Classic Life • Psicologia
 

  
Refletindo a meia-idade
  

Enquanto hoje procuramos maior qualidade de vida, nossa vida também aumenta em quantidade. As pessoas vivem mais. Antigamente os pais escolhiam o cônjuge para o filho. Este casava sem independência nem crítica. Chamamos de adolescência o período entre a infância e a maturidade. Hoje o período é mais ou menos extenso de acordo com o nível social da família. Jovens estudam, trabalham, amadurecem, se casam, têm filhos. E os pais destes jovens estão na meia-idade. São avós e não são idosos.

O meio de vida mudou em relação à faixa etária que o período abrange e em significado. As crises vitais acontecem por mudanças que a vida nos impõe. Cada um tem certa capacidade de vivenciar situações difíceis e se equilibrar. Esta capacidade varia de acordo com a nossa maturidade. A maturidade é determinada pela idade e por potencial individual. Como a capacidade de nossos músculos, determinada pela idade e pelo exercício. Nossa maturidade também é adquirida pelo exercício, ou seja, pela prática da reflexão de nossas experiências.

O que é pesado na meia-idade e requer maturidade? A reflexão sobre o que já vivi, quem sou eu e o que farei de agora em diante."Em que eu acredito?". Duas mudanças básicas ameaçam a identidade na meia-idade: o corpo e o papel social. Não é só o adolescente que esconde as mudanças que se passam com o seu corpo. O adulto também: os cabelos, a pele, os músculos e, para a mulher, a capacidade reprodutora. Nosso papel social é, na idade adulta, o da reprodução. Na meia-idade ocorre o que poderíamos chamar de "Síndrome do ninho vazio". Os filhos crescem, ficam independentes e os pais reciclam seu investimento de energia. Investem no trabalho, nos grupos do qual fazem parte e principalmente em si. É sempre dolorido reciclarmos nosso investimento emocional.

Para a mulher ainda é mais difícil que para o homem. Pois, o humano se reproduz. E reproduzir não significa apenas ter filhos, mas criar no sentido pleno filhos, trabalho, arte, produção cultural. A nossa criação é o que a sociedade herda de nós. Ás vezes porém, esta reprodução é entendida somente a nível concreto e a mulher fica considerada um tabu por esta função reprodutora.

Na meia-idade refletimos, reciclamos, cada um está livre para tirar velhas paixões da prateleira. Só nós sabemos quais são nossos sonhos, quais deles foram realizados, o que destas paixões são sonhos para ainda serem realizados e o que são sonhos impossíveis.

Mais difícil é sempre lidar com o impossível. A reflexão porém, é o exercício da maturidade. Significa o ir e vir entre o sonho e a realidade. Não adianta só ficar olhando o que falta no ninho vazio, mas ver do que ele é composto e o que ele é capaz de abrigar para criar. Nossa espécie se reproduz através de nós, por prole e criação cultural. A criação cultural nos diferencia de outras espécies. A vida do homem e da mulher antes terminava quando os filhos estavam adultos. Mas o potencial humano é maior. Por isso, quando os filhos estão adultos estamos apenas no meio da vida.


Drª Simone Engbrecht (hotsite)
CRP  07/05555 – Psicóloga e Psicanalista



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