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A ANGÚSTIA, este nó na garganta

  
Angústia é u
ma sensação conhecida por todos que experimentaram algum desprazer, alguma decepção. Que não tiveram todos os seus desejos satisfeitos. É sentida como um nó na garganta, um aperto no peito, um mal estar físico que não tem como causa algo do físico e sim do emocional.

Existem ocasiões em que a angústia aparece. Pode haver uma situação real de perigo externo em que a angústia que sentimos é um sinal para nos defendermos; um incêndio, por exemplo.


Outras vezes, a angústia aparece como uma sensação desproporcional em relação ao perigo externo; medo de lugares fechados. Ela pode estar ainda não baseada aparentemente em nada da realidade externa; angústia generalizada.

Quando desejamos alguma coisa e não satisfazemos nosso desejo, pode ocorrer que, no lugar do prazer que a satisfação proporcionaria, surja angústia. Pensando nesta causa da angústia, a forma para eliminá-la seria satisfazermos nossos desejos. Fácil teoricamente.

Todos, na prática, impossível. Algumas vezes por impedimentos da própria realidade e outras por impedimentos internos; nossa ambivalência, por exemplo. Como dar conta das nossas angústias então?

A angústia é um sinal de perigo. Nossos desejos, quando não satisfeitos, acabam sendo vistos por nós como uma ameaça.

Outras vezes, a realização de algumas vontades também pode ser perigosa. Para que esta contradição se torne mais clara, relatarei um exemplo. Algumas pessoas comem demais e engordam. A gordura acaba sendo um ataque ao próprio corpo. E a compulsão a comer acaba sendo uma vontade que, quando não satisfeita, deixa a pessoa angustiada. E, quando a pessoa engorda, também sente-se angustiada.

Temos em nós a capacidade de substituir uma satisfação por outra, ainda que muitas vezes a satisfação substituta não seja tão prazerosa como a original. O trabalho pode ser uma forma única de realização para alguns. Ao não encontrar gratificações em relacionamentos amorosos, a pessoa pode buscar compensações na vida profissional. O trabalho gratifica, mas não supre toda necessidade de prazer.

Assim como a satisfação, a angústia também pode estar ligada a aspectos substitutos da  nossa vida. A área profissional, o trabalho, pode ser alvo de descarga de insatisfações de outras áreas. Podemos estar infelizes com nossa carreira e ficarmos muito preocupados com ela e na verdade a causa da infelicidade ser outra. Isso não significa que, neste caso, o trabalho esteja bem, porém a angústia sentida, ao não se conseguir realizar uma tarefa, é desproporcional.

É a própria vida que nos impulsiona a modificarmos os nossos caminhos para obtenção de prazer. É imprescindível porém que não percamos o contato com a realidade para que novos caminhos sejam realmente novos e não um prêmio consolação de caminhos impedidos.

Que o trabalho, como exemplo utilizado, traga prazer pela tarefa realizada e para que a angústia seja incentivadora de questionamentos sobre a vida. Que seja sinal de um perigo: a acomodação, e que nos livremos dele. Que modifiquemos nossas vidas em busca de realizações. A realidade é angustiante algumas vezes, mas só o contato com ela nos livra de idealizações que nos aprisionam na angústia por muito mais tempo.



Drª Simone Engbrecht
(hotsite)
CRP  07/05555 – Psicóloga e Psicanalista

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