando
a náusea e o vômito persistem.
Geralmente,
o indivíduo com pancreatite aguda grave é internado
em uma unidade de terapia intensiva, onde seus sinais vitais (pulso,
pressão arterial e freqüência respiratória)
são controlados. O débito urinário é
mensurado freqüentemente. Além disso, são coletadas
amostras de sangue para a mensuração de seus vários
componentes (p.ex., hematócrito, glicemia, eletrólitos,
contagem leucocitária e enzimas).
A
alimentação do indivíduo é realizada
através da via intravenosa e ele não recebe nada pela
boca por pelo menos duas semanas, esta medida podendo ser prolongada
por até seis semanas. Uma sonda é passada através
da narina até o estômago com o objetivo de manter o
estômago vazio e, freqüentemente, para administrar antiácidos,
visando à prevenção da ocorrência de
úlceras.
O
volume sangüíneo é cuidadosamente mantido através
da administração de líquidos intravenosos e
a função cardíaca é rigorosamente controlada.
O oxigênio é administrado através de uma máscara
facial ou de cateteres nasais para aumentar a sua concentração
na corrente sangüínea. Caso a oxigenioterapia for inadequada,
o indivíduo pode necessitar de ventilação assistida
com o auxílio de um respirador mecânico. A dor intensa
normalmente é tratada com a meperidina.
Ocasionalmente,
é necessária a realização de uma cirurgia
nos primeiros dias de uma pancreatite aguda grave. Por exemplo,
a cirurgia pode ser utilizada para aliviar a pancreatite decorrente
de uma lesão ou para o esclarecimento de um um diagnóstico
incerto. Algumas vezes, quando a condição do indivíduo
deteriora após a primeira semana da doença, uma cirurgia
é realizada para remover o tecido pancreático infectado
e não funcionante.
A
infecção de um pâncreas inflamado é um
risco, sobretudo após a primeira semana da doença.
Algumas vezes, o médico suspeita de uma infecção
porque a condição do paciente piora e ele apresenta
febre e um aumento da contagem leucocitária após os
outros sintomas terem começado a desaparecer. O diagnóstico
é confirmado através de hemoculturas e da realização
de uma tomografia computadorizada (TC). O médico pode coletar
uma amostra de material infectado do pâncreas inserindo uma
agulha através da pele até o pâncreas. As infecções
são tratadas com antibióticos e cirurgia.
Algumas
vezes, ocorre a formação de um pseudocisto no pâncreas,
cheio de enzimas pancreáticas, líquido e resíduos
tissulares, o qual expande como um balão. Quando um pseudocisto
aumenta de volume e causa dor ou outros sintomas, o médico
deve realizar sua descompressão. A descompressão é
particularmente urgente quando o pseudocisto aumenta de volume rapidamente,
tornase infectado, sangra ou parece que está a ponto de romper.
Dependendo de sua localização, a descompressão
pode ser obtida através da passagem de um cateter através
da pele e permitindo que o pseudocisto drene por várias semanas
ou através da realização de um procedimento
cirúrgico.
Quando
a pancreatite aguda é devida a cálculos biliares,
o tratamento depende de sua gravidade. Se a pancreatite for leve,
a remoção da vesícula biliar normalmente pode
ser postergada até o desaparecimento dos sintomas. A pancreatite
grave devida a cálculos biliares é tratada endoscopicamente
ou cirurgicamente. O procedimento cirúrgico consiste na remoção
da vesícula biliar e na desobstrução dos ductos.
Nos indivíduos idosos que apresentam outras doenças
(p.ex., uma cardiopatia), o médico freqüentemente utiliza
primeiramente a endos copia, mas, quando esse tratamento fracassa,
a cirurgia deve ser realizada.
Causas
de Pancreatite Aguda
- Cálculos
biliares
- Alcoolismo
- Drogas como a furosemida e a azatioprina
- Parotidite (caxumba)
- Níveis sangüíneos elevados de lipídeos,
especialmente de triglicerídeos
- Lesão pancreática causada por uma cirurgia ou uma
endoscopia
- Lesão pancreática causada por contusões ou
feridas penetrantes
- Câncer do pâncreas
- Redução da irrigação sangüínea
pancreática (p.ex., devido a uma pressão arterial
extremamente baixa)
- Pancreatite hereditária
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Fonte Autorizada:
Merck
Sharp & Dohme
www.msd-brazil.com
* Matéria
publicada neste site: 05.03.2007
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