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Depressão: como sair dessa?
  

Depressão. Palavra usada para definir um conjunto de sinais que aparecem no nosso corpo e no nosso comportamento: humor em baixa, desatenção, falta de motivação, angústia, cansaço, distúrbios do sono e da alimentação, problemas físicos. E, principalmente, pouco interesse pelo mundo.

Percebemos que o nosso contato com o mundo está diferenciado quando estamos deprimidos. Mas esta mudança é uma conseqüência de algo. Muitas vezes não há motivação para mudarmos só a conseqüência. Cabe então refletirmos sobre as causas da depressão.

Quando estamos deprimidos, gostamos menos de nós. Sentimos que perdemos algo. A depressão pode ser de dois tipos: real e concreta ou ideal.

O primeiro tipo é aquele em que houve uma perda real. Neste caso, a depressão é passageira, isto é, tende a passar naturalmente. Passa depois que cicatrizarmos os "buracos" que sentimos em nós. Passamos por este tipo de depressão em momentos críticos da nossa vida. Quando deixamos de ser criança para sermos adultos, por exemplo; ou quando estamos na meia-idade e perdemos a função de apenas criar os filhos para retomarmos outros sentimentos na nossa vida, ou ainda quando temos que elaborar a perda de um ente querido.

A depressão pode não ser tão passageira assim. O que fazemos com a angústia que, às vezes, toma conta de nós e não tivemos nenhuma situação real que explique essa sensação? Devemos refletir e procurar esta falta em nós. Saber do que se trata. Muitas vezes, precisamos ajuda. Perdemos provavelmente algo que víamos como muito perfeito, idealizávamos. É uma realidade que está dentro de nós. Idealizamos quando não suportamos dois sentimentos opostos (gostar e não gostar, por exemplo) por alguém ou alguma situação. Tornamos o que gostamos perfeito. Enquanto acreditamos em algo perfeito, nos afastamos da realidade. Então, quando algo ideal se quebra, nos deprimimos.

Como na música de Renato Russo: "Toda dor vem do desejo de não sentirmos dor". Por incrível que pareça, a idealização vem da vontade de não sentirmos a dor da ambivalência e, quando a idealização é confrontada com a realidade, sentimos a dor da depressão. A depressão por ter perdido algo perfeito.

Temos ideais de perfeição como algo no futuro nos ajuda, nos motiva. Mas, cada vez que compararmos nossa realidade atual com estes ideais, não podemos destruir o que está imperfeito hoje pois corremos o risco de nos machucarmos. É possível agüentar a dor de nem tudo ser perfeito sem deixar de amar. Tarefa do nosso amadurecimento.

Este é o sentido de nossa vida: construirmos e criarmos a partir do que temos. São ricos aqueles que têm a si. Portanto olhemos nossas riquezas. Olhemos para dentro de nós sem tantas críticas a nossas imperfeições.


Drª Simone Engbrecht (hotsite)
CRP  07/05555 – Psicóloga e Psicanalista



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