Toda dor vem do
desejo de não sentir dor
Dor,
sofrimento, desprazer, desconforto: afetos que, quando afloram, são
imperativos. Isto é, sobressaem em relação a
quaisquer outros sentimentos. Uma dor de dente, por exemplo, faz com
que o dono do dente não pense em mais nada. Porém, nem
sempre a dor possui uma localização tão precisa.
Parece, aparentemente, não ter sentido. Mas, tudo o que percebemos
em nosso interior é efeito de alguma coisa que se passou e
não elaboramos por inteiro.
A
dor é como um alarme. Quando associada a história de
uma pessoa, geralmente é ligada a uma perda, a uma fase da
vida, um emprego, uma pessoa querida, um amor. Ah! Um amor.
Então dor tem relação com amor. Então
a receita para não sentirmos dor parece simples, não
ligar-se a nada nem a ninguém. Essa receita é buscada
como fórmula para muitos que fogem da dor. Aos poucos descobre-se
que da dor não se pode fugir, nem do amor.
A dor só é aliviada quando encontra um sentido. Encontrar
este sentido porém não é simples.
Vivemos nos questionando sobre o egoísmo, o imediatismo, a
falta de amor, de maturidade daqueles que correm nas ruas. A busca
incontrolável por algo que rapidamente torne a pessoa mais
respeitada por ela mesma a faz muitas e muitas vezes com que esta
pessoa procure possuir, dominar o que a cerca. Não é
tendo oportunidades de prazer, proporcionadas pelo mundo, o caminho
de alívio para o sofrimento, mas sendo alguém que se
propõe a trilhar caminhos diferentes, criativos e a variar
com certa flexibilidade a direção da trilha.
A dor vem do desejo de não sentirmos dor. Sim, se ela é
um alarme, funciona como uma proteção. Ela avisa que
uma ferida foi aberta. Algumas feridas no corpo quando tapadas sem
cuidado adequado inflamam. O mesmo cuidado devemos ter com as feridas
do coração.
Para não sentirmos dor não adianta negar as dificuldades,
mas escutá-las de um outro ponto de vista, do ponto de vista
do amor.
Drª Simone Engbrecht (hotsite)
CRP 07/05555 – Psicóloga e Psicanalista
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