DEPRESSÃO
1. O que é Depressão?
O Termo Depressão pode designar tanto um estado afetivo normal,
quanto um sintoma, uma síndrome ou várias doenças.
Estado afetivo normal: Uma pessoa que sofre a perda
de um ente querido, na maioria das vezes, dizemos que ela está
deprimida, e isto é absolutamente compreensível, visto
o episódio de tristeza que ela se encontra.
Sintoma depressivo: o sintoma depressivo é encontrado
e analisado nos mais variados quadros clínicos, por exemplo:
- transtorno de estresse pós traumático;
- demência;
- esquizofrenia;
- alcoolismo;
- doenças clínicas em geral, etc...
Pode ocorrer, também, como resposta a situações
estressantes, ou a circunstâncias sociais e econômicas
adversas.
Síndrome: Enquanto síndrome, a depressão
inclui não apenas alterações do humor (tristeza,
irritabilidade, falta da capacidade de sentir prazer, apatia), mas
também inclui alterações cognitivas, psicomotoras
e vegetativas (alterações no sono e apetite).
Doença: Depressão como doença tem
sido classificada de várias formas no decorrer da história.
Os autores preferem adotar os seguintes quadros da literatura atual:
- transtorno depressivo maior;
- distimia;
- transtorno afetivo bipolar tipos I e II;
- ciclotimia
Um dado histórico relevante, como descrição clínica
da Depressão, é o artigo clássico de Falret sobre
a "folie circulaire" de 1854, marco na história da doença
maníaco-depressiva.
2. Como sei se estou com Depressão?
A característica mais típica dos estados depressivos
são os sentimentos de tristeza ou vazio, mas nem todos os pacientes
relatam a sensação subjetiva de tristeza. Muitos se
referem a sintomas como a perda da capacidade de experimentar prazer
nas atividades rotineiras, e a redução do interesse
pelo ambiente familiar e do trabalho. Freqüentemente, o paciente
relata a sensação de cansaço exagerado, fadiga
ou perda de energia, falta de memória e de desejo sexual. Muitas
vezes, a irritabilidade e a falta de tolerância à frustrações,
também está intimamente ligada aos estados depressivos.
Há um cuidado próprio nos sintomas das crianças
e dos adolescentes, visto que os mesmos estão em um processo
de crescimento que por conseqüência já estariam
elaborando perdas significativas no seu desenvolvimento. Mesmo assim,
não podemos deixar de identificar a possível Depressão
Mascarada, cujas queixas são principalmente: irritabilidade,
agressividade, facilidade em acidentar-se e machucar-se, falta de
sono, agitação, perda ou aumento do apetite, diminuição
da capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões.
Em geral o paciente com Depressão procura o Psicólogo
após ter passado por avaliações médicas
de diversas especializações. Não encontrando
doença clínica orgânica que justifique o seu estado,
só lhe resta acreditar na possibilidade de estar doente emocionalmente.
O mundo do paciente depressivo é visto "sem cores", sem matizes
de alegria, até mesmo sem sentimentos, parecem não emocionar-se
mais. O deprimido, com freqüência, julga-se um peso para
os familiares e amigos. Normalmente acusam-no de "mau humorado ou
rabugento." Existem familiares, que infelizmente, não conseguem
identificar a depressão, interpretando estes estados como fraqueza
de caráter, fingimento, etc...
3. Porque o depressivo pensa em suicídio?
O risco maior na Depressão são as idéias suicídas.
As motivações para o suicídio incluem distorções
cognitivas (perceber quaisquer dificuldades como obstáculos
definitivos e intransponíveis; tendência a superestimar
as perdas sofridas) e ainda o intenso desejo de por fim a um estado
emocional extremamente penoso e tido como interminável. Outros
ainda buscam a morte como forma de expiar suas supostas culpas. Os
pensamentos de suicídio variam desde o remoto desejo de estar
simplesmente morto, até planos minuciosos de se matar (estabelecendo
o modo, o momento e o lugar para o ato). Os pensamentos relativos
a morte devem ser sistematicamente investigados, uma vez que esta
conduta poderá prevenir atos suicidas, dando ensejo ao doente
de se expressar a respeito.
Uma das fortes características de uma doença depressiva
é a hereditariedade nos atos suicídas. Familiares que
cometeram suicídio fazem parte integrante do diagnóstico
e do prognóstico do paciente em estudo. Mesmo
que a morte seja, aparentemente, a solução ideal encontrada
pelo depressivo para aliviar o seu estado, acreditamos que há
o desejo de eliminar o invisível que sufoca e que se transforma
em um sofrimento infindável, mas não exatamente em dar
fim a sua própria vida. Este pensamento não está
presente no consciente do depressivo no momento da doença,
por isto precisa ser interpretado pelo terapeuta com a finalidade
de, como se diz no senso comum: "encontrar uma luz no fim do túnel".
4. Existe tratamento para a Depressão?
O tratamento da Depressão existe e é um conjunto de
procedimentos psicoterápicos associados à medicações.
Este tratamento não é mágico, instantâneo
nem fácil, mas dá resultados excelentes quando bem administrados
e assumidos pelo paciente. É um trabalho que requer a atenção
concentrada e cuidados minuciosos do Psicólogo, Psiquiatra
e dos familiares. Muitas vezes, o alívio dos sintomas é
conseguido já em questão de algumas semanas ou meses,
mesmo em pacientes com sintomas de muitos anos (crônicos) ou
acentuadamente dramáticos, ainda que uma melhora maior possa
exigir um prazo mais longo. Em alguns casos, o tratamento corre tão
bem, funciona tão rapidamente, que "até parece um milagre"
e o paciente e os familiares ficam exultantes. Entretanto,
independente do prazo menor ou maior, o importante é o paciente
saber que, com os recursos atualmente disponíveis, por um ou
outro caminho, vai superar sua depressão, se não desistir
do tratamento com um profissional bem preparado.
5. Quais os tratamentos atuais?
Os tratamentos atualmente existentes podem ser agrupados da seguinte
maneira:
a) Os tratamentos psicoterápicos:
* Psicoterapias do tipo dinâmico, introspectivo ou analítico;
* Psicoterapias do tipo comportamental;
* Psicoterapias do tipo cognitivo.
b) Os medicamentos:
* Medicamentos de efeito antidepressivos;
* Medicamentos ansiolíticos;
* Medicamentos antipsicóticos;
* Medicamentos que aliviam os efeitos colaterais desconfortáveis
dos medicamentos antidepressivos e antipsicóticos;
* Medicamentos hipnóticos, para ajudar o paciente a dormir,
até que outros recursos do tratamento produzam efeito;
* Os betabloqueadores, úteis em certos casos de fobias;
* Os estimulantes;
* Certas vitaminas.
6. Qual a orientação
para os familiares do paciente?
Os familiares possuem um papel importantíssimo na recuperação
do doente. O aspecto da doença o qual tem que receber dos familiares
a maior atenção é o risco de suicídio.
Procurar não deixar o depressivo sozinho, com disponibilidade
de acessar armas de fogo, ou utensílios domésticos como
facas, etc..., prestando muita atenção as suas atitudes
e sempre com muito amor e compreensão animá-lo quanto
ao sucesso de seu tratamento. Na
prática evidenciamos um movimento comportamental de muita relevância:
o depressivo acredita que deva ficar em casa para melhorar e depois
sair para passear e ver pessoas; no entanto este pensamento está
invertido: ele deve sair de casa para passear, ver pessoas, ver a
luz do sol, o vento no rosto, que automaticamente ele melhorará
e poderá voltar para casa com o seu humor restabelecido por
algumas horas. Devemos
sugerir ao doente que, dentro de suas possibilidades, deva sair de
casa acompanhado, para melhorar os seus sintomas. Que
os familiares possam contribuir com a melhora do paciente, reforçando
e controlando o uso de sua medicação e a freqüência
de suas sessões de psicoterapia. O
risco de que a pessoa de fato cometa suicídio aumenta muito
na medida em que ela não compreenda que sua infelicidade é,
na realidade, um estado de doença depressiva e que tem solução.
Os familiares esclarecendo e vivenciando com ela a possibilidade de
cura, estarão mostrando ao doente o quanto ele é importante
no seio familiar e que sua morte não seria a solução
e nem o alívio dos mesmos.
7. Aonde procurar tratamento?
A depressão deve ser diagnosticada e tratada por Psicólogos
e Psiquiatras, em Clínicas Médicas e Psicológicas,
Consultórios particulares, e outros...
Dra. Maria Helena Cauduro Ribeiro
(hotsite)
Psicóloga
Clínica - CRP 07/08948
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