Fibromalgia:
DOR e INCOMPREENSÃO
Durante
muito tempo mulheres que se queixavam de dores musculares sem causa
aparente, dores de cabeça, insônia, cansaço, ansiedade
e depressão, tinham grande chance de serem rotuladas de sofrerem
dos nervos, de problemas psicológicos. Ou ainda,
de serem chamadas de desocupadas ou de estarem criando algo para chamar
atenção. Hoje se sabe que existe uma doença chamada
Fibromialgia (FM), que atinge em torno de 2 a 4 % da população
mundial, sendo 90% do sexo feminino, cuja origem é discutível,
mas que sem sombra de dúvida, não é coisa da
cabeça, tampouco invenção.
O que é?
A FM está reconhecida pela Organização Mundial
da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Reumatologia
(ACR) desde 1990 como uma doença reumática crônica.
A palavra Fibromialgia (FM), significa dor nos músculos e no
tecido fibroso (ligamentos e tendões). Caracteriza-se por dor
muscular difusa e crônica em vários pontos do corpo,
muito embora possa começar numa região específica
como ombros ou nas costas e daí espalhar-se ou migrar para
outras regiões. É característico das pessoas
com FM possuir áreas de sensibilidade aumentada em certas regiões
do corpo, conhecidas como pontos dolorosos, pontos gatilho ou tender
points (veja ilustração).
O difícil caminho do diagnóstico
A FM tem sido descrita como uma doença de difícil
diagnóstico. Ainda que os sintomas estejam claramente descritos
os pacientes peregrinam, de acordo com estudos, de seis a sete anos
até sua confirmação. Muitos enfermos neste longo
percurso se sentem menosprezados e desacreditados quanto a veracidade
do sofrimento, talvez causados pelo desconhecimento de muitos dos
profissionais da área da saúde de como lidar com a problemática.
A história clínica e pessoal do paciente é elemento
indispensável para o diagnóstico e precisa ser cuidadosamente
avaliada, tendo em vista os valiosos dados que fornece para a compreensão
do que está ocorrendo. Além disso, para se ter FM, é
necessário cumprir com os critérios diagnósticos
realizados por um especialista da reumatologia. Os critérios
usuais são: a)Dor a uma pressão (+/- 4 Kg.) em ao menos
11 dos 18 pontos sensíveis situados de forma específica
ao longo do corpo; b)Dor generalizada e crônica de mais de 3
meses de duração, descartando a existência de
outras patologias.
Manifestações clínicas
São muitas, mas as principais são: dor, alterações
do sono, cansaço, síndrome do intestino irritável,
depressão e ansiedade. A dor é o sintoma mais característico.
Pode ser descrita como uma queimação ou
ardência e acompanhada de rigidez, sensação
de inchaço e formigamento. O sono costuma não ser reparador.
Ao despertar, os pacientes referem não haver descansado. Quanto
ao cansaço, apresenta-se como fatiga que é descrita
como falta de energia e pouca tolerância ao esforço,
de modo que qualquer exercício produz incômodo e menos
atividade. O síndrome do intestino irritável se manifesta
em prisão de ventre alternados com diarréia e dor abdominal.
Já os sintomas de depressão e ansiedade costumam aparecer
na FM com maior freqüência que em pessoas sem a doença,
contudo não parecem ser causa, mas sim conseqüência
dos sintomas associados. Também existem outros sintomas, tais
como: dores menstruais, cefaléias, síndrome temporo-mandibular,
dor torácica, rigidez matutina das articulações,
alterações da memória, câimbras musculares,
tonturas, etc.
O curso da FM varia dependendo da história de vida de cada
pessoa. No geral, existem períodos de remissão e de
recaída. Não é uma doença degenerativa,
mas incapacitante.
Causas e incompreensão
A causa e os mecanismos que provocam a Fibromialgia não
estão perfeitamente esclarecidos. Sabe-se que para o seu surgimento
múltiplos fatores entram em jogo, entre eles biológicos,
psicológicos e sociais. É ainda uma doença pouco
conhecida e os exames de sangue, raios-X, tomografia computadorizada
e ressonância magnética não permitem a identificação
de um prejuízo orgânico que a justifique. Os resultados
são normais o que leva a uma tremenda distorção
e incompreensão. Para o paciente e o entorno social, o diagnóstico
da FM revela-se como um acontecimento sem explicação,
o que causa, desconforto, angústia, desespero e sentimentos
de solidão.
Aspectos
psicológicos e tratamento
Não
existe um tratamento específico para a Fibromialgia. Via de
regra, inicia com o uso de medicamentos para alivio da dor. Analgésicos,
antiinflamatórios e antidepressivos são comumente receitados
e a eficácia dos mesmos varia de acordo com cada paciente.
Associado ao tratamento médico está o emocional, fundamental
para a compreensão do sofrimento e modificação
de hábitos e atitudes associados ao quadro. Também se
recomenda o condicionamento muscular desde que seja feito por conhecedores
da doença. É importante que o paciente aprenda a cuidar
de sua postura e a relaxar diminuindo a percepção da
dor.
A
participação ativa do paciente na busca de soluções
é fundamental. Muitos desanimam e deixam de investir na saúde.
Entretanto, não se pode afirmar que os transtornos psicológicos
sejam a causa da FM, mas que a presença deles pode dificultar
o afrontamento da dor, inclusive, mascará-lo. Qual a saída?
Segundo
nosso ponto de vista, começa com o desejo de cura e de modificar
a situação conflitante. Para isso é necessário
aprender a escutar os sinais do corpo e não menosprezá-lo
quando diz que já não pode mais. A psicoterapia é
um meio, uma saída que tem como objetivo a compreensão
das emoções, sentimentos e eventos da história
de vida do paciente que estão implicados no aparecimento e
manutenção da doença. Serve para potencializar
a saúde promovendo melhor qualidade de vida. Auxilia na busca
de modos mais favoráveis para (con)viver com a FM. Como? Através
da intervenção nos estilos e estratégias de afrontamento
da doença, a fim de modificar as crenças cognitivas
que permeiam a enfermidade crônica. Outro objetivo prioritário
é o tratamento da ansiedade e da depressão que, quando
não tratadas, paralisam a ponto de impedir as atividades cotidianas.
O
tratamento psicoterápico pode ser individual ou grupal e grande
parte das vezes implica na participação efetiva dos
familiares.
Drª Marcia Luconi Viana
CRP 07/2724 – Psicóloga
Mestre em Psicologia Social e da Personalidade (PUCRS)
Doutora em Psicologia da Saúde e Família (Universidad
de Deusto-Espanha)
Rua Pedro Adams Filho, 5573 - sala: 506
Centro - Novo Hamburgo - RS
Fone: (51) 3561.8928
Drª
Rosana Cecchini de Castro
CRP 07/2101– Psicóloga
Psicanalista (CPRGS)
Doutora em Psicologia da Saúde e Família (Universidad
de Deusto-Espanha)
Rua Clemente Pinto, 224
Bairro Fião - São Leopoldo - RS
Fone: (51) 3575.5663
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