Aprendendo
a lidar com a DEPRESSÃO
“Aprendendo a Lidar com a Depressão” é o nome
do livro que foi lançado na Feira do Livro (2001) de Porto
Alegre. A idéia central do texto é trazer aos leitores
um conhecimento do que é depressão e um aprofundamento
de suas raízes. A linguagem é dirigida não apenas
a profissionais da área da saúde, mas ao público
em geral. A forma de trabalhar o tema da dor neste livro
é utilizando metáforas e um apoio teórico na
Psicanálise.
Depressão. Uma pressão ou uma pressa em aliviar
uma dor? A depressão é considerada um mal da atualidade.
Perguntaríamos: por quê? Antigamente as pessoas não
ficavam deprimidas. Sim, as dores da alma sempre foram inerentes ao
desenvolvimento da humanidade. Porém, somente há cem
anos, a Psicanálise passou a ocupar-se com um encaminhamento
curativo para estas dores. E ainda a depressão é atual
não somente porque hoje temos um nome para o que é sentido,
mas porque hoje o desamparo, a solidão, a falta de amor
e a distância tomam conta das relações.
Baixa de terreno é um dos sentidos desta palavra tão
pronunciada quando as pessoas referem-se à tristeza. Fora do
terreno da Geografia, depressão também significa baixa,
só que baixa na auto-estima. Escutamos então que quem
está sem entusiasmo, sem energia deve se gostar, se alegrar.
E então descobrimos que a auto-estima está além
do amor próprio. Não basta alguém resolver se
cuidar, gostar de si. O coração não tem controle
nestas ocasiões e a auto-estima depende de dois outro importantes
alimentos: o amor dos outros e a realização dos ideais.
O amor a si e o amor recebido pelos outros não dependem de
uma escolha pessoal. Não fosse a construção de
ideais ser uma possibilidade de preenchimento da auto-estima, quem
sofre de depressão poderia dizer que contra esta dor não
há o que fazer. Aprender a lidar com a depressão consiste
numa aprendizagem contínua a se lidar com as perdas. Depressão
é uma falta de ânimo passageira ou não que decorre
de uma perda. Luto é o tempo e o trabalho feito após
uma dor causada por uma ferida aberta. Não é fácil
transformar a dor de uma perda em saudade. Esta transformação
só ocorre quando os ideais da pessoa enlutada são revistos.
A pressa dos novos tempos exige que não se ‘gaste’ tempo enlutado,
revendo ideais. Os ideais já estão dados – uma
aparência feliz é o que basta. As feridas de qualquer
falta ou perda são então tamponadas e começam
a inflamar. ‘Não se pode chorar o leite derramado’ é
o que diz o ditado. Para não chorar, a leiteira vazia nem é
percebida.
Drª Simone Engbrecht (hotsite)
CRP 07/05555 – Psicóloga e Psicanalista
São
Leopoldo/RS – Fone: (51) 3589.5734
Autora
do livro: “Aprendendo a Lidar com a Depressão”
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