Classic Life Psicologia Ed. 01 - Nov/Dez/2001
 


Aprendendo a lidar com a DEPRESSÃO

“Aprendendo a Lidar com a Depressão” é o nome do livro que foi lançado na Feira do Livro (2001) de Porto Alegre. A idéia central do texto é trazer aos leitores um conhecimento do que é depressão e um aprofundamento de suas raízes. A linguagem é dirigida não apenas a profissionais da área da saúde, mas ao público em geral.  A forma de trabalhar o tema da dor  neste livro é utilizando metáforas e um apoio teórico na Psicanálise.

Depressão.
Uma pressão ou uma pressa em aliviar uma dor? A depressão é considerada um mal da atualidade. Perguntaríamos: por quê? Antigamente as pessoas não ficavam deprimidas. Sim, as dores da alma sempre foram inerentes ao desenvolvimento da humanidade. Porém, somente há cem anos, a Psicanálise passou a ocupar-se com um encaminhamento curativo para estas dores. E ainda a depressão é atual não somente porque hoje temos um nome para o que é sentido, mas porque hoje o desamparo,  a solidão, a falta de amor e a distância tomam conta das relações.

Baixa de terreno é um dos sentidos desta palavra tão pronunciada quando as pessoas referem-se à tristeza. Fora do terreno da Geografia, depressão também significa baixa, só que baixa na auto-estima. Escutamos então que quem está sem entusiasmo, sem energia deve se gostar, se alegrar. E então descobrimos que a auto-estima está além do amor próprio. Não basta alguém resolver se cuidar, gostar de si. O coração não tem controle nestas ocasiões e a auto-estima depende de dois outro importantes alimentos: o amor dos outros e a realização dos ideais.

O amor a si e o amor recebido pelos outros não dependem de uma escolha pessoal. Não fosse a construção de ideais ser uma possibilidade de preenchimento da auto-estima, quem sofre de depressão poderia dizer que contra esta dor não há o que fazer. Aprender a lidar com a depressão consiste numa aprendizagem contínua a se lidar com as perdas. Depressão é uma falta de ânimo passageira ou não que decorre de uma perda. Luto é o tempo e o trabalho feito após uma dor causada por uma ferida aberta. Não é fácil transformar a dor de uma perda em saudade. Esta transformação só ocorre quando os ideais da pessoa enlutada são revistos.

A pressa dos novos tempos exige que não se ‘gaste’ tempo enlutado, revendo ideais. Os ideais já  estão dados – uma aparência feliz é o que basta. As feridas de qualquer falta ou perda são então tamponadas e começam a inflamar. ‘Não se pode chorar o leite derramado’ é o que diz o ditado. Para não chorar, a leiteira vazia nem é percebida.



Drª Simone Engbrecht
(hotsite)

CRP  07/05555 – Psicóloga e Psicanalista

São Leopoldo/RS – Fone: (51) 3589.5734
Autora do livro: “Aprendendo a Lidar com a Depressão”

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