
TRANSTORNO DE HIPERATIVIDADE
COM DÉFICIT DE ATENÇÃO
(THDA)
O
THDA tem sido bastante discutido nos últimos anos, tendo em
vista a grande mudança no comportamento das crianças
e adolescentes que nosso tempo tem proporcionado. Sendo diagnosticado
geralmente antes dos sete anos de idade, e principalmente, quando
a criança inicia sua vida escolar, o transtorno gera também
muitas dúvidas em pais e professores, já que seus sintomas
mais proeminentes são freqüentemente confundidos com malandragem,
teimosia e falta de vontade. Sem o devido questionamento do porquê
de tais comportamentos, acaba gerando rótulos que afetam diretamente
a auto-estima de seus portadores.
Três fatores principais ajudam a distinguir o hiperativo da
criança que tem apenas um distúrbio de atenção
mais leve e daquela que busca apenas chamar a atenção:
a contínua agitação motora, a impulsividade e
a impossibilidade de se concentrar, seja em brincadeiras ou em atividades
pedagógicas. Essas atitudes devem ser constantes durante pelo
menos seis meses seguidos, em pelo menos dois ambientes que façam
parte do cotidiano da criança.
É importante frisar que o THDA pode ser diagnosticado também
na adolescência, bem como na vida adulta. A diferença
está nas maneiras como o transtorno se manifesta. Por exemplo,
enquanto uma criança vai demonstrar a agitação
em suas condutas, um adolescente talvez venha a sentir a agitação
a nível emocional, sem que esta seja expressa no ambiente,
o que provoca sentimentos de ansiedade e inadequação.
Já em adultos os sintomas manifestam-se principalmente por
sentimentos de impaciência, que acabam por interferir em suas
atividades laborais habituais.
Tal transtorno ainda não tem uma causa única comprovada.
Sabe-se que a origem mais provável seja genética e que
seus portadores, geralmente produzem menos dopamina, um neurotransmissor
responsável pelo controle motor e pelo poder de concentração
que atua com maior intensidade em algumas regiões frontais
do cérebro. Possivelmente isso explicaria o fato de os hiperativos
não se concentrarem e esquecerem facilmente o que lhes é
pedido.
Os critérios de diagnósticos mais explicativos para
o THDA são aqueles relacionados pelo DSM-IV (Manual Diagnóstico
e Estatístico de Transtornos Mentais). Confira alguns sintomas
de cada distúrbio.
Sintomas de Déficit de Atenção
Observa-se freqüentemente que o paciente:
• deixa de prestar atenção a detalhes ou comete
erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras;
• tem dificuldades para manter a atenção em tarefas
ou atividades lúdicas;
• parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;
• não segue instruções e não termina
seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais
(não devido a comportamento de oposição ou incapacidade
de compreender instruções);
• tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
• evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam
esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres
de casa);
• perde coisas necessárias para tarefas ou atividades
(brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais),
pois é facilmente distraído por estímulos alheios
à tarefa;
• com freqüência apresenta esquecimento em atividades
diárias.
Sintomas de Hiperatividade
Observa-se que freqüentemente o paciente:
• agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;
• abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações
nas quais se espera que permaneça sentado;
• corre ou escala em demasia, em situações nas
quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode
estar limitado a sensações subjetivas de inquietação);
• tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente
em atividades de lazer;
• é agitado, sem pensar nas conseqüências;
• fala em demasia.
Sintomas
de Impulsividade
Observa-se que freqüentemente o paciente:
• dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem
sido completadas;
• tem dificuldade para aguardar sua vez;
• interrompe ou se mete em assuntos de outros (intromete-se
em conversas ou brincadeiras, por exemplo).
Tais sintomas podem estar presentes em conjunto ou isoladamente, o
que faz com que existam 3 tipos de THDA:
• THDA com predomínio dos sintomas de desatenção
• THDA com predomínio dos sintomas de hiperatividade
e impulsividade
• THDA do tipo combinado
O tratamento do THDA geralmente necessita a utilização
de medicação, e acompanhamento psicológico e/ou
psicopedagógico. Os pais necessitam ser orientados constantemente
quanto à postura perante os sintomas do filho, pois a situação
pode afetar em muito sua qualidade de vida. A escola também
tem um papel fundamental na maneira como vai enfrentar a situação
e apoiar seu aluno, para que consiga um melhor desempenho e tentando
evitar que esteriótipos sejam sustentados pelos demais alunos,
tendo em vista as dificuldades que o portador de THDA apresenta.
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Dr.
Antônio Leonardo Sarmento
Psicólogo – CRP 07/11606
Mais
informações:
(51) 3590-3773 ou (51) 9684-6323
São Leopoldo – RS
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Matéria
publicada na Revista Classic Life
Edição
nº 14 - MAR/ABR/MAI - 2009
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