Infecções
Parasitárias
Triquinose
A
triquinose é uma infecção parasitária
causada pela Trichinella spiralis.
A triquinose ocorre na maioria das regiões do mundo, mas
é rara ou ausente nas regiões onde os porcos são
alimentados com raízes vegetais, como na França. Nos
Estados Unidos, a triquinose tornou-se rara. A infecção
é decorrente do consumo da ingestão de carne de porco
ou de seus derivados cozidos ou processados de forma inadequada.
Em raros casos, ela pode ser decorrente da ingestão de carne
de urso, de porco do mato e de alguns mamíferos marinhos.
Qualquer desses animais pode conter uma forma cística das
larvas (triquina).
Quando
a parede do cisto é digerida no estômago ou no duodeno,
as larvas são liberadas e penetram na parede do intestino
delgado. Em dois dias, as larvas amadurecem e se reproduzem. Os
vermes machos não têm mais qualquer papel na produção
da infecção. As fêmeas permanecem aninhadas
na parede intestinal e, em torno do sétimo dia, começam
a liberar larvas vivas. Cada fêmea pode produzir mais de 1.000
larvas. A produção continua durante 4 a 6 semanas,
após as quais a fêmea morre e é digerida.
As
minúsculas larvas são transportadas por todo o corpo
através dos vasos linfáticos e da corrente sangüínea.
Apenas aquelas que conseguem atingir os músculos esqueléticos
sobrevivem. Essas larvas penetram nos músculos e causam inflamação.
No final do terceiro mês, elas formam cistos. Certos músculos
(p.ex., língua, músculos dos olhos e músculos
intercostais) são particularmente propensos à infecção.
As larvas que atingem o miocárdio (músculo cardíaco)
morrem devido à intensa reação inflamatória
que provocam.
Sintomas
Os
sintomas variam, dependendo do número de larvas invasoras,
dos tecidos invadidos e do estado físico geral do indivíduo.
Muitos indivíduos não apresentam qualquer sintoma.
Algumas vezes, ocorrem sintomas intestinais e uma febre discreta
1 a 2 dias após o consumo de carne infectada. No entanto,
os sintomas da invasão larvária geralmente ocorrem
após 7 a 15 dias. O edema das pálpebras superiores
é um dos sintomas iniciais mais característicos, ocorrendo
de forma abrupta em torno do décimo-primeiro dia da infecção.
A
seguir, ocorrem hemorragias da esclera e da porção
porsterior dos olhos, dor ocular e sensibilidade à luz intensa.
A sensibilidade e a dor muscular, juntamente com uma erupção
cutânea e hemorragia subungueal, podem ocorrer logo em seguida.
A dor é pronunciada nos músculos respiratórios,
da fala, da mastigação e da deglutição.
Pode ocorrer uma grande dificuldade respiratória, a qual
pode inclusive acarretar a morte. Os sintomas adicionais podem incluir
a sede, a sudorese abundante, a febre, calafrios e a fraqueza. Geralmente,
a febre é intermitente, freqüentemente atingindo pelo
menos 39 °C, permanecendo elevada durante vários dias
e, a seguir, caindo gradualmente.
À
medida que o sistema imunológico destrói as larvas
fora dos músculos, os linfonodos, assim como o cérebro
e as meninges, podem inflamar e o indivíduo pode apresentar
distúrbios de visão e de audição. Os
pulmões ou a pleura (a membrana que reveste os pulmões)
e o coração também podem inflamar. A insuficiência
cardíaca pode ocorrer entre a quarta e a oitava semana. A
maioria dos sintomas desaparece em torno do terceiro mês,
embora possa ocorrer a persistência de dores musculares vagas
e de fadiga durante meses.
Diagnóstico
Enquanto
o parasita permanece no intestino, não existe qualquer teste
capaz de confirmar o diagnóstico. Uma biópsia de tecido
muscular (coleta de uma amostra de tecido para exame microscópico),
realizada após a quarta semana de infecção,
pode revelar a presença de larvas ou cistos. O parasita raramente
é encontra do nas fezes, no sangue ou no líquido cefalorraquidiano
(líquido que circunda o cérebro e a medula espinhal).
Os
exames de sangue são razoavelmente confiáveis, embora
possam ocorrer resultados falsonegativos (resultados que não
indicam infecção quando, na verdade, ela existe),
particularmente quando eles são realizados nas 2 semanas
subseqüentes ao início da doença. Normalmente,
a concentração de eosinófilos (um tipo de leucócito)
começa a aumentar em torno da segunda semana, atinge o máximo
em torno da terceira ou quarta semana e, em seguida, diminui gradualmente.
Os testes cutâneos não são confiáveis.
Prevenção
e Tratamento
A
triquinose é prevenida através do cozimento completo
da carne de porco, de seus produtos derivados e de outras carnes.
Alternativamente, as larvas podem ser mortas através do congelamento
de carnes a 15 °C durante 3 semanas ou a 20 °C
durante 1 dia. Contudo, as larvas dos mamíferos do Ártico
parecem ser capazes de sobreviver a temperaturas mais baixas.
O
mebendazol e o tiabendazol, medicamentos administrados pela via
oral, são eficazes contra o parasita. O repouso ao leito
ajuda a aliviar as dores musculares, mas pode ser necessária
a administração de analgésicos (p.ex., aspirina
ou codeína). Os corticosteróides (p.ex., prednisona)
podem ser utilizados para reduzir a inflamação do
coração ou do cérebro. A maioria dos indivíduos
com triquinose recupera-se completamente.
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Fonte Autorizada:
Merck
Sharp & Dohme
www.msd-brazil.com
* Matéria
publicada neste site: 26.06.2007
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