AUTO-ESTIMA
O
Homem procura a felicidade, o prazer. O que significa tal felicidade?
Para cada um ela tem um significado diferente. E, em cada momento
da vida, a forma de alcançar tal felicidade também varia.
Mantermos a sensação da nossa importância e do
nosso valor com a consciência da realidade é uma tarefa
difícil.
Certa vez ouvi: a ignorância é diretamente proporcional
à felicidade. Esta frase mostra a forma simplista de encontrar
a felicidade: iludidos e felizes. É possível sermos
felizes sem acomodarmos, sem deixarmos de ter contato com o mundo?
Acredito que sim. Mas para tanto não há receitas prontas,
porque, como foi colocado, o significado de felicidade varia.
Porém, para chegarmos lá, passamos por etapas semelhantes.
Etapas da nossa auto-estima.
Recebemos dicas tais como: deve gostar de mim, investir em mim, aproveitar
pequenos momentos. Mas, essa aprendizagem, em nossa vida, não
vem de forma automática. Como se todos chegassem a essa etapa
por obra do destino. Como aprendemos então?
Quando bebês, a felicidade consiste, muitas vezes, em saciar
a fome. A sensação de prazer depois de mamada é
completa. Mas não nos contemplamos com isso a vida toda. Nos
tornamos seres providos de desejo.
A tentativa inicial é saciar ou procurar alguém que
sacie todos nossos desejos, ambições. A propaganda faz
com que desejemos o que está sendo por ela anunciado. Compramos,
mas nem por isso, nos tornamos felizes. Se nos concentramos apenas
no desejo e tentarmos satisfazê-los, nos tornaremos escravos
de nós mesmos. Alguns, quando percebem esta escravidão,
tentam abandonar seus desejos. Entrar na ignorância, não
sentindo mais nada, tentando cumprir a frase - a felicidade é
diretamente proporcional à ignorância. Sem desejo estamos
sem motivo - desmotivados.
Nossa vida tem um sentido que deve sempre ser procurado. Na infância,
o gostar de si representa tornar o ser seu próprio ideal: o
meu mundo basta. Mas quando este ideal vai ficando longe de nossas
possibilidades reais, devemos questionar sobre quem está atrás
de cada desejo e o que está atrás da idealização.
Lá estamos nós, seres imperfeitos, porém donos
de seus desejos.
Quando ainda imaturos, achamos que somos os tais. Quebrar esta idéia
nos fere, mas é uma ferida que necessitamos perceber e sentir
para que não inflame e sim cicatrize. Para que não sejamos
mais escravos da manutenção da nossa onipotência.
Circulamos por um bom tempo a idealização de nós
mesmos e a acomodação.
Quando colocarmos nossos ideais no futuro - como metas, e nossas imperfeições
no passado - sabendo quem não somos, poderemos visualizar quem
somos nós hoje, aproveitando pequenos momentos.
Esta é a auto-estima do ser maduro, quem se respeita, se enxerga
sem ilusões, mas nem por isto perde seus sonhos.
Drª Simone Engbrecht (hotsite)
CRP 07/05555 – Psicóloga e Psicanalista
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