MICROCISTINA
As
cianobactérias, também
conhecidas como algas azuis, são procariontes geralmente
encontrados em reservatórios rasos,
com água morna e com pouco movimento, habitualmente
essas algas não são encontradas em poços artesianos
profundos.
A
primeira espécie de cianobactéria descrita era azulada,
dai o seu nome popular, no entanto, podemos encontrar cianobactérias
de várias cores. Suas células costumam ficar agregadas
em colônias. Estas podem localizar-se
na superfície ou em profundidade maior, dependendo da oferta
de luz, fósforo e nitrogênio (poluentes orgânicos).
Portanto, o fato de não vermos algas na superfície
de um reservatório não descarta a possibilidade da
sua presença. As regiões com grande concentração
de Indústrias e elevada população produzem
maior quantidade de poluentes orgânicos, favorecendo o desenvolvimento
dessas algas, sendo assim, devem ser consideradas áreas de
alto risco.
Quando
ocorre morte ou lise celular, há a liberação
de toxinas, que podem lesar o fígado (hepatotoxinas), o sistema
nervoso (neurotoxinas), ou somente irritar a pele. Apenas 30 a 50%
das espécies de cianobactérias produzem estas toxinas;
porém, a única forma de saber
se uma colônia de alga azul está produzindo toxina
é através da análise laboratorial. A
intoxicação por cianobactérias não é
algo recente; há descrições que datam do século
XII e, como esta alga prolifera mais facilmente em água rica
de nutrientes (devido ao fosfato presente em detergentes ou fertilizantes),
este problema está longe de ser resolvido em nosso meio.
A
toxina mais conhecida é a microcistina,
liberada pela espécie Microcystis aeruginosa. A maior parte
dos episódios de envenenamento causada por cianobactérias
é devido á presença da mícrocistina
LR. que é a forma de toxina geralmente encontrada em reservatórios
de água em todo o mundo. Com uma estrutura química
peculiar, esta toxina é altamente estável na água
e pode resistir a grandes variações de temperatura
e de pH.
Se
uma pessoa ingerir acidentalmente água ou peixe contaminados,
pode apresentar cefaléia, febre, dor abdominal, náusea
e vômitos.
Porém, isto ocorre raramente, pois a água contaminada
com esta alga tem um odor desagradável. Quando ocorre intoxicação,
crianças têm maior chance de desenvolver estes sintomas
devido a sua menor superfície corpórea. A morte geralmente
é causada por lesão hepática ou do sistema
nervoso, dependendo do tipo de toxina predominante na água.
As
autoridades responsáveis pelo controle de qualidade da água
devem monitorizar periodicamente os reservatórios e, no caso
de detecção de cianobactérias, realizar sua
remoção. A forma mais fácil é a prevenção,
diminuindo a oferta de fosfato, mas o tratamento pode ser feito
com substâncias que agrupem as colônias de algas, levando
á sua precipitação. Porém, deve-se evitar
compostos que possam causar morte celular, pois isto facilitaria
a liberação de mais toxinas. Lembramos que quando
as cianobactérias estiverem presentes nas represas, os níveis
de microcistina podem sofrer variações diárias
na água de abastecimento.
Vale
salientar que a presença de cianobactérias em alguns
países como Canadá e Austrália, constitui-se
um problema crônico para os responsáveis pelo abastecimento
público de água. No Brasil, considerando-se que a
floração de cianobactérias é um problema
que vem se agravando, a possibilidade da presença de microcistina
tende a se tornar crônica.
Ressaltamos
que o tratamento preconizado para água de hemodiálise,
quer seja deionização e/ou osmose reversa, desde que
respeitados os critérios de regeneração e manutenção
adequados, é capaz de remover essa toxina. A regeneração
e manutenção do tratamento de água varia de
acordo com a característica do serviço (volume de
água utilizado, tipo de membrana, frequência de regeneração,
etc.).
Uma
vez detectada a presença de microcistina na água fornecida
pelo sistema público, independentemente de sua concentração,
aconselha-se a dosagem da microcistina na água pós
deionização e/ou osmose reversa para garantia da eficiência
da regeneração e manutenção do tratamento
de água de cada Unidade.
A
microcistina na água pós deionização
e/ou osmose reversa na Unidade deve ser indetectável.
O
valor máximo aceitável de concentração
de microcistina total para água potável é de
1,0 µg/L (vide Portaria 1469 - www.sbn.org.br/Portarias/portaria34.htm
>> Fonte:
Sociedade Brasileira de Nefrologia
www.sbn.org.br
* Matéria
publicada neste site: 01.03.2007
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