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Somatizando Emoções

Hoje a relação mente-corpo é bem estudada. Somos um só ser onde alguma das disfunções orgânicas estão relacionadas a disfunções emocionais. Para falar sobre psicossomática, faz-se necessária a conceituação de dor e o entendimento de expressões afetivas do bebê.

A dor é uma experiência de desprazer que avisa, dá o alarme de que a integridade de nosso organismo não vai bem. É um meio básico de pedir ajuda, de chamar atenção para que algo seja modificado a fim de que o incômodo passe. Quando bebês, nossa única forma de expressão era através do corpo. O bebê não distingue raiva, amor, medo. Sente desprazer, chora. A dor nem sempre está vinculada apenas a lesões de tecidos no organismo, ela pode ser de ordem emocional. Os cinco sentidos possuem um órgão específico para cada percepção. A dor não, ela abrange a totalidade do corpo.

A mente pode encarregar o corpo para traduzir suas inibições e suas dores. As emoções são sentidas como internas e têm seus sinais de expressão no corpo e no comportamento, são psicossomáticas.

Na somatização, há um dano físico real no indivíduo. Nós falamos através dos órgãos de fonação. Além disso, temos uma linguagem gestual que acompanha a linguagem verbal e na qual usamos outras partes do nosso corpo para falar: as mãos, por exemplo. A linguagem gestual expressa principalmente o afeto que acompanha a palavra: o choro, o tom de voz.

Algumas vezes, outros órgãos substituem o da fonação para expressar alguns conteúdos. A pessoa não fala o que sente, porque não tem consciência do que sente. A pessoa pode falar pelo corpo e não sentir a dor mental que certas situações provocam. Ocorre algo como se o adoecer fosse uma saída, como que se, em períodos de crise, pudéssemos apalpar nossos limites corporais; como se o corpo tivesse que doer para avisar onde estamos.

Os fenômenos psicossomáticos são regidos por situações que mobilizam emoções fortes (crises vitais, perdas, separações). Ás vezes, as pessoas se desligam das próprias emoções para suportá-las. Ficando uma inércia mental, num estado de inibição, pois temem que, se forem ativas, se forem em frente, correrão o risco de se depararem com a mesma situação que foi difícil de vivenciar. Ao se desligarem mentalmente da emoção, elas delegam toda a sua expressão emocional à sua fisiologia. Ao invés de tomarem contato com sua raiva, por exemplo, sentem dor de cabeça.

Aqueles que continuamente descarregam suas tensões através da ação quando as circunstâncias são particularmente geradoras de stress (comem, bebem, dirigem em alta velocidade) para reagir contra a dor mental, estão mais vulneráveis a somatizar. Ao longo da nossa vida, vamos aprendendo outras formas para lidar com as frustrações: as fantasias, os sonhos, a elaboração. Ao amadurecermos, vamos refletindo sobre as situações e elaborando nossas emoções, encontrando um sentido para nossas sensações. Para que isso aconteça, algumas vezes se faz necessária ajuda de alguém. Se prestarmos atenção às nossas emoções, nosso corpo não terá necessidade de expressá-las através do adoecer.



Drª Simone Engbrecht
(hotsite)

CRP  07/05555 – Psicóloga e Psicanalista

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