A
culpa não é minha
Sentimento
de culpa. De onde vem esse sentimento e por que existe uma tendência
a culpar outras pessoas pelas nossas dificuldades
ou nos culparmos em demasia por situações nas quais
somos totalmente impotentes?
O sentimento de culpa é um sentimento que começa a aparecer
na vida de cada pessoa à medida que ela, quando criança,
vai desenvolvendo uma instância em sua mente semelhante a um
juiz.
Essa instância, chamada de superego, é um lugar abstrato
de onde partem leis que organizam e orientam o indivíduo a
lidar com os padrões morais da sociedade. O superego mantém
uma relação de domínio com o resto da personalidade.
A forma como cada um lida com ele determina a forma como cada um vai
lidar com seu sentimento de culpa.
Não é verdade que sempre é mais fácil
jogar a culpa nos outros. Mas é verdade que, às vezes,
é catastrófico para alguns assumir responsabilidades
por algumas situações.
Catastrófico quando o sentimento de culpa não provém
de um julgamento moral, mas de um julgamento de valor.
Não é o sentimento da própria culpa que fica
encoberto, nestes casos, pela culpa dos outros, mas o sentimento de
inferioridade.
Muitas vezes as pessoas se sentem feridas ao admitir que estão
erradas. Para livrar-se deste sentimento de inferioridade, as pessoas
tentam livra-se da responsabilidade de certos comportamentos julgados
como inadequados. E estes comportamentos julgados como errados, com
muita freqüência, não feriram padrões morais,
mas padrões ideais. Padrões que as pessoas acreditam
que, se forem seguidos, poderão lhes trazer o amor incondicional
daqueles que as cercam. São aquelas pessoas que estão
presas a padrões ideais. Não utilizam estes padrões
como orientação, mas como punição.
E quando a responsabilização por um erro não
agride a auto-estima a ponto de destruí-la é que a pessoa
passa a sentir-se culpada de forma consciente pelos seus atos.
O único comportamento que podemos mudar a partir da nossa vontade
é o nosso. Colocando a culpa nos outros, fica-se passivo diante
da vida. Delegando aos outros o poder de mudança: "se outro
fosse assim...., eu poderia..."
Quando um grupo resiste a mudanças, o grupo geralmente procura
um bode espiatório para que seja delegada a ele a responsabilidade
da não mudança de grupo.
Mesmo quando as pessoas não se conscientizam dos seus sentimentos
de culpa em determinadas situações, este sentimento
não permanece mudo. Ele fala através punição
que elas acabam se fazendo. Expiam a culpa ficando na posição
de vítimas de alguém em quem jogam a culpa. Neste caso,
podem se livrar da culpa, mas não do sofrimento.
Também ocorrem situações nas quais as pessoas
encobrem um sentimento de culpa por outro. Culpam-se intensamente
por ações que, na realidade, não tinham nenhuma
participação ou pouca responsabilidade.
Esse sentimento desproporcional pode revelar algumas vezes a intenção
onipotente de controlar o incontrolável.
É importante que se olhe para o passado, para as situações
que não podem ser modificadas, para conhecer o que se passa
com cada um de nós frente a um limite.
Através deste conhecimento, poderemos viver de forma diferente
o nosso presente e o nosso futuro. Nos responsabilizando pelos nossos
desejos e não apenas nos culpando e nos punindo por aquilo
que já ocorreu.
Drª Simone Engbrecht (hotsite)
CRP 07/05555 – Psicóloga e Psicanalista
<<
Voltar