Aliviando o cansaço
As
pessoas correm. De onde vem? Para onde vão? Será que
sabem? Podemos simplesmente entender que estamos tristes ou cansados
porque estamos estressados com o volume de coisas que fazemos e temos
acumuladas em nossa agenda. Visitas para amigos que marcamos de maneira
superficial, "vamos nos encontrar". Será que o que nos falta
é realmente o tempo?
Depressão pode ser o nome dado a tristeza, a falta de ânimo,
a dor que não sabemos qual a origem, ao cansaço. É
também o nome dado a uma patologia, a melancolia. Seja a depressão
um estado ou uma doença, nos perguntamos: o que há de
comum naqueles que se dizem deprimidos? Depressão significa
também uma baixa de terreno. Em associação, emocionalmente,
depressão também representa uma baixa: uma baixa na
auto-estima. Esta sim, lá no chão, caracteriza a depressão.
Para compreendermos o que é a alta ou baixa auto-estima, precisamos
ter claro como é construído nosso amor próprio.
O bebê inicialmente não possui uma imagem própria
definida e diferenciada de quem o rodeia. Ele e a mãe são
um só. A medida que vai percebendo que necessita de coisas,
que possui desejos, é que nota sua dependência. Um paradoxo:
a maturidade, a maior independência real, vai coincidir com
a percepção da dependência. Para a satisfação
das necessidades podem ser percorridos dois caminhos: o caminho do
alívio imediato e o atendimento da satisfação
para um momento oportuno. Um bebê com fome só conhece
os movimentos reflexos (o choro, o esperneio) como forma tentativa
de alívio desta tensão. A medida que vai sendo acolhido
pela mãe, vai conseguindo esperar o leite quando percebe que
a mãe, por exemplo, movimenta-se para o preparo de sua mamadeira.
Quando falamos em adiantamento de satisfações, não
estamos idealizando a dor, ou a falta de satisfações,
mas entendendo que o desenvolvimento psicológico pressupõe
uma criação de variações de alternativas
para um alívio de uma tensão. O amparo cria possibilidades
de adiantamentos e abertura de uma maior rede de alternativas de maneira
de satisfações.
Supondo que pelo, desamparo, poucos caminhos de alívio tenham
sido criados; então, a perda de algum deles, poderia criar
um abalo muito grande no indivíduo. Após uma perda,
que abre uma ferida, faz-se necessário um tempo de cicatrização.
Este período é o luto. A depressão é conseqüência
de uma perda que abriu uma ferida de difícil cicatrização,
pois perdeu-se um ideal, algo ou alguém que sustentava o amor
próprio. Em depressão, não consegue-se fazer
luto. A pessoa não consegue retirar a energia investida naquela
pessoa, ideal ou objeto perdido. E passa a agredir o seu próprio
eu de várias formas, auto recriminando-se, ou impedindo-se
de algumas conquistas sem consciência disto.
Portanto, a pressa tem a ver com a atualidade, a falta de amor que
abre feridas e também com a busca de alívios imediatos
para as dores, com carência de espaço de criação
de uma diversidade em formas de desenvolvimento. Na tentativa de elevar
a auto-estima rapidamente; um bem material, uma roupa nova, uma modificação
no corpo podem ser buscados. O alívio pode ser imediato, porém,
passageiro. Se a depressão é conseqüência
de uma perda, uma frustração, ela persiste quando é
o amor por si mesmo que foi perdido. Há então a necessidade
de construir ou reconstruir este amor.
Drª Simone Engbrecht (hotsite)
CRP 07/05555 – Psicóloga e Psicanalista
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