É possível manter a
AUTO-ESTIMA em alta
sem
fugir da realidade
Quando
um novo ser humano chega a esta civilização, acredita
que o mundo se limita ao cenário que o cerca. É difícil
e dolorido, num primeiro momento, termos consciência que somos
um entre muitos, nosso país e nosso planeta.
Chegamos ao mundo como “Sua Majestade, o bebê”, onipotentes,
e vamos perdendo o trono a medida em que crescemos. Sair do centro
e não se sentir humilhado é tarefa impossível
no início. Nesse momento, para lidar com a insatisfação,
o único recurso que possuímos é alucinar que
estamos nos satisfazendo. Nos afastamos, por instantes, do mundo real
e construímos um mundo só de prazer. O bebê suga
o dedo ou o bico de onde não sai na realidade leite e alivia
suas insatisfações por um tempo. Algumas pessoas utilizam
basicamente somente este recurso para lidar com situações
difíceis – se afastam das frustrações se recolhendo
de tudo.
O desligamento quase total do mundo real aparece nas graves doenças
mentais. Mas a intenção aqui é falar sobre quais
as conseqüências dos pequenos desligamentos que fazemos.
Se o bebê se satisfizesse sempre com o bico, não sentiria
mais fome e morreria. Mas não é isso que ele faz.
Passado um tempo, ele chora, pede ajuda. Os adultos possuem mais recursos
do que simplesmente se encolher ou chorar. Este recurso é o
planejamento e a ação. Às vezes, o que acontece
é que planejamos nossas ações sem considerar
novamente as frustrações, as imperfeições,
as imperfeições do mundo.
Durante nosso desenvolvimento, idealizamos e nos apaixonamos por pessoas
consideradas por nós como ídolos. A medida que amadurecemos,
percebemos que alguns desses ídolos caem do pedestal. Passamos
por um momento de caos. Enquanto idealizamos, não enxergamos
a realidade como ela é, mas como gostaríamos que fosse.
Quando a idealização cai por terra, percebemos a imperfeição
do mundo e a nossa “cegueira”, ou seja, dificuldade de visão
pela maturidade.
Avaliamos mal o que não havia e não consideramos o que
estava bem a nossa frente. Percebemos as falhas dos outros e as nossas,
nossa auto-estima diminui. Uma das formas de aumentar a auto-estima
é nos tornarmos onipotentes e voltar a não enxergar
o que se passa. O sofrimento pode levar ao caminho da retração,
do recolhimento. Mas também pode servir para nos conhecermos
em profundidade.
Como vamos então crescer, enxergar a realidade com clareza
e ao mesmo tempo manter a nossa auto-estima em alta? Conhecendo, com
profundidade quem somos e o que rever das nossas escolhas, nossos
desejos. Cada um pode com clareza perceber que escolhas amorosas,
sociais ou profissionais faz e quais as que lhe satisfazem.
Por que investir em escolhas que nos fazem sofrer? Para responder
a esta pergunta cada um precisa se conhecer antes de forçar
a entrada de novos padrões para sua realidade e sentí-los
como padrões de consolo e de adaptação. Se alguém
não foi classificado, por exemplo, em um vestibular universitário,
após várias tentativas, não adianta simplesmente
optar por um “curso consolação”, mas conhecer a fundo
sua primeira escolha (por que escolheu?, porque está difícil
para ser aprovado?, e a única escolha satisfatória?...),
ou seja, o que esta escolha tem a ver consigo. Conhecer a si mesmo.
Não modificamos nossos ideais por consolo. Amadurecer significa
modificar nossos ideais para receber deles satisfações.
Um ideal deve levar a felicidade, ou seja, a viver num mundo real
sem deixar de sonhar.
Drª Simone Engbrecht (hotsite)
CRP 07/05555 – Psicóloga e Psicanalista
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