Classic Life • Odontologia • Ed. 01 - Nov/Dez/2001
 



RESPIRAÇÃO BUCAL


Fique atento e previna problemas
  
A insuficiência respiratória nasal é um tema de interesse tanto médico quanto odontológico, pois, produz várias alterações funcionais em nível corporal como, por exemplo, no desenvolvimento facial e da dentição.
Quando há algum impedimento da respiração nasal, estabelece-se a respiração bucal. O termo respiração bucal refere-se àqueles que respiram predominantemente pela boca, pois, alguns deles podem apresentar algum grau de respiração nasal.

A respiração bucal orgânica é aquela em que há problemas orgânicos obstruindo a passagem de ar pelo nariz. As causas da obstrução nasal são muitas, mas as mais freqüentes são: hipertrofia das adenóides, rinite alérgica, desvio de septo, sinusite, bronquite, hipertrofia dos cornetos nasais e infecções crônicas das amígdalas palatinas.
Aceita-se com freqüência que a respiração bucal pode ser a causa do surgimento de problemas no desenvolvimento da dentição. Todo o paciente com obstrução nasal crônica pode tornar-se um respirador bucal o que normalmente leva a alterações no desenvolvimento da face e da dentição, principalmente durante a fase de crescimento. 

Em geral, o respirador bucal  não apresenta competência labial que pode ser definida como capacidade de manter os lábios em contato . Eles necessitam ficar abertos para facilitar a entrada de ar pela boca. Consequentemente podem haver alterações no desenvolvimento muscular com alterações funcionais dos lábios, língua e bochechas. 
 
O crescimento excessivo no sentido vertical da face (face longa e estreita), palato (céu da boca) estreito e profundo, presença de olheiras, aspecto cansado,  lábios resequidos, boca sempre aberta e ronco noturno, são características de respiradores bucais.

No desenvolvimento da dentição os problemas mais comuns que encontramos são: excessiva inclinação dos dentes anteriores, mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior com diminuição do espaço na arcada e conseqüente falta de espaço para o correto alinhamento dentário. Quando a obstrução nasal ocorre em dimensões suficientes para impedir a respiração nasal, terá como resultado também, importantes alterações posturais das estruturas da cabeça e região do pescoço, bem como problemas de fala.
Na odontologia, com o uso de aparelhos ortodônticos, os problemas causados no desenvolvimento facial e na dentição pela respiração bucal podem ser minimizados ou até corrigidos, porém, na maioria das vezes, há a necessidade da intervenção de profissionais de outras áreas como medicina, fonoaudiologia e fisioterapia.

Alguns respiradores bucais apresentam hipotonia e hipofução dos músculos elevadores da mandíbula (masséter, temporais, pterigoideos mediais), resultando na mudança da posição de repouso da mesma. Ocorre um rebaixamento mandibular para facilitar o fluxo aéreo via bucal e a este fato dá-se o nome de incompetência mandibular.
Alterações no diâmetro transversal e profundidade palatal foram observados por diversos autores, pois  no respirador bucal o palato pode apresentar-se alto ou atrésico. Alguns atribuem este fato à posição de repouso da língua no soalho bucal, pois nesta conjuntura ela não exerce força contra o palato perdendo assim a sua função modeladora natural.  

Em estudos comparativos entre respiradores nasais e bucais  encontrou-se um conjunto de alterações musculares que denominou-se Síndrome da Face Longa ou Faces  Adenoideanas  que caracteriza-se por: 

- Face longa e estreita      

- Base posterior do crânio mais curta

- Palato alto e ou atrésico

- Incompetência, labial e lingual

- Narinas estreitas

- Cabeça mal posicionada em relação ao pescoço ( inclinada para trás)

 

Entretanto, é importante ressaltar que nem todo respirador bucal apresenta tal quadro.

 

A respiração bucal pode ter uma causa orgânica ou ser apenas um hábito vicioso. A respiração bucal viciosa, é aquela em que não há nenhuma obstrução nas vias aéreas superiores, e sim má posição dos lábios, língua  e mandíbula. Ou seja, o indivíduo respira pela boca embora tenha capacidade anátomo fisiológica de respirar pelo nariz. 
Quando a respiração bucal é de origem obstrutiva, torna-se necessário o tratamento medicamentoso ou até mesmo cirúrgico, para após iniciar a fonoterapia, visando  a instalação da respiração nasal e fortalecimento da musculatura  bucal.
 


Dr. Paulo Guilherme Basile
- CRO 7999
Mestrando em Ortodontia na Universidade Camilo Castelo Branco – São Paulo

São Leopoldo/RS


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