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A mulher e a meia-idade

Atualmente, tentamos entender as várias crises pelas quais passamos. Até alcançarmos uma nova etapa da vida, experinciamos um período de intensas mudanças e muita reflexão.

A cada passagem de um estágio do desenvolvimento humano ficamos expostos e vulneráveis, mais sensíveis. Para adquirir responsabilidades da vida adulta, cada um passa por um período conhecido como adolescência.

A adolescência, a meia-idade e a velhice são chamadas de crises vitais. Na crise vital, as pessoas passam por experiências comuns e algumas vezes até rituais comuns que fazem parte de cada cultura.

Cada um vivência a crise, por mais comum que seja à sua faixa etária, com um colorido próprio da sua história pessoal. A idéia é refletirmos sobre o que há de comum na nossa cultura nas mulheres de meia-idade.

Ao longo do desenvolvimento emocional do ser humano, a sensação de prazer vem primeiro aliada a ações que estão a serviço da preservação da nossa espécie. No ato de mamar é onde o prazer do bebê se vincula originalmente. Depois, na limpeza, na proteção.

Mesmo que a ação não tenha mais nenhum objetivo concreto, a ela fica vinculado o prazer.

O bebê suga o seu próprio dedo por prazer e não para se alimentar, mas, primeiro, o sugar  estava presente para que o bebê se alimentasse e se mantivesse vivo.

A mulher possui um papel biológico de reprodutora na sociedade. Não somos apenas seres biológicos; isto é óbvio. Emocionalmente, porém, a mulher pode vincular um limite físico como a menopausa a um limite criador, sentindo-se vazia quando os filhos crescem. A reprodução e a criação está situada num prisma que está além de ter e criar filhos. A contribuição de cada um para a preservação de uma espécie possuidora de inteligência como a humana está em criar com prazer, ou seja, em procurar algo que possa criar e que sua produção lhe satisfaça.

Construir uma casa, por exemplo, não só para que a geração seguinte receba uma casa, mas para que perceba que construir é prazeroso.

As mudanças nas crises muitas vezes são sentidas como perdas.

Filhos saindo de casa ou perda de um papel conhecido no grupo. A crise da meia-idade é um ensaio para uma etapa de maior maturidade, quando se adquire maior segurança e independência na tomada de decisão, quando a história de cada um pode contribuir como experiência para enfrentar situações novas. Para que se possa aproveitar da maturidade.

As abelhas fazem mel por instinto e morrem se não o fizerem; o homem cria por prazer. É importante que cada um vasculhe dentro de si o que lhe gratifica para que o envelhecimento não seja uma limitação.



Drª Simone Engbrecht
(hotsite)

CRP  07/05555 – Psicóloga e Psicanalista


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