Infecções
Parasitárias
Malária
A
malária é uma infecção dos eritrócitos
(glóbulos vermelhos, hemácias) causada pelo Plasmodium,
um microrganismo unicelular. A malária é transmitida
por através da picada do mosquito fêmea infectado do
gênero Anopheles, de uma transfusão de sangue contaminado
ou de uma injeção com agulha anteriormente utilizada
por uma pessoa infectada. Quatro espécies de parasitas
Plasmodium vivax, Plasmodium ovale, Plasmodium falciparum e Plasmodium
malariae podem infectar o ser humano e causar a malária.
Os
medicamentos e os inseticidas tornaram a malária rara nos
Estados Unidos e na maioria dos países desenvolvidos, mas
a infecção continua sendo comum nos trópicos.
Os visitanes dos trópicos ou os viajantes que retornam dessas
áreas algumas vezes são portadores da infecção
e podem ser responsáveis pela ocorrência de uma pequena
epidemia. O ciclo de vida do parasita da malária começa
quando um mosquito fêmea pica um indivíduo com malária.
O mosquito suga o sangue contendo parasitas, os quais deslocam-se
até as glândulas salivares do mosquito.
Quando
o mosquito pica um outro indivíduo, os parasitas são
injetados juntamente com a saliva do mosquito. Uma vez no interior
do indivíduo, os parasitas instalam-se no fígado,
onde eles se multiplicam. Os parasitas amadurecem durante uma média
de 2 a 4 semanas e, em seguida, deixam o fígado e invadem
os eritrócitos. Os parasitas multiplicam- se nos eritrócitos
e, finalmente, provocam a ruptura das células infectadas.
O Plasmodium vivax e o Plasmodium ovale podem permanecer nas células
hepáticas e liberam periodicamente parasitas maduros na corrente
sangüínea, provocando episódios com sintomas
da malária.
O
Plasmodium falciparum e o Plasmodium malariae não permanecem
no fígado; mas, quando a infecção não
é tratada ou é tratada de modo inadequado, a forma
madura do Plasmodium falciparum pode permanecer na corrente sangüínea
durante meses e a forma madura do Plasmodium malariae durante anos,
causando repetidos episódios com sintomas da malária.
Sintomas
e Padrões da Malária
Malária
Vivax e Ovale O episódio pode iniciar abruptamente com calafrios
e tremores, acompanhados por sudorese e febre intermitente. Em uma
semana, o padrão típico de episódios intermitentes
é estabelecido. Um período de cefaléia ou de
mal-estar pode ser seguido por calafrios com tremores. A febre dura
1 a 8 horas. Após o desaparecimento da febre, o indivíduo
sente-se bem até os próximos calafrios. Na malária
vivax, novos ataques tendem a ocorrer a cada 48 horas. Malária
Falciparum O episódio pode iniciar com calafrios. A temperatura
corpórea aumenta gradualmente e, a seguir, cai abruptamente.
Esse episódio pode durar 20 a 36 horas. O indivíduo
pode sentir um mal-estar mais acentuado que o provocado pela malária
vivax e apresenta uma cefaléia intensa. Entre os episódios,
durante intervalos que variam de 36 a 72 horas, o paciente normalmente
sente-se muito mal e apresenta uma febre discreta. Malária
Malariae Freqüentemente, o episódio inicia abruptamente.
Ele é semelhante ao da malária vivax, mas recorre
a cada 72 horas.
Dados
Que Devem Ser Recordados Sobre a Malária
Os medicamentos utilizados para a prevenção não
são 100% eficazes
Os sintomas podem iniciar um mês ou mais após
a picada pelo mosquito infectante
Os sintomas iniciais são inespecíficos e freqüentemente
confundidos com os da gripe
O rápido diagnóstico e o tratamento precoce
são importantes, particularmente nos casos de malária
falciparum, a qual é fatal em até 20% dos indivíduos
infectados
Sintomas
e Complicações
Geralmente,
os sintomas iniciam 10 a 35 dias após o mosquito haver injetado
o parasita no indivíduo. Freqüentemente, os sintomas
iniciais são a febre baixa e intermitente, a cefaléia,
as dores musculares e os calafrios, juntamente com uma sensação
de mal-estar generalizado. Algumas vezes, os sintomas começam
com calafrios com tremores acompanhados por febre. Esses sintomas
duram 2 a 3 dias e são freqüentemente considerados como
sintomas do resfriado. Os sintomas subseqüentes e os padrões
da doença variam de acordo com o tipo de malária.
Na malária falciparum, pode ocorrer uma disfunção
cerebral, uma complicação denominada malária
cerebral.
Os
sintomas incluem uma febre de no mínimo 40°C, cefaléia
intensa, sonolência, delírio e confusão mental.
A malária cerebral pode ser fatal. Ela ocorre com maior freqüência
em lactentes, mulheres grávidas e indivíduos que viajam
para áreas de alto risco. Nos casos de malária vivax,
o indivíduo pode apresentar delírio quando a febre
é alta, mas, além do que, os sintomas cerebrais são
incomuns. Em todos os tipos de malária, a contagem leucocitária
geralmente é normal, mas o número de linfócitos
e monócitos (dois tipos específicos de leucócito)
encontra-se elevado.
Quando
a malária não é tratada, é comum a ocorrência
de uma icterícia discreta e aumento do fígado e do
baço. A baixa concentração sérica de
açúcar (glicose) é comum, podendo ser grave
em indivíduos que apresentam uma quantidade elevada de parasitas.
A concentração sérica de açúcar
pode cair ainda mais nos indivíduos tratados com quinina.
Algumas vezes, a malária persiste quando baixos níveis
de parasitas permanecem no sangue. Os sintomas incluem a apatia,
cefaléias periódicas, mal-estar, inapetência,
fadiga e episódios de calafrios e febre. Os sintomas são
consideravelmente mais leves e os episódios não duram
tanto quanto o primeiro.
Quando
o indivíduo não é tratado, os sintomas da malária
vivax, ovale ou malariae desaparecem espontaneamente em 10 a 30
dias, podendo retornar em intervalos variáveis. A malária
falciparum não tratada é fatal em até 20% dos
casos. A febre hemoglobinúrica (febre de urina negra) é
uma complicação rara da malária causada pela
ruptura de grandes quantidades de eritrócitos. A ruptura
libera a hemoglobina (um pigmento vermelho) na corrente sangüínea.
A hemoglobina, a qual é então excretada na urina,
a torna escura. A febre hemoglobinúrica ocorre quase que
exclusivamente em indivíduos com malária falciparum
crônica, especialmente naqueles que utilizaram a quinina no
tratamento.
Diagnóstico
O
médico suspeita de malária quando um indivíduo
apresenta episódios periódicos de calafrios e febre
sem causa aparente. A suspeita é maior quando no ano precedente
o indivíduo visitou uma área onde a malária
é prevalente e quando ele apresenta um baço aumentado
de volume. A identificação do parasita em uma amostra
de sangue confirma o diagnóstico. Podem ser necessárias
várias amostras para se estabelecer o diagnóstico,
uma vez que a concentração de parasitas no sangue
varia no decorrer do tempo. O resultado do exame laboratorial identifica
a espécie de Plasmodium encontrada na amostra, pois o tratamento,
as complicações e o prognóstico variam de acordo
com a espécie envolvida.
Prevenção
e Tratamento
Os
indivíduos que habitam áreas infestadas pela malária
ou que viajam para esses locais devem tomar precauções.
Eles podem utilizar aerossóis inseticidas de ação
prolongada nas casas e nas áreas externas, devem colocar
telas nas portas e janelas, usar mosquiteiros sobre as camas e aplicar
repelentes de mosquitos sobre a pele. Eles também podem utilizar
vestimentas suficientes, particularmente após o pôr-do-sol,
para proteger a pele o máximo possível contra as picadas
de mosquitos. Drogas podem ser indicadas para se evitar a malária
durante uma viagem a uma área com risco de contágio.
O
tratamento com drogas é iniciado uma semana antes da viagem,
continuado durante a permanência no local e mantido por 1
mês após o retorno. A droga mais comumente utilizada
é a cloroquina. Entretanto, em muitas regiões do mundo
existem cepas de Plasmodium falciparum resistentes a essa droga.
Outras drogas incluem a mefloquina e a doxiciclina. No entanto,
as crianças com menos de 8 anos de idade e as gestantes não
podem utilizar a doxiciclina. Não existe um tratamento medicamentoso
totalmente eficaz para prevenir a infecção. Os viajantes
que apresentam febre enquanto se encontram em uma região
de risco devem ser imediatamente examinados por um médico.
A
pirimetamina-sulfadoxina, uma combinação de drogas,
pode ser utilizada para automedicação até que
o indivíduo consiga auxílio médico. O tratamento
depende do tipo de malária e da existência ou não
na área geográfica de cepas do parasita que são
resistentes à cloroquina. Contra um episódio agudo
de malária falciparum em uma área que há incidência
de cepas resistentes à cloroquina, o indivíduo pode
utilizar a quinina ou pode lhe ser administrada a quinidina intravenosa.
Para os demais tipos de malária, a resistência à
cloroquina é menos comum e, por essa razão, o indivíduo
normalmente deve utilizar cloroquina seguida pela primaquina.
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Fonte Autorizada:
Merck
Sharp & Dohme
www.msd-brazil.com
* Matéria
publicada neste site: 26.06.2007
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