MINERAIS
Alguns
minerais (sódio, cloreto, potássio, cálcio, fósforo
e magnésio) são considerados macronutrientes porque
o organismo necessita de quantidades relativamente grandes dos mesmos.
Eles são denominados macrominerais. Outros minerais são
micronutrientes porque o organismo necessita de pequenas quantidades
dos mesmos. Eles são o ferro, o zinco, o cobre, o manganês,
o molibdênio, o selênio, o iodo e o fluoreto. As deficiências
de minerais, excetuandose a de ferro e a de iodo, são incomuns.
O excesso de alguns minerais pode causar intoxicação.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
FERRO
Deficiência de Ferro
O ferro
é um componente de muitas enzimas que participam de reações
químicas importantes através do organismo. Ele também
é um componente da hemoglobina, que permite aos eritrócitos
transportar o oxigênio e distribuí-lo aos tecidos do
corpo. Os alimentos contêm dois tipos de ferro, o ferro ligado
ao heme (encontrado principalmente nos produtos animais) e o ferro
não ligado ao heme, (o qual representa mais de 85% do ferro
da dieta média). O ferro ligado ao heme é absorvido
muito mais facilmente que o ferro não ligado ao heme. No entanto,
a absorção do ferro não ligado ao heme aumenta
quando ele é consumido com proteína animal e vitamina
C. A deficiência de ferro é a deficiência nutricional
mais comum no mundo inteiro, produzindo anemia nos homens, nas mulheres
e nas crianças. A hemorragia acarreta a perda de ferro do organismo,
levando à uma deficiência que deve ser tratada com a
suplementação do mesmo.
A deficiência
de ferro também pode ser decorrente de uma dieta inadequada.
Essa deficiência pode ocorrer durante a gravidez, pois a mãe
deve prover uma grande quantidade de ferro ao feto em desenvolvimento.
Como as adolescentes encontram-se em fase de crescimento e começam
a menstruar, elas apresentam o risco de desenvolver anemia ferropriva
(por deficiência de ferro) quando seguem dietas que excluem
a carne vermelha. A anemia ocorre quando há uma exaustão
das reservas de ferro do organismo. Os sintomas incluem a palidez,
as unhas em forma de colher (uma deformidade na qual as unhas tornam-se
finas e côncavas), a fraqueza com comprometimento do desempenho
muscular e alterações do comportamento cognitivo. O
diagnóstico da deficiência de ferro é estabelecido
baseando-se nos sintomas e nos resultados dos exames de sangue que
revelam a presença de uma anemia e concentração
baixa de ferro e de ferritina, uma proteína que armazena o
ferro. A deficiência de ferro é tratada com doses elevadas
desse mineral, uma vez ao dia, durante várias semanas. O tratamento
deve prosseguir até a normalização dos eritrócitos
e das reservas de ferro.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Excesso
de Ferro
O excesso
de ferro é tóxico e provoca vômito, diarréia
e lesão intestinal. O ferro pode acumular- se no corpo quando
um indivíduo é tratado com quantidades excessivas ou
por um tempo demasiadamente longo, quando ele recebe várias
transfusões de sangue ou no alcoolismo crônico. A hemocromatose
(doença causada pelo excesso de ferro) é um distúrbio
hereditário potencialmente fatal, mas facilmente tratado, no
qual uma quantidade excessiva de ferro é absorvida, afeta mais
de um milhão de americanos. Normalmente, os sintomas manifestam-se
quando o indivíduo atinge a meia-idade. A sua evolução
é insidiosa. A pele apresenta uma coloração bronzeada.
O indivíduo apresenta cirrose, câncer de fígado,
diabetes e insuficiência cardíaca e morre prematuramente.
Os sintomas podem incluir a artrite, a impotência, a infertilidade,
hipotireoidismo e a fadiga crônica. Os exames de sangue podem
revelar se o indivíduo apresenta excesso de ferro. Todos os
familiares de um indivíduo afetado devem ser submetidos a uma
investigação. O tratamento de escolha é a sangria
terapêutica. O diagnóstico e o tratamento precoces permitem
uma vida longa e saudável.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
ZINCO
Deficiência de Zinco
O zinco
encontra-se amplamente distribuído no corpo, pois é
um componente de mais de cem enzimas, inclusive das responsáveis
pela síntese do RNA e do DNA. Os tecidos que possuem as maiores
concentrações de zinco são os ossos, o fígado,
a próstata e os testículos. A concentração
de zinco no sangue depende da quantidade de zinco presente na dieta.
A carne vermelha, o fígado, os ovos e os frutos do mar são
fontes ricas de zinco, mas os cereais não são. Os cereais
integrais contêm substâncias (p.ex., fibras e fosfatos)
que inibem a absorção do zinco. A ingestão de
argila, o que alguns indivíduos fazem habitualmente, inibe
a absorção do zinco e causa a sua deficiência.
A acrodermatite
enteropática, um distúrbio hereditário no qual
o zinco não pode ser absorvido, também causa deficiência
desse mineral. Os sintomas incluem a inapetência, a queda de
cabelo, a dermatite, a cegueira noturna e a alteração
da gustação. A atividade dos órgãos reprodutivos
também pode ser comprometida, acarretando um retardo do desenvolvimento
sexual e, nos homens, uma redução da produção
de espermatozóides. Pode ocorrer retardo do crescimento. O
sistema imune do corpo e a capacidade de cicatrização
de feridas podem ser comprometidos. Nas crianças, os primeiros
sinais dessa deficiência são o crescimento lento, a perda
de apetite, a alteração da gustação e
a concentração baixa de zinco no cabelo. Para auxiliar
no diagnóstico, é realizada a determinação
da concentração de zinco no sangue. O tratamento consiste
na administração de suplementos de zinco.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Excesso
de Zinco
As grandes
quantidades de zinco, geralmente adquiridas através do consumo
de alimentos ácidos ou de bebidas acondicionadas em latas com
revestimento de zinco (galvanizadas), podem produzir um sabor metálico,
vômitos e problemas gástricos. A ingestão de 1
grama ou mais pode ser fatal.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
COBRE
Deficiência de Cobre
O cobre
é um componente de várias enzimas que são necessárias
para a produção de energia, para a antioxidação,
para a síntese do hormônio adrenalina e para a formação
do tecido conjuntivo. Nos indivíduos saudáveis, a deficiência
de cobre é rara. Ela ocorre mais comumente em crianças
prematuras ou que estão se recuperando de uma desnutrição
grave. Os indivíduos submetidos à nutrição
parenteral prolongada também correm o risco de desenvolver
uma deficiência de cobre. A síndrome de Menkes é
um distúrbio hereditário que causa deficiência
de cobre.
Os sintomas
incluem o cabelo crespo, o retardo mental, a concentração
baixa de cobre no sangue e a incapacidade de sintetizar as enzimas
que necessitam de cobre. A deficiência de cobre produz fadiga
e concentração baixa deste elemento no sangue. São
comuns a anemia (reduções do número de eritrócitos),
a leucopenia (redução do número de leucócitos)
e a neutropenia (redução do número de neutrófilos,
um tipo de leucócito), assim como a osteoporose (redução
de cálcio nos ossos). Também ocorrem pequenas hemorragias
puntiformes na pele e aneurismas arteriais. A deficiência de
cobre é tratada com suplementos deste elemento durante várias
semanas. No entanto, os indivíduos com a síndrome de
Menkes não respondem bem a esses suplementos.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Excesso
de Cobre
O cobre
que não está ligado a uma proteína é tóxico.
O consumo de quantidades relativamente pequenas de cobre livre pode
provocar náusea e vômito. Os alimentos ácidos
ou as bebidas que se encontram em contato prolongado com recipientes,
tubulações ou válvulas de cobre podem estar contaminados
com pequenas quantidades deste metal. Quando quantidades de sais de
cobre, os quais não estão ligados a uma proteína,
são ingeridos de forma inadvertida ou quando compressas saturadas
com uma solução de um sal de cobre são utilizadas
para tratar grandes áreas de pele queimada, pode ocorrer a
absorção de uma quantidade de cobre suficiente para
lesar os rins, inibir a produção de urina e causar anemia
em decorrência da hemólise (ruptura dos eritrócitos).
A doença
de Wilson é um distúrbio hereditário no qual
ocorre um acúmulo de cobre nos tecidos, acarretando uma lesão
extensa. A doença de Wilson afeta 1 em cada 30.000 indivíduos.
Nesse distúrbio, o fígado não secreta o cobre
para o interior do sangue e nem o excreta para o interior da bile.
Conseqüentemente, a concentração de cobre no sangue
é baixa, mas ocorre um acúmulo do mesmo no cérebro,
nos olhos e no fígado, causando a cirrose. Na córnea,
o acúmulo de cobre produz um halo dourado ou verde-dourado.
Normalmente, os sintomas iniciais são decorrentes da lesão
cerebral e incluem os tremores, as cefaléias, a incapacidade
para falar, a falta de coordenação e inclusive a psicose.
A intoxicação pelo cobre é tratada com a penicilamina,
a qual se liga ao metal e promove a sua excreção, sendo
um exemplo da terapia de quelação. Para preservar a
vida, o tratamento deve ser mantido indefinidamente.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
MANGANÊS
Deficiência de Manganês
O manganês
é um componente de várias enzimas e é essencial
para a estrutura óssea normal. São fontes abundantes
de manganês os cereais não refinados e vegetais folhosos
verdes. Quando, durante algumas semanas, o indivíduo mantém
uma dieta deficiente em manganês, o corpo parece conservar este
mineral de forma eficaz. O único sintoma é uma erupção
cutânea temporária. A hidralazina, um medicamento antihipertensivo,
pode causar deficiência de manganês e efeitos colaterais
relacionados como a neuralgia (dor que se irradia ao longo do trajeto
do nervo), a dor articular, a erupção cutânea,
o aumento dos linfonodos e o aumento do fígado. O tratamento
consiste na administração de sais de manganês.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Excesso
de Manganês
A intoxicação
pelo manganês é comum apenas entre os indivíduos
que trabalham em minas e com o refinamento deste mineral. A exposição
prolongada produz lesões nervosas, com sintomas que se assemelham
ao parkinsonismo (tremores e dificuldade nos movimentos).
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
MOLIBDÊNIO
Deficiência de Molibdênio
O molibdênio
é necessário para a oxidação de enxofre,
um componente das proteínas. Ele é encontrado no leite,
em favas e feijões, pães e cereais. Nos indivíduos
sãos, não foi observada uma deficiência de molibdênio
causada pelo consumo insuficiente. No entanto, esta deficiência
ocorre sob condições especiais como, por exemplo, quando
um indivíduo desnutrido com doença de Crohn é
submetido à nutrição parenteral total (todos
os nutrientes são administrados por via intravenosa) sem suplementos
de molibdênio durante um período prolongado. Os sintomas
incluem o aumento da freqüência cardíaca, a dificuldade
respiratória, a náusea, o vômito, a desorientação
e, finalmente, o coma. O tratamento com molibdênio pode acarretar
uma recuperação completa.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Excesso
de Molibdênio
Os indivíduos
que consomem grandes quantidades de molibdênio podem apresentar
sintomas semelhantes aos da gota: incluindo uma concentração
alta de ácido úrico no sangue e dores articulares. Os
mineiros expostos à poeira de molibdênio podem apresentar
sintomas inespecíficos.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
SELÊNIO
Deficiência de Selênio
O selênio
é necessário para a síntese de uma das enzimas
antioxidantes. Os sintomas da deficiência de selênio,
uma condição rara, podem ser em grande parte explicados
pela falta de antioxidantes no fígado, no coração
e nos músculos, acarretando morte tissular e insuficiência
orgânica. Os lactentes prematuros e os adultos submetidos à
nutrição parenteral total sem suplementos de selênio
apresentam risco de lesões cardíacas e musculares causadas
pela deficiência deste mineral. O tratamento com selênio
pode acarretar uma recuperação total. A doença
de Keshan, um distúrbio causado por um vírus e que lesa
o miocárdio (músculo cardíaco), pode ser prevenida
com a administração de suplementos de selênio.
A doença de Keshan afeta aproximadamente 1% dos indivíduos
que habitam uma região da China na qual o conteúdo de
selênio do solo e das plantas que nele crescem é baixo.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Excesso
de Selênio
O excesso
de selênio pode produzir efeitos deletérios, os quais
podem ser decorrentes do uso de suplementos sem prescrição
médica em doses de 5 a 50 miligramas por dia. Os sintomas são
a náusea, o vômito, a queda de cabelo e unhas, uma erupção
cutânea e lesões nervosas.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
IODO
Deficiência de Iodo
O iodo
é necessário para a síntese dos hormônios
tireoidianos. Aproximadamente 80% do iodo do organismo encontram-se
na tireóide, a maior parte nos hormônios tireoidianos.
Os frutos do mar constituem uma rica fonte de iodo. A quantidade de
iodeto, uma forma do iodo, na água potável depende geralmente
do conteúdo de iodeto no solo local. Aproximadamente10% da
população mundial correm o risco de apresentar deficiência
de iodo pelo fato de viverem em altituedes elevadas onde a água
potável é pobre em iodo. O iodeto é adicionado
aos sais de cozinha comerciais (sal iodado). Na deficiência
de iodo, a tireóide tenta capturar mais iodeto para a síntese
dos hormônios tireoidianos e aumenta de tamanho. A concentração
de iodeto no sangue e na urina torna-se muito baixa. Uma mulher grávida
com deficiência de iodo pode ter uma criança com um cérebro
mal desenvolvido devido à deficiência de iodo, uma condição
denominada cretinismo. O tratamento consiste na administração
de iodo em doses de aproximadamente 10 vezes a QDR por várias
semanas.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Excesso
de Iodo
A intoxicação
pelo iodo é causada pelo consumo diário de quantidades
muito grandes de iodo (400 vezes a QDR), algumas vezes como conseqüência
do fato de viver próximo ao mar. O excesso de iodo pode produzir
o bócio e, algumas vezes, o hipertireoidismo.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
FLUORETO
Deficiência de Fluoreto
O fluoreto,
uma forma do flúor, é um nutriente essencial que fortalece
os ossos e os dentes. Os peixes marinhos e o chá são
ricos em fluoreto, mas a água potável é a fonte
principal. Em várias partes do mundo, o seu conteúdo
varia de demasiadamente escasso a excessivamente alto. A deficiência
de fluoreto pode causar cáries dentárias, as quais podem
ser prevenidas com o consumo suficiente de fluoreto nos alimentos
e na água. A adição de fluoreto (fluoretação)
à água potável com um baixo conteúdo de
flúor reduz significativamente o risco de cáries dentárias.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Excesso
de Fluoreto
Os habitantes
de regiões onde a água potável é muito
rica em flúor podem absorver quantidades excessivamente altas
deste elemento, uma condição denominada fluorose. O
fluoreto acumulase nos dentes (sobretudo nos permanentes) e nos ossos.
Manchas irregulares de cor branco-giz formam- se na superfície
do esmalte dentário, podendo tornar-se amarelas ou castanhas
e fazendo com que o esmalte pareça moteado.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
>>
Fonte Autorizada:
Merck
Sharp & Dohme
www.msd-brazil.com
* Matéria
publicada neste site: 13.03.2007
<<
Voltar para Nutrição