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Bioquímica Cerebral
x Alimentos Funcionais


Atualmente, ao abrirmos manchetes ouvimos falar em falta de serotonina, excesso de dopamina, a bioquímica cerebral virou moda desde que os cientistas passaram a estudar as causas orgânicas para males como tristeza, depressão, angústia, irritação e mau humor. Na realidade não existem pílulas mágicas, e o homem descobre a cada dia que os alimentos naturais, pouco refinados podem lhe devolver a saúde que os abusos da alimentação estavam lhe tirando pouco a pouco. Podemos controlar quimicamente todos os aspectos da saúde e do comportamento humano, através de hábitos alimentares e de atividade física saudáveis.
Alimentos como, por exemplo, o chocolate e o chá verde aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, conseqüentemente, melhorando a psicomotricidade de maneira global. São vários os fatores que contribuem para a etiologia da depressão emocional e, entre eles, destaca-se cada vez mais a importância da bioquímica cerebral. Acredita-se que o efeito antidepressivo se dê às custas de um aumento da disponibilidade de neurotransmissores no SNC, como por exemplo, da serotonina (5-HT). Ao bloquearem receptores 5HT2 (da serotonina) alguns alimentos ditos funcionais também funcionam como antienxaqueca.
O termo alimento funcional foi primeiramente introduzido no Japão por volta de 1980. De acordo com a definição do International Life Science Institute (entidade sem fins lucrativos que estuda o assunto), um alimento pode ser considerado funcional se consegue demonstrar satisfatoriamente que possui um efeito benéfico sobre uma ou várias funções específicas no organismo (além dos efeitos nutricionais habituais), que melhora o estado de saúde e bem estar ou reduz o risco de uma enfermidade.

A portaria nº 398 de 30/04/99 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde no Brasil diz que “é alimento funcional todo aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica”.
Funcionais ou nutracêuticos são os alimentos que, além de cumprirem sua função nutricional básica, contêm substâncias que trazem benefícios à saúde, como auxiliar na redução de doenças crônico-degenerativas. Estes alimentos podem tanto vir de fontes vegetais quanto animais.
Estudos indicam que as dietas baseadas em vegetais podem reduzir o risco de doenças crônicas, principalmente o câncer. Pessoas que têm uma dieta rica em frutas, verduras e legumes têm muito menos chances de ter câncer, do que as pessoas que consomem pouco esses alimentos.
Alguns produtos de origem animal também têm componentes importantes na otimização da saúde. Dentre os quais podemos destacar os peixes, óleos de peixes e laticínios.

Alimentos que contêm propriedades funcionais comprovadas:

Farelos (trigo, aveia, arroz) - ricos em fibras - estimulam o funcionamento intestinal, reduzem o colesterol.

Chá verde (green-tea) - rico em polifenóis - previnem o câncer e doenças do coração.

Vegetais crucíferos (brócolis, repolho, couve-de-bruxelas, rabanete, couve-flor) - grandes quantidades de glicosinolatos - previnem o câncer.

Peixes de água fria (atum, salmão) - ricos em Ômega3 - reduzem o colesterol e doenças do coração.

Frutas cítricas - ricas em limoneno - previnem o câncer e fortalecem o sistema imunológico.

Alho e cebola - contêm alicina - estimulam o sistema imune, varredores de radicais livres, reduzem colesterol e triglicérides, além de possuírem aleína - excelente antiinflamatório.

Produtos lácteos (iogurte, queijo, ricota) - pré e próbióticos - melhoram a flora bacteriana.

Linhaça - contém lignana - modula o sistema imune, reduz o colesterol e diminui o risco de doenças cardiovasculares.

As fibras diminuem o colesterol sangüíneo, a glicemia em pacientes diabéticos e previne o câncer de cólon.

O tomate possui um pigmento chamado licopeno, que age contra os cânceres de próstata, cólon, pâncreas e pulmão.

Laticínios são uma das melhores fontes de cálcio, um nutriente essencial que pode prevenir a osteoporose e, possivelmente, o câncer de cólon.
No entanto, o grande tesouro entre os alimentos funcionais são os alimentos que tem um poder anti-oxidante, os seja, são alimentos cujos nutrientes amenizam a oxidação das células, reduzindo assim a presença de radicais livres, prevenindo o aparecimento da aterosclerose. Como exemplo, citamos os flavonóides (encontrados nas verduras, grãos, castanhas, chá verde e vinho tinto) e os carotenóides (encontrados no brócolis, cenoura, tomate e outros legumes). Estes, sem dúvida, são os alimentos que maior impacto tem na bioquímica cerebral, mantendo o límpido funcionamento da mente por mais tempo.



Dra. Marlise Potrick Stefani

Nutricionista - CRN 0847
Fone: (51) 3592.6817

 
 
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